“Dizer tem a ver com o tempo. A ausência de tempo, é algo que se sonha, é o que se chama eternidade, e esse sonho consiste em imaginar que alguém acorda”(Lacan 15/11/77)
Levando em conta os avanços da tecnologia, poderia parecer que a fragilidade dos laços humanos estaria afetada pela problemática do tempo. O imediatismo das ofertas do mercado oferece com rapidez imagens sem substância projetadas onde se queira, com a proposta do todos iguais em seu gozo e ao mesmo tempo. A distinção entre o corpo singular e a imagem se desconstrói na tela da chamada vídeo-realidade. Em sentido contrário à ética dos discursos, que ordena e limita a relação entre os sujeitos, os efeitos do imediatismo das ofertas se traduzem em uma banalização do tempo, onde sobrevém um objeto a mais a se ter ou se controlar . No lugar da falta – chave do desejo- a profusão dos objetos mais de gozar deixa o sujeito na insatisfação, na posse de um saber generalizável onde abundaria o que se veio a denominar a transparência do evidente. Tal qual a vigilância por um só olhar que tudo vê como no panótipo analisado por Michel Foucault nos anos 1970, estaria agora presente a suposição de um olhar pluridimensional e fragmentado da realidade.






