quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Espaço Escola - O Cartel



Essa atividade se constitui como um Espaço para discussões pertinentes à Escola de Psicanálise do Campo Lacaniano (EPFCL) e ocorre sempre na última quinta-feira do mês, às 20h30m, com entrada livre a todos aqueles que se interessam em conhecer nossa Escola, seus princípios e funcionamento.Na próxima quinta ocorrerá o último Espaço Escola do ano, e será um encontro dedicado a discutir o cartel. Como provocação para os debates, seguem abaixo textos de colegas do Fórum Fortaleza apresentado na II Jornada de Cartéis do FCL-Fortaleza, ocorrida na sexta-feira passada.Coordenação: Andrea RodriguesData: 28.11.13Horário: 20h30Atividade gratuita aberta ao público




Cartel, lugar insone1
Osvaldo Costa Martins2
O Cartel, objeto desta comunicação, é um modo singular de estudo proposto por Jacques Lacan
como via de excelência para elaboração teórica no âmbito de sua Escola. Por que Escola, e não
Sociedade, Associação? Porque Lacan quis enfatizar uma forma de instituição que não fosse
calcado em hierarquias ou currículos (ROUDINESCO, 2000) nem inspirada em modelos oriundos
do meio universitário ou científico.
É o próprio Lacan, no prefácio ao anuário da EFP de 1971, que explica o uso do termo:
O termo Escola vem agora a nosso exame. Deve ser tomado no sentido que nos tempos
antigos queria dizer certos lugares de refúgio, e até bases de operação contra o que já podia
chamar-se de mal-estar na civilização.
Os tempos antigos a que se refere sugerem aqueles quando Platão atuava em sua Academia. Não
nos esqueçamos de que Lacan, entre 1953 e 1963, manteve um Seminário onde congregava
inúmeros psicanalistas franceses e, três anos antes de fundar a Escola Freudiana de Paris, dedicouse
a comentar O Banquete, de Platão, durante o qual atribuiu a Sócrates o lugar do psicanalista. Para
Roudinesco,
Lacan reinventou o diálogo platônico empregado por Freud, de 1902 a 1907, no seio da
Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras. Contudo, a partir de 1964, forçado a deixar a
IPA, ele fundou uma nova forma de instituição psicanalítica. Ao banquete socrático
sucedeu-se a academia platônica: a escola (2000, p.164)
Em 1964, quando Jacques Lacan anunciou a fundação da Escola Freudiana de Paris,
propôs, no mesmo ato, o CARTEL como dispositivo de sua Escola. Destacamos que o lugar do
Cartel na Escola de Lacan não é um qualquer, mas, conforme sua própria qualificação, um lugar de
base, logo, de sustentação da Escola.
Etimologicamente, a palavra cartel remete à cardo/carda, que significa “dobradiça”3 e
também dava nome às Cardas, deusas romanas das portas e umbrais. O termo aparece ainda no
adjetivo cardeal que qualifica as quatro principais virtudes humanas na doutrina católica, isto é, as
virtudes cardeais. Notemos que o termo conota as ideias de báscula, articulação ou eixo. Observa-se
isso no nome das deusas Cardas, aludindo àquelas que protegiam a entrada dos templos e portas das
moradias romanas mais ricas; também em virtudes cardeais, ou seja, as virtudes às quais se
1 Produto resultante do Cartel Psicanálise e Escrita, inscrito na Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo
Lacaniano/Brasil
2 Psicanalista, Membro do Fórum do Campo Lacaniano de Fortaleza
3 A referência ao termo dobradiça é do próprio Jacques Lacan, no prefácio ao anuário da EFP em 1971 e em A
Função dos Cartéis (1975, p.67)
articulam as demais virtudes humanas de acordo com o catolicismo e, por fim, é assim na noção de
Cartel, dispositivo sobre cujo eixo giram os princípios de estudo e formação na Escola de Lacan.
Alguns autores (ROUDINESCO) sugerem uma longínqua inspiração de Lacan para
certa características do cartel: a experiência de Bion e Rickmann com trabalhos em grupo no
exército inglês. O contexto histórico era o final da 2ª Guerra Mundial. Lacan visitara Londres em
1945, ficara admirado com o trabalho dos dois psiquiatras, relatando tal experiência no texto A
psiquiatria inglesa e a guerra, publicado em 1947.
Os Grupos propostos por Bion eram marcados justamente por um esvaziamento da
função do líder, tomada no sentido que Freud apontara em Psicologia das Massas e Análise do Eu.
Isso parece ter merecido especial atenção de Lacan. Diz ele: “Toda vez que se recorria [algum
membro do grupo] a sua intervenção, Bion, com a paciência firme do psicanalista, devolvia a bola
aos interessados: nada de punição...”(1947/2003, p.115). Em outro ponto do texto, Lacan descreve
