sábado, 23 de julho de 2011

CORDEL


APRESENTAÇÃO

O primeiro semestre do ano de 2011 foi um momento de colher os frutos dos intensos trabalhos desenvolvidos no ano anterior. O Fórum do Campo Lacaniano consolidou-se na cena psicanalítica fortalezense como um espaço de sustentação da incidência do discurso analítico em nossa cidade. Além daqueles que já freqüentavam nossas atividades, outros foram chegando e trazendo suas contribuições para as discussões seja nas sessões de Cinema e Psicanálise, nas Sessões Clínicas, no Espaço Escola seja nas atividades do “Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza”, que encontra-se em seu quarto ano consecutivo. O primeiro semestre também foi momento de implantação das “Formações Clínicas do Campo Lacaniano” espaço que, a partir de então, fica responsável por abranger as atividades de ensino e pesquisa ofertadas como seminários e grupos de estudo.
É no entusiasmo provocado por esse movimento do primeiro semestre que nos envolvemos na preparação da proposta para 2011.2. Trazemos um oferta variada de atividades tomando como tema norteador “O Desejo e sua Interpretação”, tema este que nomeia a edição 2011 do Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza. Além disso, faz interface com o tema do XII Encontro da EPFCL - Brasil (A Lógica da Interpretação) que ocorrerá de 04 a 06 de Novembro em Salvador – BA e com o tema do VII Encontro Internacional da IF| EPFCL (O que responde o psicanalista? Ética e clínica) que ocorrerá em julho de 2012 no Rio de Janeiro- RJ.

Convidamos todos os interessados a conhecerem e participarem de nossas atividades. Sejam bem vindos!
A Coordenação


O Fórum do Campo Lacaniano – Fortaleza
O Fórum do Campo Lacaniano - Fortaleza é uma associação de pessoas movidas pela causa analítica que, orientadas pelos ensinamentos de Sigmund Freud e Jacques Lacan, reúnem-se para discutir as incidências do discurso analítico na cultura a partir do contexto de sua cidade.
Pertencendo ao Campo Lacaniano, sua função é assegurar a incidência do discurso analítico em meio aos outros discursos, promovendo conexões com práticas sociais e políticas que dizem respeito aos sintomas de nossa época, além de estabelecer laços com outras práxis teóricas (ciências, filosofia, arte, religião, etc.).
O Fórum Fortaleza faz parte de uma rede na qual fóruns de outras cidades do mundo estão inseridos. Os diversos fóruns que compõem essa rede são autônomos e mantém entre si laços de cooperação e trabalho, organizando-se internacionalmente ao conjunto denominado Internacional dos Fóruns (IF). O membro do Fórum Fortaleza é, automaticamente, também membro da IF, se responsabilizando, portanto, pelo pagamento das cotizações da mesma. A IF possui sua própria carta de princípios onde estão expressas as obrigações e prerrogativas de cada membro
É compromisso primeiro de cada fórum apoiar e sustentar os dispositivos da escola em sua cidade (os cartéis e o passe). Também cabe aos fóruns a tarefa de oferecer atividades de transmissão da psicanálise. Assim, os fóruns não são a escola, mas constituem o alicerce dela.
No território brasileiro os Fóruns do Campo Lacaniano reúnem-se pela Associação Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Brasil (AFCL – Brasil) que tem por responsabilidade acolher os Dispositivos de Escola no Brasil: Comissão de Garantia, Comissão Epistêmica e Secretariado do Passe. Desde 2009, após decisão da assembléia geral da Associação AFCL-Brasil, ficou decidido que todo membro do fórum deve também solicitar sua entrada nesta associação que organiza os fóruns no território brasileiro.
Os Membros da AFCL-Brasil pagam uma cotização anual, cujo valor é estabelecido na Assembléia Geral Ordinária e tem o direito de receber dois números de Stylus – a revista da AFCL-Brasil.
Para frequentar as atividades do Fórum Fortaleza não é necessário ser membro. As atividades são abertas e gratuitas.
A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano
A Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano é um dispositivo criado a partir dos textos fundadores que Jacques Lacan consagrou à sua Escola. Segundo ele, a Escola representa o organismo em que deve-se realizar um trabalho – que no campo aberto por Freud, restaure a sega cortante de sua verdade; que reconduza a práxis original que ele instituiu sob o nome de psicanálise ao dever que lhe compete em nosso mundo; que, por uma crítica assídua, denuncie os desvios e concessões que amortecem seu progresso, degradando seu emprego.  (LACAN, [1971] (1998, p.235), p.235.)
A Escola não é uma associação jurídica, seu status legal depende das associações dos Fóruns nas quais está implantada. Ela não tem, portanto, uma direção associativa, mas instâncias de funcionamento internacionais e locais, ajustadas às suas finalidades.
A Escola tem como funções:
1) sustentar "a experiência original" em que consiste uma psicanálise e permitir a formação dos analistas;
2) outorgar a garantia dessa formação pelo dispositivo do passe e pela habilitação dos analistas "que deram suas provas";
3) sustentar "a ética da psicanálise que é a práxis de sua teoria". (Jacques Lacan)
Os membros da EPFCL são ipso facto membros da AFCL – Brasil e não há cotização especial para os membros da Escola.
Como ser membro do Fórum Fortaleza?
O pedido de entrada deve ser feito mediante apresentação de uma carta à Coordenadora do Fórum Lia Silveira e pela realização de uma entrevista. A solicitação será submetida também à comissão de acolhimento da AFCL-Brasil, tendo em vista que a entrada para o Fórum local implica também na entrada para a associação nacional. Caso a solicitação seja aprovada a entrada se dará pelo início da participação do candidato nas atividades e pelo pagamento de uma taxa do fórum local no valor mensal de R$ 40,00 (quarenta reais) e uma taxa da AFCL-Brasil.  

