domingo, 22 de novembro de 2015

IX Encontro Internacional - Prelúdio 3



Na textura do tempo

Ana Canedo


“Dizer tem a ver com o tempo. A ausência de tempo, é algo que se sonha, é o que se chama eternidade, e esse sonho consiste em imaginar que alguém acorda”(Lacan 15/11/77)

Levando em conta os avanços da tecnologia, poderia parecer que a fragilidade dos laços humanos estaria afetada pela problemática do tempo. O imediatismo das ofertas do mercado oferece com rapidez imagens sem substância projetadas onde se queira, com a proposta do todos iguais em seu gozo e ao mesmo tempo. A distinção entre o corpo singular e a imagem se desconstrói na tela da chamada vídeo-realidade. Em sentido contrário à ética dos discursos, que ordena e limita a relação entre os sujeitos, os efeitos do imediatismo das ofertas se traduzem em uma banalização do tempo, onde sobrevém um objeto a mais a se ter ou se controlar . No lugar da falta – chave do desejo- a profusão dos objetos mais de gozar deixa o sujeito na insatisfação, na posse de um saber generalizável onde abundaria o que se veio a denominar a transparência do evidente. Tal qual a vigilância por um só olhar que tudo vê como no panótipo analisado por Michel Foucault nos anos 1970, estaria agora presente a suposição de um olhar pluridimensional e fragmentado da realidade.

IX Encontro Internacional - Prelúdio 2



Prelúdio 2 

Mario Binasco


J. Lacan, em 1967, escreveu esta frase bastante enigmática que sempre me abalou: “Quando a psicanálise houver deposto rendido as armas diante dos impasses crescentes de nossa civilização (mal-estar que Freud pressentia) é que serão retomadas – por quem? – as indicações de meus Escritos. ”

Enigmática e surpreendente porque se exprime no indicativo (apesar de estar no futuro do subjuntivo) e não na eventualidade hipotética do subjuntivo; então afirma a existência de impasses e, além disso, crescentes, na civilização, capazes de depor as armas à psicanálise (lembro-me aqui que Lacan chamou sua Escola de “uma base de operações sobre o mal-estar da civilização”) ; e, ainda porque Lacan, paradoxalmente, parece dizer que somente após essa rendição “quem?” – isto é um sujeito por vir, ainda não determinado e, de qualquer modo, não qualificado como um analista – poderá “retomar” as indicações de seus Escritos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Prorrogado o prazo para envio de resumos!





Para se inscrever na Jornada, basta fazer assim: deposita o valor correspondente na conta abaixo e manda o comprovante em anexo pro e-mail fcl.fortaleza@gmail.com ou procura a Milena durante a semana, das 9h às 13h, na Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103, para realizar o pagamento em mãos. Seguem os dados da conta: Banco do Brasil, agência 1369-2, conta 29114-5, CNPJ 06572994/0001-05 

Investimento: até 15/11 são 80 reais para estudantes e 160 para profissionais, e, depois disso, passa a ser 90/180. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Convite: Jornada de Cartéis

IV Jornada de Cartéis da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Fórum Fortaleza

Data: 22 de Agosto de 2015, 8:30h
Local: Auditório da Livraria Acadêmica
Rua Costa Barros, 901, Aldeota
Entrada gratuita
Trabalhos dos Cartéis:

domingo, 2 de agosto de 2015

XVI Encontro Nacional da EPFCL-Brasil / Prelúdio 2



Análise, supervisão e desejo do analista: enlaces e desenlaces.


Lia Silveira


O famoso “tripé” da formação do analista: análise (um), supervisão (dois), estudo teórico (três) talvez seja o ponto pacífico para a maioria das entidades psicanalíticas. Desde a IPA até a Escola lacaniana, todos repetem isso que já virou quase um bordão. No entanto, chama a atenção o quanto a supervisão resta, muitas vezes, esmaecida. Ou, pelo menos no que diz respeito à elaboração desta experiência, não é frequentemente lembrada. No entanto, este dispositivo tem um lugar de fundamental importância, não só para a formação no que diz respeito ao exercício da clínica, mas também (é o que quero desenvolver aqui) pelo que ela pode apontar do desejo do analista.

Comecemos então sacudindo um pouco esse “tripé”.

sábado, 4 de julho de 2015

XVI Encontro da EPFCL-Brasil / Prelúdio 1




O Um e o Dois na vida erótica 

Antonio Quinet 

A vida sexual dos seres humanos é atravessada pelo inconsciente. O sexual não é natural. O sexo é desnaturalizado por sermos seres de linguagem. O ser humano é um ser-para-o-sexo. Ele é, ao mesmo tempo, falta-a-ser e fala-a-ser. Falta-a-ser porque o ser a ele se furta e a pergunta “quem sou eu?” não cessa de se escrever. E fala-a-ser por ser falante e o sexo estar inscrito em seu corpo libidinal passando pelos desfiladeiros da linguagem que estrutura o Inconsciente. Esse fala-a-ser, nos diz Lacan, é um corpo falante. 

O que enlaça homens e mulheres na vida sexual? 

domingo, 3 de maio de 2015

IX Encontro Internacional - Prelúdio 1 - Sonia Alberti




Entre Bindung e Entbindung: o fio do discurso.

Sonia Alberti

É nos primeiros Seminários de Lacan que incide a maior frequência do uso dos termos “enlaces e desenlaces”, se nos fiamos na tradução que se impôs quando nos decidimos por este título para o próximo Encontro Internacional da IF-EPFCL, em Medellín. Liaisons et déliaisons. Dessas inúmeras incidências, inicio com aquelas em que Lacan define os termos, com o Freud de Mais além do princípio do prazer e de Inibição, sintoma e angústia, identificando-os à Bindung, ou seja, a fusão das pulsões, e à Entbindung, desfusão das mesmas pulsões (explicitamente nos Seminários As formações do inconsciente e A transferência). Tal referência, nos leva diretamente para o campo pulsional, um dos quatro pontos cardeais da teoria e da clínica, como Lacan viria a sustentar em seu seminário sobre Os Quatro conceitos fundamentais da psicanálise.

sábado, 18 de abril de 2015

IX Encontro da IF-EPFCL - Medellín / 2016



« ENLACES E DESENLACES SEGUNDO A CLÍNICA PSICANALÍTICA »



IX° Rendez-vous da IF-EPFCL 
14-17 JULHO 2016 
Medellín, Colombia 
APRESENTAÇÃO


A questão dos laços sociais é de ponta naquilo que Jacques Lacan chamou, em 1970, de « campo lacaniano » como campo do gozo, e hoje em dia a encontramos em toda parte já que esse campo está em toda parte. Os laços que unem o casal, a família ou o mundo do trabalho se tornaram tão precários que a questão sobre o que os desfaz está em todas as bocas. Culpa do capitalismo, diz-se, ou da ciência que o condiciona.

No entanto,