IV Jornada de Cartéis da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Fórum Fortaleza
Data: 22 de Agosto de 2015, 8:30h
Local: Auditório da Livraria Acadêmica
Rua Costa Barros, 901, Aldeota
Entrada gratuita
Trabalhos dos Cartéis:
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
XVI Encontro Nacional da EPFCL-Brasil / Prelúdio 2
Análise, supervisão e desejo do analista: enlaces e desenlaces.
Lia Silveira
O famoso “tripé” da formação do analista: análise (um), supervisão (dois), estudo teórico (três) talvez seja o ponto pacífico para a maioria das entidades psicanalíticas. Desde a IPA até a Escola lacaniana, todos repetem isso que já virou quase um bordão. No entanto, chama a atenção o quanto a supervisão resta, muitas vezes, esmaecida. Ou, pelo menos no que diz respeito à elaboração desta experiência, não é frequentemente lembrada. No entanto, este dispositivo tem um lugar de fundamental importância, não só para a formação no que diz respeito ao exercício da clínica, mas também (é o que quero desenvolver aqui) pelo que ela pode apontar do desejo do analista.
Comecemos então sacudindo um pouco esse “tripé”.
sábado, 4 de julho de 2015
XVI Encontro da EPFCL-Brasil / Prelúdio 1
O Um e o Dois na vida erótica
Antonio Quinet
A vida sexual dos seres humanos é atravessada pelo inconsciente. O sexual não é natural. O sexo é desnaturalizado por sermos seres de linguagem. O ser humano é um ser-para-o-sexo. Ele é, ao mesmo tempo, falta-a-ser e fala-a-ser. Falta-a-ser porque o ser a ele se furta e a pergunta “quem sou eu?” não cessa de se escrever. E fala-a-ser por ser falante e o sexo estar inscrito em seu corpo libidinal passando pelos desfiladeiros da linguagem que estrutura o Inconsciente. Esse fala-a-ser, nos diz Lacan, é um corpo falante.
O que enlaça homens e mulheres na vida sexual?
domingo, 3 de maio de 2015
IX Encontro Internacional - Prelúdio 1 - Sonia Alberti
Entre Bindung e Entbindung: o fio do discurso.
Sonia Alberti
É nos primeiros Seminários de Lacan que incide a maior frequência do uso dos termos “enlaces e desenlaces”, se nos fiamos na tradução que se impôs quando nos decidimos por este título para o próximo Encontro Internacional da IF-EPFCL, em Medellín. Liaisons et déliaisons. Dessas inúmeras incidências, inicio com aquelas em que Lacan define os termos, com o Freud de Mais além do princípio do prazer e de Inibição, sintoma e angústia, identificando-os à Bindung, ou seja, a fusão das pulsões, e à Entbindung, desfusão das mesmas pulsões (explicitamente nos Seminários As formações do inconsciente e A transferência). Tal referência, nos leva diretamente para o campo pulsional, um dos quatro pontos cardeais da teoria e da clínica, como Lacan viria a sustentar em seu seminário sobre Os Quatro conceitos fundamentais da psicanálise.
sábado, 18 de abril de 2015
IX Encontro da IF-EPFCL - Medellín / 2016
« ENLACES E DESENLACES SEGUNDO A CLÍNICA PSICANALÍTICA »
IX° Rendez-vous da IF-EPFCL
14-17 JULHO 2016
Medellín, Colombia
APRESENTAÇÃO
A questão dos laços sociais é de ponta naquilo que Jacques Lacan chamou, em 1970, de « campo lacaniano » como campo do gozo, e hoje em dia a encontramos em toda parte já que esse campo está em toda parte. Os laços que unem o casal, a família ou o mundo do trabalho se tornaram tão precários que a questão sobre o que os desfaz está em todas as bocas. Culpa do capitalismo, diz-se, ou da ciência que o condiciona.