Como ser membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (EPFCL)?
Os interessados devem contatar para uma entrevista um dos membros da Comissão Epistêmica Local, através da Coordenação do Fórum.




Atividades do Fórum - Fortaleza
ESPAÇO ESCOLA
III Encontro Internacional da Escola
A análise - fins e conseqüências
O espírito do Encontro :
Durante três dias, em Paris, é-nos dada a oportunidade de reunir-nos e debater o tema decidido em Roma em julho 2010 : convite antes de mais para testemunhar, interrogar e desenvolver este tema de atualidade para nossa Escola que vem fazer escansão no trabalho de reflexão sobre a experiência do passe, depois de Roma e antes do Rio de Janeiro.
O interesse pelo tema e a sua acuidade impõem-se, tanto pela seriação da experiência como pelos resultados e com eles a abertura epistêmica introduzida pela « positivação do final da análise? a partir da satisfação final obtida, como afeto positivo de conclusão. Haverá que sintonizar os resultados e as opções. O Encontro será colocado sob o signo da experiência, experiência do passe vivida de ambos os lados do Atlântico e que prossegue há já uma década. Respeitando as particularidades históricas e analíticas locais e retomando as nossas opções, poderá resultar em uma melhor homogeneidade das práticas e das designações entre as zonas geográficas: condição sine qua non para que a experiência internacional da Escola siga produzindo um ensino vivo.
O tema permitirá, com o passe colocado no cerne da Escola, o exame das diversas modalidades de final produzidas e com as sequências, e avançar idéias que justifiquem o título acordado : há um período pós-passe que diz respeito à vida do passante, à Escola, e mais fundamentalmente à transformação da relação de cada um com a análise. (trecho da apresentação do Encontro, por Albert Nguyên)

No próximo semestre, nossos debates no Espaço Escola se darão em torno do tema do Terceiro Encontro Internacional da Escola, que se dará em Paris, nos dias 9 a 11 de dezembro deste ano, em Paris.
Coordenação: Andrea Rodrigues
Horário: últimas quintas-feiras do mês, às 20h30
Atividade gratuita aberta ao público

***



CARTEL

O cartel é um grupo constituído de três a cinco pessoas, mais uma encarregada da seleção, da discussão e do destino a ser reservado ao trabalho de cada um.
A existência da Escola depende da existência dos cartéis. Eles são o dispositivo de base da escola.
Assim, tendo em vista sua importância, tornamos público as informações sobre o cartel no FCL-Fortaleza.
Cartéis em funcionamento:
As Psicoses
Participantes:
- Adriana Osterno
- Eriton Araújo
- Célia Bezerra
- Eveline Araújo
- Fabiano Rabêlo: Mais-Um
_________________________________________________________
Proposta de novos cartéis:
Tema: O Passe
-Andrea Rodrigues
-Graça Soares
obs.: os interessados devem enviar um email para o FCL-Fortaleza (fcl.fortaleza@gmail.com) ou para Andrea Rodrigues (andreahr@secrel.com.br).


Novas propostas de cartel podem ser feitas a qualquer momento. Para isso, contatar o coordenador de cartéis da EPFCL em Fortaleza (2011-2012) Fabiano Rabêlo – 87187005 – fabrabelo@hotmail.com



CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS

O Cinema e Psicanálise do Fórum de Fortaleza volta às telas de sucesso em mais uma edição, desta feita, trazendo filmes que abordem a temática do desejo em suas produções. O tema corrobora com o tema do Encontro anual da EPFCL/Brasil. Esperamos encontrá-los em nossas sessões regadas à pipoca com refrigerante e uma boa discussão.
Lembramos que essa atividade trata-se de um espaço aberto a todos os amantes da sétima arte e da psicanálise.