as “regras” do grupo de Bíon:
Eis, portanto, o regulamento que ele promulgava numa reunião inaugural com todos os
homens: seria formado um certo número de grupos, cada um dos quais se definiria por um
objeto de ocupação, mas eles ficariam inteiramente entregues à iniciativa dos homens, isto
é, cada um se agregaria ao grupo a seu critério, como também poderia promover um novo
grupo conforme suas ideias, com a única limitação de que o próprio objetivo fosse novo, ou
seja, não se criasse o duplo emprego com o de outro grupo. Ficou entendido que era
permitido a todos, a qualquer momento, retornar para o alojamento (…) sem que para isso
lhe coubesse outra obrigação senão a de declará-lo à supervisora (LACAN, 1947/2003,
p.114.
Será que poderíamos entrever no cartel, conforme proposto por Lacan em 1964, alguns
traços atávicos do grupo sem chefe, ou sem líder, de Bíon? Para Delma Gonçalves (2003,p72), “no
cartel, como nos grupos de Bíon, forma-se um grupo sem chefe, para que se subtraia essa armadilha
narcísica, ligada à essência radicalmente simbólica desse significante, que é assinalar a falta”.
Deixo aqui essa breve indicação como um vestígio para quem mais se interessar em
retomá-lo depois, na trilha do método de “investigiação”, isto é, de investigação adotado por S.
Freud, Conan Doyle e Carlo Ginzburg. Retomemos a vereda inicial.
Por ocasião de fundação da Escola, Jacques Lacan descreveu o Cartel assim:
Aqueles que vierem a esta Escola se comprometerão a realizar uma tarefa submetida a um
controle interno e externo (…) Para a execução desse trabalho adotaremos o princípio de
uma elaboração baseada num pequeno grupo; cada um deles ( e temos um nome para
designar esses grupos) será composto por três pessoas, no mínimo, e por cinco no máximoquatro
é a medida certa. MAIS UMA, encarregada da seleção, da discussão e do destino
reservado ao trabalho de cada um. Após certo tempo de funcionamento, se proporá aos
elementos de um grupo sua permutação para outro.
Vemos aí, desde a proposta inicial, todos os elementos que atravessarão os 16 anos
seguintes da elaboração teórica de Lacan concernente ao cartel: um pequeno grupo, delimitado entre
o mínimo de três e o máximo de cinco pessoas MAIS UMA, que é submetido a um corte necessário
efetivado pelo Tempo. Em 1980, é essencialmente a mesma ideia que se lê no escrito intitulado
D’Ecolage, publicado no mês de Março na Revista Ornicar?:
Dou partida à Causa Freudiana – e restauro em seu favor o órgão de base retomado da
fundação da Escola- ou seja, o cartel- do qual, feita a experiência, aprimoro a formalização.
Em primeiro lugar - Quatro se escolhem para levarem a cabo um trabalho que deve ter seu
produto. Preciso: produto próprio a cada um, e não coletivo;
Em segundo lugar - A conjunção dos quatro se faz ao redor de um Mais-Um, que, sendo
qualquer um, deve ser alguém. Será encarregado de velar pelos efeitos internos do
empreendimento e de provocar sua elaboração.
Em terceiro lugar - Para prevenir o efeito de cola, deve ser feita uma permutação no prazo
estabelecido de um ano, no máximo dois.
Em quarto lugar – Não se espera outro progresso senão o de uma periódica (e pública, a céu
aberto) exposição dos resultados assim como das crises do trabalho.
Em quinto lugar - O sorteio assegurará a renovação regular dos limites demarcados (das
referências criadas) com o fim de vetorializar o conjunto.
O Cartel distingue-se, portanto, por ser a) um pequeno grupo, marcado pela ausência de
mestre b) constituído de 3 a 5 pessoas mais uma; c) reunidas para trabalhar um tema por, no
máximo, dois anos. Para Zilda Machado: “O cartel tem como característica primordial ser diferente
de um Seminário, centrado em torno de um mestre, e de um grupo de estudos, centrado em torno de
um coordenador” (2004, p. 92).
Para constituir um cartel, 3,4 ou 5 pessoas se escolhem a partir de um tema proposto,
designam alguém para funcionar como o MAIS-UM e iniciam um trabalho de pesquisa e elaboração
que, ao final, deve culminar na produção de escritos individuais a serem publicamente apresentados.
Indagado sobre se o MAIS UM deve ser sorteado, Lacan é direto: “não, os quatro se associam e o
escolhem” (1980b, p.55).
Conforme Godino Cabas (1994), “ O signo 'mais' que integra o nome desta função não
identifica a operação da adição, quatro mais um não fazem um grupo de cinco mas um conjunto de
