Proletários do mundo
Dominique Fingermann
“Proletários do mundo, uni-vos”, desejava um certo discurso, num tempo antigo, que de fato foi o nosso, e do qual Lacan dizia: “eles querem um maître [mestre]” (m’être).
Os proletários de nosso tempo desencantaram e não entoam mais em coro o poema de Paul Fort: “Se todos os homens do mundo quisessem se dar as mãos…”.[1]
Eles correm para cá e para lá, se cruzam, se ultrapassam, giram uns ao redor dos outros, dão três voltinhas e depois vão embora. Isso lembra a surpreendente peça silenciosa de Peter Handke, “A hora em que não sabíamos nada um do outro”,[2] no decorrer da qual, sem dizer uma palavra sequer, durante menos de uma hora de idas e vindas, mais de 300 “indivíduos” atravessam um praça, perambulam, acotovelam-se, tropeçam uns nos outros, se cruzam e cruzam de novo, sem nunca se encontrar.





