domingo, 22 de novembro de 2015

IX Encontro Internacional - Prelúdio 5



O que é que desfaz os laços?

Diego Mautino

1. Preliminar

O Próximo Encontro nos convoca a partir do título “Laços e desenlaces segundo a clínica psicanalítica”.[1] Em italiano, propusemos “Legami e slegature…” para expressar o interesse destes dois termos, que abrem para o que está enlaçado ou não das três dimensões R, S e I. Isso permite introduzir, ao mesmo tempo, no Campo lacaniano, quer a problemática do enodar e do desenodar-se borromeano, quer a problemática dos laços humanos. Se tivéssemos eleito como título “enodamentos e desenodamentos”, poderia ter sido muito limitador no que diz respeito ao nó borromeano, com o risco de fazermos esquecer os nós do amor. “Enlaces” designa prioritariamente os vínculos de amor, mas também conserva um sentido mais geral; traduzimos “desenlaces” por slegature, pouco usado, mas bem compreensível, e tem a vantagem de ser uma palavra que já existe em italiano, diferente, por exemplo, de slegàmi, que não existe. Além disso, o uso pouco frequente deixa aberto o que se trata de enlaçar ou desenlaçar, permitindo incluir o enodar e desenodar nós, ou os laços sociais. Se tivéssemos escolhido “Enlaces e desenlaces na clínica psicanalítica”, nos teríamos limitado ao tema dos dramas e do desenlace [dénouement] da transferência nas análises; “segundo a clínica psicanalítica”, entretanto, amplia o tema, permitindo considerar não apenas o que se passa no interior das curas analíticas.

IX Encontro Internacional - Prelúdio 4



Proletários do mundo

Dominique Fingermann


“Proletários do mundo, uni-vos”, desejava um certo discurso, num tempo antigo, que de fato foi o nosso, e do qual Lacan dizia: “eles querem um maître [mestre]” (m’être).

Os proletários de nosso tempo desencantaram e não entoam mais em coro o poema de Paul Fort: “Se todos os homens do mundo quisessem se dar as mãos…”.[1]

Eles correm para cá e para lá, se cruzam, se ultrapassam, giram uns ao redor dos outros, dão três voltinhas e depois vão embora. Isso lembra a surpreendente peça silenciosa de Peter Handke, “A hora em que não sabíamos nada um do outro”,[2] no decorrer da qual, sem dizer uma palavra sequer, durante menos de uma hora de idas e vindas, mais de 300 “indivíduos” atravessam um praça, perambulam, acotovelam-se, tropeçam uns nos outros, se cruzam e cruzam de novo, sem nunca se encontrar.

IX Encontro Internacional - Prelúdio 3



Na textura do tempo

Ana Canedo


“Dizer tem a ver com o tempo. A ausência de tempo, é algo que se sonha, é o que se chama eternidade, e esse sonho consiste em imaginar que alguém acorda”(Lacan 15/11/77)

Levando em conta os avanços da tecnologia, poderia parecer que a fragilidade dos laços humanos estaria afetada pela problemática do tempo. O imediatismo das ofertas do mercado oferece com rapidez imagens sem substância projetadas onde se queira, com a proposta do todos iguais em seu gozo e ao mesmo tempo. A distinção entre o corpo singular e a imagem se desconstrói na tela da chamada vídeo-realidade. Em sentido contrário à ética dos discursos, que ordena e limita a relação entre os sujeitos, os efeitos do imediatismo das ofertas se traduzem em uma banalização do tempo, onde sobrevém um objeto a mais a se ter ou se controlar . No lugar da falta – chave do desejo- a profusão dos objetos mais de gozar deixa o sujeito na insatisfação, na posse de um saber generalizável onde abundaria o que se veio a denominar a transparência do evidente. Tal qual a vigilância por um só olhar que tudo vê como no panótipo analisado por Michel Foucault nos anos 1970, estaria agora presente a suposição de um olhar pluridimensional e fragmentado da realidade.

IX Encontro Internacional - Prelúdio 2



Prelúdio 2 

Mario Binasco


J. Lacan, em 1967, escreveu esta frase bastante enigmática que sempre me abalou: “Quando a psicanálise houver deposto rendido as armas diante dos impasses crescentes de nossa civilização (mal-estar que Freud pressentia) é que serão retomadas – por quem? – as indicações de meus Escritos. ”

Enigmática e surpreendente porque se exprime no indicativo (apesar de estar no futuro do subjuntivo) e não na eventualidade hipotética do subjuntivo; então afirma a existência de impasses e, além disso, crescentes, na civilização, capazes de depor as armas à psicanálise (lembro-me aqui que Lacan chamou sua Escola de “uma base de operações sobre o mal-estar da civilização”) ; e, ainda porque Lacan, paradoxalmente, parece dizer que somente após essa rendição “quem?” – isto é um sujeito por vir, ainda não determinado e, de qualquer modo, não qualificado como um analista – poderá “retomar” as indicações de seus Escritos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Prorrogado o prazo para envio de resumos!





Para se inscrever na Jornada, basta fazer assim: deposita o valor correspondente na conta abaixo e manda o comprovante em anexo pro e-mail fcl.fortaleza@gmail.com ou procura a Milena durante a semana, das 9h às 13h, na Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103, para realizar o pagamento em mãos. Seguem os dados da conta: Banco do Brasil, agência 1369-2, conta 29114-5, CNPJ 06572994/0001-05 

Investimento: até 15/11 são 80 reais para estudantes e 160 para profissionais, e, depois disso, passa a ser 90/180. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Convite: Jornada de Cartéis

IV Jornada de Cartéis da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Fórum Fortaleza

Data: 22 de Agosto de 2015, 8:30h
Local: Auditório da Livraria Acadêmica
Rua Costa Barros, 901, Aldeota
Entrada gratuita
Trabalhos dos Cartéis:

domingo, 2 de agosto de 2015

XVI Encontro Nacional da EPFCL-Brasil / Prelúdio 2



Análise, supervisão e desejo do analista: enlaces e desenlaces.


Lia Silveira


O famoso “tripé” da formação do analista: análise (um), supervisão (dois), estudo teórico (três) talvez seja o ponto pacífico para a maioria das entidades psicanalíticas. Desde a IPA até a Escola lacaniana, todos repetem isso que já virou quase um bordão. No entanto, chama a atenção o quanto a supervisão resta, muitas vezes, esmaecida. Ou, pelo menos no que diz respeito à elaboração desta experiência, não é frequentemente lembrada. No entanto, este dispositivo tem um lugar de fundamental importância, não só para a formação no que diz respeito ao exercício da clínica, mas também (é o que quero desenvolver aqui) pelo que ela pode apontar do desejo do analista.

Comecemos então sacudindo um pouco esse “tripé”.

sábado, 4 de julho de 2015

XVI Encontro da EPFCL-Brasil / Prelúdio 1




O Um e o Dois na vida erótica 

Antonio Quinet 

A vida sexual dos seres humanos é atravessada pelo inconsciente. O sexual não é natural. O sexo é desnaturalizado por sermos seres de linguagem. O ser humano é um ser-para-o-sexo. Ele é, ao mesmo tempo, falta-a-ser e fala-a-ser. Falta-a-ser porque o ser a ele se furta e a pergunta “quem sou eu?” não cessa de se escrever. E fala-a-ser por ser falante e o sexo estar inscrito em seu corpo libidinal passando pelos desfiladeiros da linguagem que estrutura o Inconsciente. Esse fala-a-ser, nos diz Lacan, é um corpo falante. 

O que enlaça homens e mulheres na vida sexual?