quatro mais um (…) O resultados é que o “mais” não é um signo algebraico; é um significante que
denota separação. A fórmula deve ser lida ao pé da letra: quatro separados um por um”
Se Lacan distingue, dentre os membros do cartel, um por um termo específico, o MAIS
Um, é também para evidenciar que sobre este recai uma função distinta. A pessoa que estará nessa
função deve ser expressamente designada pois ainda que a função possa ser ocupada por qualquer
um, deve ser por alguém. O mais-um
tem como função justamente a de, ao ser designada para esse papel, não ocupar a posição
esperada do líder e da suposição do saber. E isso para fazer com que cada componente do
cartel realize um trabalho pessoal e não se deite no conforto de fazer o que o mestre mandar
e de aprender o que o mestre ensinar. O mais-um, é aquele que aponta para o furo da função
do líder para fazer o saber circular, fazendo de cada um, um mestre (QUINET, 2004, p.)
Temos, então, que o mais um não é uma pessoa escolhida para “ensinar conteúdos” ou
lecionar para os demais, “toda chefia, no sentido de atitude professoral de um dos elementos de um
cartel, é abandonada de saída” (MARTIN, 1975, p.66). Não importa tanto o percurso de sua
formação, mas a possibilidade de trabalhar para velar pelo lugar vazio de mestre. Sua função é,
principalmente, a de colaborar para evitar ou minimizar os efeitos nocivos das identificações
grupais. Opera, pois, como aquele que subtrai para fazer circular uma economia.
Nas palavras de Zilda Machado, o papel do +1 “será descompletar o grupo para
conseguir o que é seu objetivo, o ponto crucial: causar a elaboração dos sujeitos, provocar a
elaboração de um trabalho escrito, individual, que deverá ser dirigido à comunidade e apresentado a
'céu aberto'” (2004, p.93). Além disso, como sempre sustentou Lacan, o MAIS UM é encarregado
da seleção, da discussão e do destino reservado ao trabalho de cada um.
Há relevância também na dimensão temporal implicada no Cartel. Por isso, foi
estabelecido o mínimo de um ano e o máximo de dois para a conclusão dos trabalhos e a dissolução
dos cartéis. Tão importante quanto a estipulação do prazo é saber que ele existe e é contado em
favor dos trabalhos a serem realizados. “O tempo é a medida das coisas que passam”. Dito em
termos psicanalíticos, o tempo e suas relações com a finitude correm a favor da castração e impelem
o sujeito ao trabalho de elaboração. No cartel, o tempo “insere um ponto de 'basta': não temos o
tempo todo do mundo; se o gastamos na procrastinação ou na afobação, ele é corroído pela morte
(…) Há, portanto, a incidência da função da pressa no cartel e, como efeito, uma precipitação do
momento de concluir, cujo resultado é um trabalho que traz a marca do sujeito” (MACHADO,
2004, pp. 93-94).
Trabalhar em um cartel não é experiência de conforto. Sua estrutura, se alcançado o
bom funcionamento, convoca o participante não à exibição, mas à exposição: de suas ignorância e
questões, dos impasses, e também de um saber que deve suportar sempre um insabido. Num Cartel,
diz Dominique Fingermann, cada um “ é convidado a fazer a experiência de um novo laço com o
outro: precisa contar com o outro sem depender dele. Precisa se fazer ouvir e conseguir ouvir o que
o outro tem a dizer” (2008, p.35).
De fato, não se passa incólume pela experiência de um Cartel, assim como por uma
análise. Certa vez uma analisante disse à analista: “ ‘É necessário que eu me inscreva num cartel,
mas é mais doce continuar a sonhar minha vida”. E a analista acrescentou : “ é doce o duro desejo
de dormir” (MENARD, 1975,p. 77).
CABAS, Antônio Godino (1994). Do Mais-um. O Cartel: conceito e funcionamento na Escola de
Lacan. Stella Jimenez (org.), Rio de Janeiro, Campus, 1994.
FINGERMANN, Dominique (2008). O Cartel funciona? Apoena. Campo Grande, n.1, 2008.
LACAN, Jacques. (1947) A psiquiatria inglesa e a guerra. Outros Escritos. Rio de Janeiro, Jorge
Zahar, 2003.
LACAN, Jacques. (1964a) Ata de Fundação da Escola Freudiana de Paris. Letra Freudiana. Rio de
Janeiro, n.0,s/d.
LACAN, Jacques. (1964b) Nota Anexa à Ata de Fundação . Letra Freudiana. Rio de Janeiro,
n.0,s/d.
LACAN, Jacques. (1980a) D’écolage. Letra Freudiana. Rio de Janeiro, n.0,s/d.
LACAN, Jacques. (1980b) Senhor A. Letra Freudiana. Rio de Janeiro, n.0,s/d.
MARTIN, Pierre. (1975/1980) A Função dos Cartéis. Letra Freudiana. Rio de Janeiro, n.0,s/d.
MENARD, Hugette. (1975/1980) A Função dos Cartéis. Letra Freudiana. Rio de Janeiro, n.0,s/d.