No entanto,
segunda-feira, 2 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
Março no Fórum
Atividades do mês de março no Campo Lacaniano em Fortaleza
Dia 05 - 20h30m -Mesa de abertura das atividades: Fórum e Escola, interseções
Local: sede do FCL-Fortaleza, rua Leonardo Mota, 1394/103
Apresentação: membros do FCL-Fortaleza
Dia 09 - Início das atividades (ver página Atividades deste blog)
Dia 05 - 20h30m -Mesa de abertura das atividades: Fórum e Escola, interseções
Local: sede do FCL-Fortaleza, rua Leonardo Mota, 1394/103
Apresentação: membros do FCL-Fortaleza
Dia 09 - Início das atividades (ver página Atividades deste blog)
Dia 21 - 14h30m - O saber do psicanalista: uma introdução
Local: Auditório da Torre Del Paseo
Apresentação: Christian Dunker, AME da EPFCL, Fórum SP
Dias 27/28 - Abertura do Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza
Local: Auditório da Torre Del Paseo
Apresentação: Jorge Escobar, AE da EPFCL, Fórum Medellin (Colômbia)
Local: Auditório da Torre Del Paseo
Apresentação: Christian Dunker, AME da EPFCL, Fórum SP
Dias 27/28 - Abertura do Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza
Local: Auditório da Torre Del Paseo
Apresentação: Jorge Escobar, AE da EPFCL, Fórum Medellin (Colômbia)
Informações: 3021-0811 (9h às 13h)
sábado, 28 de fevereiro de 2015
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
XIII Jornada - Programação
PROGRAMAÇÃO DA XIII JORNADA DO FÓRUM DE PSICANÁLISE DOS FÓRUNS DO CAMPO LACANIANO DE FORTALEZA
Dia 05 de Dezembro
Espaço Escola (Atividade Aberta)
15:00 – 16:25 - Mesa 1: A escola e seus dispositivos
Coordenação: Francisco Paiva
Sandra Mara, Andrea Rodrigues, Osvaldo Costa, Elynes Barros Lima e Lia Silveira
16:25 – 16:35 – Intervalo
16:35 – 18:00 - Mesa 2: Cartel A transferência
Coordenação: Lia Silveira
.Transferência: Motor e resistência da análise. (Marcus Eugênio Lima)
.Antes de tudo, “já era” amor. (Gardênia Marques)
.Antes d(A) Transferência. (Sandra Mara Nunes Dourado)
.Cartel Carretel. (Thalita Castelo Branco)
18:00 – 18:30 – Coffe Break
18:30-19:00 – Lançamento do livro “O autismo, o sujeito e a psicanálise: consonâncias”
Luis Achilles Rodrigues Furtado e Camilla Araújo Lopes Vieira (orgs.)
19:30 – 21:00 – Conferência de Abertura
Coordenação: Andrea Rodrigues
Convidada: Zilda Machado - AME da EPFCL, FCL-BH
Do Grande Amor ao Grão de Amor
Dia 6 de Dezembro
8:30 – 10:15 - Mesa 1: Estruturas Clínicas e Divisão subjetiva
Coordenação: Luis Achilles Furtado
.A denúncia e a crença: Alguns apontamentos sobre a feminilidade na histeria e na neurose obsessiva (Ana Ramyres Andrade de Araújo, Camila Araújo Lopes Vieira)
.Implicações do imperativo ser homem na constituição psíquica do sujeitos homossexuais, numa perspectiva do normal e patológico (Erinaldo Gualberto da Silva)
.Da demanda de amor à emergência do desejo no processo de constituição psíquica: pressupostos freudianos (Gabriela Monteiro Simão e Débora Passos de Oliveira)
.O amor-ódio: faces de uma mesma “moeda de troca” na neurose obsessiva? (Ana Ramyres Andrade de Araújo, Luís Achilles Furtado, Filadélfia Carvalho de Sena e Samara Fernandes Paiva do Santos)
10:15 – 10:30 – Intervalo
10:30 – 12:15 - Mesa 2: Transferência
Coordenação: Ercília Souza
.Demanda(s) de análise: de que se trata? (Sandra Mara)
.Amor de Transferência: Uma relação entre a transferência e a fantasia na clínica psicanalítica (Ítala Tavares Rodrigues Souza)
.Sobre o amor e o desejo de saber na transferência (Hilda Rodrigues)
.O amor: da metáfora à suplência, uma torção (Andrea Rodrigues)
12:15 – 14:00 – Intervalo Almoço
14: 15 – 16:00 - Mesa 3: Psicanálise e Literatura
Coordenação: Osvaldo Costa Martins
.Adolescência: Entre o sonho e o despertar (Elynes Barros Lima)
.Psicanálise e Literatura: O que o conto “O afogado mais bonito do mundo” pode dizer do analista? (Marcus Eugênio Lima)
.Margueritte Duras e o Fracasso do Amor (Raissa Dantas)
.Amar e Padecer: As tessituras do encontro amoroso (Ercília Souza)
16:00 – 16:15 - Intervalo
16:15 – 17:30 - Mesa 4: Drogas, Sexos e outras melodias.