24/09 – Educação (Lone Sherfig) - Jenny Carey tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino em 1961. Inteligente e bela, sofre com o tédio de seus dias de adolescente e aguarda impacientemente a chegada da vida adulta. Seus pais alimentam o sonho de que ela vá estudar em Oxford, mas a moça se vê atraída por um outro tipo de vida. Quando conhece David homem charmoso e cosmopolita de trinta e poucos anos, vê um mundo novo se abrir diante de si. Ele a leva a concertos de música clássica, a leilões de arte, e a faz descobrir o glamour da noite, deixando-a em um dilema entre a educação formal e o aprendizado da vida.
Debatedor: Paulo Alves Parente


22/10 – Palíndromos (Tod Solondz) - Aviva Victor, uma garota de 13 anos, quer ser mãe. Ela faz todo o possível para conseguir seu intento, mas é frustrada por seus pais. Determinada a ficar grávida de qualquer jeito, ela foge de casa mas se perde em um outro mundo, de estranhas possibilidades.
Debatedor: Rafael Pinheiro

Horário: 15:00
Local: Sede do Fórum
Atividade gratuita aberta ao público
Coordenação: Elynes Barros

***


GRUPO DE INTERLOCUÇÃO:  A Ética da Psicanálise

Parceria com o CEPSI - Centro de Estudos de Psicanálise e Filosofia da UFC.
Coordenação: Luis Achilles Furtado e Rita Helena Gomes
Todas as quintas das 14:00 às 17:00
Local: Curso de Psicologia da UFC - Campus de Sobral
Av. Lúcia Saboya, 215, Centro, Sobral
Telefones: (88) 88530905 (Luis Achilles) / (88) 92360277
Atividade gratuita
SEMINÁRIO DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA


Esse Seminário, em seu quarto ano consecutivo, versará sobre o tema “ O desejo e sua interpretação”. A exemplo dos anos anteriores, essa atividade é coordenada pelo Fórum local em parceria com a gestão da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano- EPFCL-Brasil, que em compromisso com a formação teórica  de seus membros locais e com a comunidade psicanalítica na cidade, disponibiliza seus analistas membros da Escola para trabalhar textos de Freud e Lacan durante todo o ano.
Os seminários ocorrerão uma vez ao mês, conforme cronologia abaixo– sempre aos sábados – com a presença de analistas convidados onde serão discutidos a bibliografia por eles recomendada. Essa bibliografia nos servirá de base para nossas discussões que antecedem cada seminário, através de um *grupo de estudos semanal coordenado pelo Fórum local.
A seguir informamos as datas programadas para 2011.2 com os respectivos convidados:
27 de Agosto – Desejo do Analista e ato de final de análise (José Antonio, AME – FCL Salvador)
08 de Outubro – A Lógica da Interpretação (Ana Laura Prates Pacheco, AME – FCL São Paulo)
       


Investimento: **120,00 (profissional)
                             60,00 ( estudante)
Inscrições avulsas: 160,00 ( profissional)
                                100,00 (estudante)



* Grupo de estudo semanal – Aos inscritos nesse Seminário, e àqueles que desejem se inscrever, o Fórum oferece uma atividade preparatória, semanal (quartas-feiras às 20:OO) para trabalhar a bibliografia indicada pelo analista convidado, sem ônus adicional. Inicio em 02 de março. Os interessados podem ligar para Graça Soares (9983-7373).
** O valor informado se aplica àqueles que pretendem comparecer a todos os módulos do seminário, sendo o pagamento realizado através de seis cheques pré-datados. As inscrições avulsas terão valor diferenciado.
Coordenação Nacional – Ana Laura Prates
Coordenação Local – Maria das Graças Soares
Informações: 9983-7373 – 30210811 - 87871973





          Atividades de
Formações Clínicas






APRESENTAÇÃO DE FORMAÇÕES CLÍNICAS


Formações Clínicas do Campo Lacaniano em Fortaleza (FCCL-Fortaleza) é a novidade que trazemos à cena psicanalítica de nossa cidade este ano. É uma instituição que se insere numa série: em locais onde existem Fóruns do Campo Lacaniano no Brasil, várias outras existem, com o mesmo objetivo. Elas podem ter outros nomes – como Projeto Freudiano, em Aracaju, instituto Ágora, em Campo Grande, ou Campo Psicanalítico, em Salvador – mas todas buscam oferecer um espaço de trabalho e transmissão da psicanálise através de atividades de ensino e pesquisa, onde aqueles que se interessam pela psicanálise possam ter, nesse espaço, a vertente teórico-clínica de sua formação em seminários, grupos de estudo, etc.

Sendo uma instituição que está em estreita relação com o FCL-Fortaleza e a EPFCL, e apostando na transmissibilidade do saber descoberto por Freud, FCCL-Fortaleza não alinha a formação analítica a uma formação de modelo acadêmico, cada um podendo se inscrever nas suas atividades segundo seu desejo. As atividades são de responsabilidade de seus membros e coordenadas por eles.