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A provocação do Mais-um
Elynes Barros Lima

Deparei-me recentemente com o texto de Lacan chamado D’Écolage. De pronto o neologismo do título chamou-me atenção. Corri os olhos na nota de roda-pé do texto e descobri que ele faz alusão a alguns termos como “descolarização”, que remete à Escola, “descolagem”, que remete à noção de cola, e “decolagem”, que remete a “sair voando”. Este texto corresponde a 3ª aula do Seminário 27, que se chama Dissolução. Assim, todos esses termos que decorrem do neologismo D’Écolage, estão, em suma, relacionados à Dissolução. Nesse momento Lacan está dissolvendo sua escola a EFP (Escola Freudiana de Paris) e fundando a Causa Freudiana, que ele chama de campo e não de escola, e não é sem propósito que todos esses termos estejam aí colocados. Retomarei essa discussão mais adiante, por hora, gostaria de enfatizar outra coisa que me chamou atenção e tornou-se o motivo da escrita desse trabalho.
Fazendo parte de um cartel peculiarmente constituído, pois seus participantes estão distantes geograficamente, encontrando-se quinzenalmente via skype, ocorreu-me investigar se a função do Mais-Um e a condução do trabalho no cartel sofreria algum efeito dessa distância ou pelo uso dessa ferramenta.
  O tema proposto por este cartel do qual sou Mais-Um, “O Amor e suas fronteiras” levou-me a refletir sobre os laços transferenciais e pensar com Freud: o que liga? Em seu texto Psicologia das massas e análise do eu, Freud vai dizer que as relações amorosas constituem-se a essência da mente grupal. Ele diz: “...um grupo é claramente mantido unido por um poder de alguma espécie; e a que poder poderia essa façanha ser mais bem atribuída do que a Eros, que mantém unido tudo o que existe no mundo?” (p. 117)
Mas Freud ainda se pergunta nesse texto, de que natureza seriam os laços existentes entre os membros de um grupo? (p. 131) Parte então da análise do mecanismo de identificação, que é a forma mais primitiva e original de laço emocional, e enumera três tipos de identificação: identificação ao pai, identificação ao sintoma e identificação histérica, para concluir que: “o laço mútuo existente entre os membros de um grupo é da natureza de uma identificação desse tipo (identificação histérica) baseada numa importante qualidade emocional comum, e podemos suspeitar que essa qualidade comum reside na natureza do laço com o líder”. Freud conclui que a ligação existente entre os indivíduos de um grupo consiste no fato deles colocarem, um só e mesmo objeto, no lugar de seu ideal do eu e se identificarem uns com os outros em seu eu.
Assim, entre os fenômenos que manteriam unidos os membros de um grupo e esses ao seu líder, Freud aponta o “amor igual”, que pode ser encontrado principalmente em dois grupos, no exército e na igreja, cuja perda do líder pode levar seus membros à situação de pânico. O medo, segundo Freud, irromperia pela quebra dos laços emocionais, e esse processo estaria na origem do medo neurótico e na ansiedade.
Para amenizar os efeitos dos fenômenos de grupo, próprio a todo ajuntamento humano, Lacan institui na Ata de fundação de sua Escola, o cartel.  Que tipo de ligação Lacan propõe ao instituir o cartel? Retomando o texto da Ata de fundação (p. 235), lemos: “Para execução do trabalho, adotaremos o princípio de uma elaboração apoiada num pequeno grupo.” Depreende-se daí que a ligação entre os membros desse grupo pequeno está apoiada na execução de um trabalho; seus membros estarão ligados por uma transferência de trabalho. Aqui podemos salientar a contribuição de Lacan ao conceito de transferência, como amor que tem todas as características do amor comum, mas é amor que se dirige ao saber.
Lacan institui o cartel como a base do funcionamento de sua Escola, sendo que a adesão a ela será feita mediante a participação em um pequeno grupo de trabalho. Esse pequeno grupo, segundo ele, será formado de no mínimo 3 pessoas e no máximo cinco, sendo 4 a justa medida, e também MAIS-UM, encarregado da seleção, da discussão e do destino a ser reservado ao trabalho de cada um. Em 1980, depois de alguns anos de trabalho nesses grupos, Lacan acrescenta justamente nesse texto D’Écolage, o qual citei no início, algumas modificações na função do MAIS-UM, dizendo que mesmo sendo uma função que pode ser exercida por qualquer um, deve ser alguém e que o mesmo “seria encarregado de velar pelos efeitos internos do empreendimento e PROVOCAR a elaboração”.
A partir desse segundo momento, em 1980, a função do Mais-Um passa de um administrador, para um provocador. Que provocação seria essa?
Antes de avançarmos nessa e em outras questões, recorramos ao dicionário (Houaiss). Nele encontramos algumas concepções para a palavra provocar:
1. forçar (alguém) a responder a um desafio; desafiar
2. dizer desaforos a; insultar
3. impelir, incitar, instigar
4. ser a causa de; causar, ocasionar
5. fazer perder a calma; irritar, perturbar
6. estimular o desejo sexual de;
7. pro-vocar =  voz – vocalizar = fazer falar, instigar à fala.