Coordenação: Sandra Mara
.LOUCA DIVISÃO: alguma coisa sobre o Brain Damage (Luís Achilles Rodrigues Furtado)
.Drogas, sexos e amuros (Francisco Paiva)
.Os Labirintos da falta (Lia Silveira)
17:30 - Encerramento
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
XV Encontro Nacional da EPFCL - Prelúdios 5 e 6
Prelúdio 5 - Amor, sublimação do desejo
Alba Abreu
Não haveria o amor se não houvesse cultura. Lacan afirma que o “amor está feito da idealização do desejo” e “o desejo é coisa mercantil”[18]; isso equivale dizer que, inventado pelo mercado, o que chamamos amor era até então desconhecido pela Antiguidade pagã, para a Idade Média e o Oriente, embora os cruzados tenham tentado implantar essa necessidade amorosa - dita cristã. Sabemos que o amor como conhecemos e difundimos na literatura foi uma criação dos trovadores provençais como já apreciei anteriormente[19].
O desejo intervém no amor e é seu pivô essencial: “no caminho de meu desejo, o Outro quer minha angústia” e, portanto, já que o desejo não diz respeito ao objeto amado, Lacan assegura nesse seminário que “o amor é a sublimação do desejo” no sentido em que colocar-se em posição de desejante é também assentar-se na posição de falta e buscar a completude. Consequentemente, afiança que “o amor (sublimação) é o que permite ao gozo condescender ao desejo” certamente porque se trata de um modo de esconder o que causa o desejo, evitando a angústia.
Dois filmes retratam a tese lacaniana sobre o amor, embora de modos distintos:
AMOR: sobre o casal Anne e George, cúmplices, delicados, desfrutando a vida e o amor mútuo, lentamente o espectador é convidado a descortinar o Thanatos de seu complemento Eros. Anne e George que não se enxergam separados, a partir da estranheza da doença, a angústia assola e o casal se isola do mundo num êxtase de dor e sussurros ainda ditos como que para preservar o espaço do psíquico.
O AMOR É UM CRIME PERFEITO: numa atmosfera fria e futurista encontramos o equilíbrio perfeito entre um cenário espetacular e a estranheza perversa do seu protagonista. Jogos sedução e dominação que angustiam o espectador, que numa trama bem urdida, apesar de causar um sentimento de ambiente acolhedor aproxima-se gradualmente da bestialidade e da loucura. O filme aborda, sem escrúpulos, temas rejeitados e varridos para baixo do tapete da violência intrafamiliar. A história de amor inesperado que se desenvolve gradualmente entreAmalric e Maïwenn é incrivelmente hipnotizante, porque, como quase toda a história de amor está fadada ao fracasso.