            Provocar, como vemos, pode ter várias conotações, desde irritar, brigar até estimular o desejo sexual, passando por causar, instigar. Uma dessas concepções pareceu-me precisa para o debate sobre a função do Mais-um: “forçar alguém a responder um desafio”. Observamos que essa provocação parece responsável por ligar os membros de um cartel na medida em que mantém o trabalho em andamento, só que essa ligação não é da ordem da identificação, mas de um enodamento.
            No Seminário RSI, Lacan vai dizer que todos desejam a identificação com o grupo e que isso é compreensível, porém devem estar advertidos de saída que o nó só se constitui na não relação sexual como buraco. Retoma a fórmula do cartel e faz uma analogia ao nó borromeano: “Não dois, pelo menos três, e o que quero dizer é que se vocês só forem três, isso já faz quatro. A mais-uma estará aí mesmo que sejam só três, (...) Mesmo que sejam só três, isso faz quatro, donde minha expressão mais-uma.” A identificação possível para Lacan se dará ao coração do nó, ao seu centro, onde se situa também o desejo, o objeto a, causa de desejo. Essa identificação é semelhante àquela proposta por Freud como identificação histérica, diz Lacan.
Qual seria a diferença então, entre Freud e Lacan? O nó. Não se trata de um laço, de uma ligação, mas de um nó, que pressupõe de saída, um furo. No lugar da identificação ao líder, às suas ideias fascinantes, no cartel, há uma subversão: cada um é provocado a dar algo de si: “...terá liberdade para demonstrar o que faz com o saber que a experiência decanta”.
É por isso que mesmo na dissolução de sua Escola Lacan pai severo, persevera (père séverè) e mantém o cartel convocando o Mais-Um a uma provocação. Em que medida, então, essa provocação do Mais-Um poderia instituir um laço possível de trabalho, sempre inédito e descolado, e que faria avançar a transmissão da psicanálise? Só a experiência dirá, como apontou para Lacan o que ía mal em sua Es-cola, e o fez apostar no cartel aprimorando sua formalização, não sem indicar-nos um caminho: a exposição periódica dos resultados e das crises de trabalho. Retomo aqui a questão levantada no início desse trabalho sobre sua peculiaridade no uso da internet como ferramenta, seria essa forma de trabalho um impedimento para o funcionamento do cartel, como proposto por Lacan? 
O que impedem os avanços são os desvios, dizia Lacan no seu texto Dissolução, que está em: Outros Escritos (p. 320); desvios e concessões que fizeram os laços grupais falarem mais alto do que o discurso, por isso ele propõe uma descolarização; quem sabe, des-colando do sentido, o inédito, o novo possa advir? Lacan apostava que descolarizando, os que ele abandonava poderiam então mostrar o que sabiam fazer – uma provocação? Ele responde: “uma chance de voltar a partir” (Meu Ensino p.), decolando.  



BIBLIOGRAFIA

J. Lacan, D’Écolage (1980), Revista da Letra Freudiana: Escola, Psicanálise e Transmissão, Documentos para uma Escola, ano I, n.0, Rio de Janeiro, s/d.

S. Freud. Psicologia dos grupos e análise do eu (1921), in: Obras completas da ESB, vol 18.

J. Lacan. Ato de Fundação, In: Outros Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003.

Dicionário Houiss

J. Lacan. Seminário XXII: RSI

J. Lacan. Dissolução, in: Outros Escritos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003.

J. Lacan. Meu Ensino. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed.,
                        



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Programa - XII Jornada do Campo Lacaniano em Fortaleza







XII JORNADA DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA

II JORNADA DE CARTÉIS DO FÓRUM DO CAMPO LACANIANO DE FORTALEZA
22 e 23 de Novembro de 2013

PROGRAMA

                                                                                       


Jornada de Cartéis

(22/11/13) - Sexta-feira - tarde

13:30 – Recepção dos participantes e entrega de material

14:00 às 15:30 – Mesa 01: Cartel As Psicoses
-    Transferência no tratamento de psicóticos: um caso clínico - Fabiano Rabelo
-    O Sujeito suspeito saber - Ériton Araújo
-    O desafio e as vicissitudes de possibilitar diálogos entre Lacan e a psiquiatria na residência médica psiquiátrica – Eveline Mourão
-    Uma voz que (não) é afônica  - Adriana Osterno
-    A falta que falta? - Célia L. Araújo Bezerra

Coordenação: Francisco Paiva



15:30 15:45 – Intervalo


15:45 – 16:45 – Mesa 02: Cartel A Escrita

-       Notas sobre a escrita da memória a partir do comentário do filme Brilho Eterno de uma mente sem lembranças - Fabiano Rabelo
-       Psicanálise e escrita: entre o verbo e o ato – Sandra Mara
-       Cartel, lugar insone – Osvaldo Costa Martins

Coordenação: Elynes Barros

16:45 – 17:30 - Mesa 03
-       A Provocação do Mais-um – Elynes Barros Lima
-       Im-passes do desejo na experiência do cartel – Lia Silveira

Coordenação: Sandra Mara Dourado



Jornada do Campo Lacaniano de Fortaleza

(22/11/13) - Sexta-feira - Noite


19:00 – Inscrições e entrega de material

19:30 – Conferência de abertura : As Vicissitudes do Desejo (Zilda Machado – Psicanalista, AME da EPFCL – Brasil, Fórum Belo Horizonte)

Coordenação: Lia Silveira

21:00 - Lançamento do livro: Sua majestade o autista, de Luis Achilles Furtado (Psicanalista, membro da EPFCL-Brasil, Fórum Fortaleza)

(23/11/13) - Sábado – manhã

09:00 – 10:10 – Mesa 01: Articulações Sobre o Desejo

-       Os Contratempos Do Desejo (Ercília Maria Soares Souza)
-       Amor e Desejo (Andrea Rodrigues)
-       As errâncias - e acertâncias- de um turista chamado Desejo            (Sandra Mara N. Dourado)

Coordenação: Elynes Barros

10:00 – 11:00 – Mesa 02: Psicanálise e Feminilidade
-    A Mulher Na Pintura: interlocuções entre feminino e sublimação (Raissa Dantas)
-    Feminilidade e Psicanálise: considerações sobre o uso de benzodiazepínicos (Isabela Costa Martins)
Coordenação: Andrea Rodrigues

11:00 – 11:20 – Intervalo

11:20 – 12:30 – Mesa 03: Psicanálise e Instituições
-    Psicanálise Nas Clínicas Escolas: Transferência E Desejo Do Analista (Emilie Fonteles Boesmans)
-    O uso da internet como ferramenta na supervisão: questões para a formação do analista (Elynes Barros e Lia Silveira)
-    Que Saúde Mental comportaria a Psicanálise? (Francisco Paiva)

12:30 – 14:30 – Almoço

14:30 – 15:40 – Mesa 04: Trabalho com os conceitos
-       Observações Sobre O Autismo A Partir Do Seminário A Angústia (Luis Achilles Furtado)
-       Os Percalços Da Clínica Freudiana Diante Das Vozes Do Supereu (Jason Maxmuller Gondim)
-       O Paradoxo Do Gozo E O Enigma De Sua Relação Com A Lei (Lia Silveira)
Coordenação: Francisco Paiva

15:40 – 17:00 – Conferência: O grafo do Desejo (Zilda Machado)
Coordenação: Osvaldo Martins
17:00 - Encerramento