O que o Outro quer de mim? O desejo do Outro é esse nome que Lacan usa para o excesso econômico – aonde o Unheimlich vem representar o fenômeno da angústia (estranho familiar, diria Freud). Isso que o analista aprende nos livros, nas leituras e nos filmes denota esse lugar de desassossego da posição analítica e por isso mesmo fazemos encontros para cada vez mais nos aproximarmos da condição humana e perceber o sentido de nossa prática.
Prelúdio 6 - A intrusão da diferença
Luis Izcovitch
Será que a psicanálise pode nos dizer algo de novo sobre o amor e o sexo que não seja apenas dar-lhe a forma de um conceito? A reposta é sim, mas é preciso justificá-la.
Há certamente o que a teoria analítica nos ensina sobre o inconsciente e, portanto, sobre as relações do sujeito com o amor e o sexo. Uma tese pode ser depreendida, ela é constante de Freud a Lacan e poderia ser resumida assim: o inconsciente, isso nos impulsiona para o mesmo. Do ponto de vista histórico, houve diferentes formas: a philia na Grécia, o amor cortês como obstáculo regrado no que tange ao impossível da relação sexual, até mesmo a ideia de Freud do amor sexual como a base da nosso civilização. Lacan chega a forjar uma ética, a do Horsexe , Extrassexo, isto é, quando l’âme âme l’âme, a alma almeja a alma. Em outros termos, amamos no outro o que é semelhante à nossa alma, ou seja, nós mesmos.
O mesmo acontece com o sexo: a foraclusão da diferença sexual no inconsciente impulsiona o sujeito para o encontro do mesmo. Quer ele seja homo ou hetero, não há diferença quanto a isso. Pois é bem possível estar no registro hetero e recusar a alteridade no gozo. Do mesmo modo, como Lacan o formulava, pode-se ser uma mulher e estar “âmoureuse”, almorosa, o que ele escrevia com acento circunflexo sobre o a, para mostrar que ela ama a alma do outro, o que a torna hommosexuelle[20], humanossexual. É o empuxo-ao-homem na histeria, o que significa que ela ama, mas, rejeitando a diferença sexual, ela faz objeção ao ser Outro do homem.
Então, se afirmamos que a psicanálise pode dizer algo de novo, é no sentido em que uma experiência de análise não se limita a constatar a relação do sujeito com o inconsciente, mas visa a uma mudança. É certo que se opera uma mudança como efeito da radicalização da falta. Se o amor é dar o que não se tem, mais ela o coloca na posição de amar, portanto, na de induzir um novo nó entre o amor e o sexo.
Contudo, mais fundamentalmente ainda, é preciso explorar uma das teses conclusivas do seminário Encore, (Mais, ainda). Lacan se refere ao reconhecimento entre dois seres, portanto, ao modo como dois seres se escolhem: “Esse reconhecimento não é outra cosia senão a maneira pela qual a relação dita sexual – tornada aí relação de sujeito a sujeito, sujeito no que ele é apenas efeito do saber inconsciente – para de não se escrever.”[21] Com efeito, se Lacan se serve do verbo devenir (tornar-se, vir a ser), é para mostrar que entre a constatação da relação sexual como impossível e o que “cessa de não”, ou seja, a contingência, há uma travessia. A travessia não é apenas a constatação, é aquilo que abre para uma relação “do ser com o ser”, ou seja, uma relação que implica a alteridade do outro.
É este o efeito de uma experiência, a de uma análise, única experiência capaz de produzir a passagem do mesmo à diferença. Eis o que há de inédito no fim, inédito no nível dos afetos e que não supõe necessariamente um novo parceiro.
Neste sentido, uma análise é uma experiência cuja mola é o amor, mas com uma finalidade precisa: retirar o sujeito do mesmo. Façamos os votos de que as Jornadas de Campo Grande no Brasil possam contribuir para demonstrar o que pode mudar para um sujeito, quando ele coloca o amor e o sexo no em-jogo da transferência.
Tradução: Vera Pollo
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