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A EPFCL



     A EPFCL foi fundada após ser instituído um movimento de fóruns chamado de Fóruns do Campo Lacaniano. Algumas palavrinhas sobre essa expressão. A palavra campo está presente em Lacan desde o início de seu ensino: campo da linguagem, campo freudiano e campo do gozo - é este que é o campo lacaniano, tal como está no Seminário sobre O Avesso: “ ... se há algo a ser feito na análise é a instituição desse outro campo energético, que necessitaria outras estruturas que não as da física, que é o campo do gozo. No que diz respeito ao campo do gozo - é pena, jamais será chamado de campo lacaniano, pois certamente não vou ter tempo sequer para esboçar as suas bases, mas almejei isto –, há algumas observações a fazer”. (Jacques Lacan. O Seminário. Livro 17, O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1992. p.77.) Então, como nos esclarece Maria Anita Carneiro Ribeiro (A Cisão de 1998), o movimento dos fóruns nasce a partir de uma crise que se instalara no seio da AMP, Associação Mundial de Psicanálise, que reúne diversas escolas em vários países do mundo e que estava assim constituída por ocasião de chamada cisão de 1998: a EBP (Escola Brasileira de Psicanálise), a Escola Européia de Psicanálise (com sede na Espanha), a ECF (Escola da Causa Freudiana, com sede na França e seção na Bélgica), a Escola de Caracas (com ramificações na Colômbia, Chile e Peru) e a EOL (Escola de Orientação Lacaniana, na Argentina). Essa crise na AMP acabou resultando nisso que ela chamou de Cisão de 1998, se inscreve no seio da história do movimento psicanalítico, por sua vez também marcada por crises e cisões. "Na verdade, a dissolução está inscrita na história da psicanálise desde seu nascimento. (...) a idéia de uma dissolução já está presente em Freud desde o início do processo de institucionalização da psicanálise."
     "A crise foi deflagrada justamente a partir da tensão entre as Escolas com sua particularidade e a organização da AMP, que aos poucos foi se tornando uma superestrutura que as abarcava. Uma Escola concebida em termos lacanianos pressupõe a permutação e a garantia. A permutação visa estabelecer o funcionamento da hierarquia (diretoria e conselho), evitando que essa se perpetue no poder, e a manutenção de sua separação do gradus."  Não foi o que se viu nas Escolas reunidas sob a égide da AMP. Aponto alguns problemas:
- a reconquista do Campo Freudiano como sendo uma guerra por território contra a IPA, e não a reconquista do discurso analítico; 
- o governo da AMP sobre as Escolas, e não o contrario. Como disse C. Soler, as Escolas é que deveriam orientar a AMP;
- a interferência sobre os resultados do passe, desvirtuando a política da psicanálise e tornando-a uma politicagem;
- as intrigas e perseguições de que foram vitimas alguns membros.
Isso só para citar alguns. 
     Antes que a divisão se instalasse definitivamente, ocorreu um período de debates na internet e entre representantes da AMP que vieram ao Brasil, numa tentativa mal-sucedida de ultrapassar a crise. Diante da impossibilidade disso acontecer, os membros da Escola que não se sentiam mais em condições de lá permanecer passaram a enviar suas cartas, uma a uma, de desligamento. O primeiro a fazer isso foi Jairo Gerbase, psicanalista de Salvador, que assim se expressou: 
"A comunidade analítica do Campo Freudiano está dividida em duas classes: aqueles que querem cultuar a personalidade de Jacques- Alain Miller e aqueles que querem continuar cultuando a personalidade de Jacques Lacan. 
Eu não me inscrevo em nenhuma das duas. Pensava estar aí para a psicanálise.
Adeus!"
     Mesmo antes de suas saídas, alguns membros começaram a se reunir em fóruns para debater os rumos da psicanálise e da Escola que desejavam, nascendo então esse movimento que ocorreu simultaneamente em diversos países, com o objetivo principal de contribuir para a presença e a manutenção dos desafios do discurso analítico nas conjunturas do século e que passou a se chamar Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano, cuja Carta de Princípios diz, entre outras coisas:
    "A Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano (IFCL) tem como objetivo federar as atividades dos Fóruns do Campo Lacaniano (FCL) cuja iniciativa foi lançada em Barcelona, em julho de 1998, e desenvolver entre eles novos laços de trabalho.
     Esses Fóruns encontram sua origem longínqua na dissolução em 1980 da Escola de Lacan, a EFP. Eles são oriundos da corrente que nessa data, na França, optou por uma nova Escola, a Escola da Causa Freudiana. Essa corrente se estendeu em seguida à Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Colômbia, Espanha, Israel, Itália, Venezuela etc. Após a crise de 1998, os fóruns tentam uma contra-experiência. Nascidos de uma oposição ao abuso do Um na psicanálise, eles visam a uma alternativa institucional orientada pelos ensinamentos de Sigmund Freud e Jacques Lacan.
     A Assembléia da IF, reunida em 16 de dezembro de 2001 em Paris, proclamou a criação da Escola da IF, Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (EPFCL), conforme o que estava previsto em sua Carta de 1999.
Por esse fato, a IF se intitula doravante IF-EPFCL."
     O objetivo da IF se desdobra em três eixos, ainda conforme a Carta: a crítica, a articulação com os outros discursos, a polarização em direção a uma Escola de psicanálise. Ela é uma estrutura de representação e de ligação entre os fóruns, não dispondo de nenhum poder de decisão sobre a gestão interna dos fóruns que a compõem. Ela deve ser o suporte dessas conexões, tanto nacionais quanto internacionais, entre os diversos FCLs do mundo.
     No que diz respeito à sua administração, a IF-EPFCL funciona segundo o princípio de uma direção colegiada. Ela compreende duas instâncias que permutam de dois em dois anos e cujos membros não são imediatamente reelegíveis para a mesma função.
- Um Colegiado de Representantes das grandes zonas linguístico-geográficas (CRIF);
- Um Colegiado de Delegados dos Fóruns (CD);
- A instância internacional de Mediação (IIM) que permuta a cada quatro anos.
A EPFCL, por sua vez, compreende duas instâncias internacionais: - O Colegiado Internacional da Garantia (CIG) e
- O Colegiado de animação e de orientação da Escola (CAOE).
     No nosso país, A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Brasil (EPFCL-Brasil) é o nome da associação nacional que integra os Fóruns do Campo Lacaniano brasileiros. Sugiro a leitura não só da Carta de Princípios mas também de outros textos esclarecedores no site da EPFCL-Brasil: ww.campolacaniano.com.br. Reproduzo aqui o que lá é dito sobre a Escola:
     Como o psicanalista do século XXI poderia enfrentar o desafio de fazer valer seu discurso na especificidade da ética que ele porta? Trata-se de uma discussão sobre a possibilidade de transmissão da psicanálise - com a virulência que lhe é própria - e da formação do psicanalista, interrogando a relação entre o coletivo representado pela instituição psicanalítica e o singular das análises de cada um. A necessidade e o desejo por uma Escola de psicanálise têm, nesse contexto, o sentido de tomarmos para nós a responsabilidade de deixar sem resposta a questão "o que é um psicanalista?". A aposta por uma Escola que não sobreponha o Ideal ao furo do saber absoluto mas, ao contrário, que possa suportá-lo. O princípio da permutação, os dispositivos do cartel e do passe - que merecem cada um deles uma análise detalhada - são as estruturas que tentam dar conta de sustentar um funcionamento que possibilite um tratamento analítico ao Real inerente à formação do psicanalista. 
     Uma Escola é feita para sustentar a contingência do ato analítico, dando-lhe o apoio de uma comunidade animada pela transferência de trabalho. Através das análises, das supervisões, do trabalho pessoal sobre os textos, da elaboração com vários nos cartéis, da experiência de transmissão do passe, essa comunidade se esforça para fazer circular e submeter ao controle o saber que a experiência deposita e sem o qual não há ato analítico. 
     A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (EPFCL) é internacional, e foi criada em dezembro de 2001, por votação da assembléia da IFCL, como resultado de um amplo debate sobre o que deve ser uma Escola de psicanálise orientada pelo ensino de Jacques Lacan. Suas estruturas e finalidades estão definidas no texto "Princípios diretivos para uma Escola orientada pelos ensinamentos de Sigmund Freud e de Jacques Lacan", modificada em 2006 a partir de votação de todos os membros. A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano tem como objetivo transmitir a experiência original que constitui a psicanálise, elaborar um saber sobre isso, permitir a formação de psicanalistas, fundamentar sua qualificação e garanti-la. O funcionamento da Escola em nível internacional é assegurado por dois Colegiados: o Colegiado Internacional da Garantia (CIG) e o Colegiado de Animação e Orientação da Escola (CAOE). 
     A Escola tem como funções: 1) sustentar "a experiência original" em que consiste uma psicanálise e permitir a formação dos psicanalistas; 2) outorgar a garantia dessa formação pelo dispositivo do passe e pela habilitação dos psicanalistas "que deram suas provas"; 3) sustentar "a ética da psicanálise que é a práxis de sua teoria". 
     Os membros da Escola são admitidos nos Fóruns ou conjunto de Fóruns que agrupam mais de trinta membros sob a responsabilidade de uma Comissão de Admissão. No Brasil, essa comissão é a Comissão Local Epistêmica da Acolhimento e Garantia (CLEAG) 
     A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano outorga uma garantia cujos títulos foram definidos por Lacan. O título de psicanalista membro da Escola (AME) é outorgado – a partir de propostas das Comissões locais – por uma Comissão de Habilitação internacional. O título de psicanalista da Escola (AE) é outorgado pelos Cartéis do Passe, compostos dentro do Colegiado Internacional da Garantia.
     Sugiro ainda a leitura dos textos e livros abaixo para quem quiser se aprofundar na história e no conceito da Escola de Lacan, e na história da cisão de 1998.
- Lacan, Outros Escritos, textos sobre a Escola
- Lacan, Documentos para uma Escola, revista da Letra Freudiana
- Quinet, A Estranheza da Psicanálise
-  Maria Anita, A Cisão de 1998
- Vera Pollo e Eliane, Comunidade Analítica de Escola

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza - setembro


O FÓRUM DO CAMPO LACANIANO DE FORTALEZA

CONVIDA:

Seminário do Campo Lacaniano
 
Convidada: Dominique Fingermann, psicanalista, AME da EPFCL-Brasil, membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.   
 LOCAL: 
Shopping Del Passeo - Av. Santos Dumont, 3131 - Aldeota

Sexta, 13/09, 19:30h: Auditório Bilbao

Desejo e gozo: a responsabilidade sexual de Marguerite Duras
   
Sábado, 14/09, a partir das 9h: Auditório da Torre Del Passeo 

Desejo e repetição na clínica psicanalítica
 
INSCRIÇÕES NO LOCAL:
R$ 160,00 profissional e R$ 100,00 estudante

Delma Gonçalves - coordenação nacional
Sandra Mara N. Dourado - coordenação local
e-mail: sandra.lacaniana@gmail.com
tels: (85) 9998-3393 e (85) 8889-8779