Nesse semestre o FCCL- Fortaleza  terá uma taxa de investimento única de  R$80,00 (profissional) e R$40,00 (estudante). Com esse valor o inscrito poderá participar de todas os seminários e grupos de estudo de FCCL-Fortaleza apresentados a seguir.
Para mais informações, tratar com o coordenador da atividade.


***




SEMINÁRIO – A INTERPRETAÇÃO: da decifração ao ato

Freud, como sabemos, fundou a psicanálise no momento em que abriu mão da sugestão e da hipnose e deu a palavra ao paciente – em outras palavras, abriu mão do lugar do mestre. As associações do analisante, no entanto, não eram suficientes para a resolução dos sintomas – primeiro objetivo da psicanálise – pois era necessário também uma intervenção por parte do analista. Esta, não podendo ser da ordem da sugestão, foi chamada por ele por um termo que já constava em Aristóteles – a interpretação.
Se, nos tratamentos relatados nos Estudos sobre a histeria, ele ainda acreditava na possibilidade de uma análise detalhada das formações sintomáticas, na Interpretação do sonhos ele já encontrará o limite da decifração e do sentido. A interpretação sempre deixará restos sem solução, enigmas sem decifração.
Lacan vai dizer que esse limite é o que presentifica o objeto, mas antes de chegar a isso ele percorre um caminho marcado por alguns princípios que se tornaram famosos, como era comum com alguns de seus aforismas. Assim, frases como “A interpretação tem por objetivo o advento de uma palavra verdadeira”,  “A interpretação não está aberta a todos os sentidos” ou “A interpretação se situa entre a citação e o enigma” são alguns exemplos desses princípios.  A interpretação, no entanto, é também um ato, e se é um ato, é porque o analista ocupa aí o lugar do objeto, dele fazendo semblante a partir do desejo do analista.
A escolha desse tema para ser trabalhado no semestre que agora se inicia deve-se não apenas ao fato de estar em sintonia com o do XII Encontro Nacional da EPFCL-Brasil – que será A Lógica da Interpretação – , mas também como consequência, num claro efeito “a posteriori”, do estudo do seminário sobre O ato psicanalítico no semestre que se encerrou. 

  
Início: 08 de agosto de 2011
Horário: Segundas-feiras, de 20 às 21h30
Coordenação: Andrea Rodrigues
Contato: 9994-0161




SEMINÁRIO – O DESEJO E SUA INTERPRETAÇÃO
No ano de 1057-58 Lacan trabalhou intensamente as relações entre o significante a demanda e a necessidade. Desde que fala, o vivo se vê obrigado a entrar nas malhas do significante que introduz na necessidade um mínimo de transformação, que faz com que aquilo que é significado seja algo para alem da necessidade bruta (Lacan, Seminário V, p. 95). Daí segue-se nesse seminário uma intensa elaboração, tomando como ponto articulador aquilo que ficou conhecido como Grafo do Desejo. No primeiro andar do grafo está em jogo a relação do sujeito com a demanda, com a cadeia significante e com o plano das identificações imaginárias. Ali o Outro aparece como tesouro dos significantes, a quem o sujeito vai recorrer em busca de nomear sua demanda. Ocorre que  nem tudo vai poder ser nomeado, e o Outro não pode responder em termos de significante àquilo que, da pulsão, vai tentar se dizer. Estamos no plano do desejo, plano superior do grafo, onde o que vai estar em jogo vão ser as relações com o gozo e a pulsão.
No seu seminário do ano seguinte (1958-59) Lacan vai se dedicar a explorar ainda mais esse grafo, principalmente no que diz respeito à dimensão do desejo. Vemos ali que, para a pergunta”O que é o desejo?”, a resposta vem em forma de outra pergunta “Que queres?”, pois essa é a natureza do desejo: muito mais uma pergunta que convoca o sujeito, do que uma resposta que dê conta de sua essência. Por isso Lacan irá afirmar mais tarde que o desejo é a própria interpretação.
Esse semestre nos propomos a realizar um estudo detalhado do Seminário, Livro VI  – O Desejo e sua Interpretação e convidamos a todos que se interessarem pelo tema a nos acompanhar nessa empreitada.
 Dia:  semanalmente às segundas-feiras (Início: 15/08/2011)
Horário: 18:30h – 20:o0h
Coordenação: Lia Silveira
Contato: 8787-1973

SEMINÁRIO: AS FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE EM FREUD E LACAN

Se o próprio Freud nos advertiu dos perigos de bater às portas do inferno: "não se deve acordar um cão adormecido", ele no entanto não deixou de correr esse perigo. E se a sua coragem pôde demonstrar que o inferno humano é feito de sonho e fantasia, para a sua surpresa o sentido do desejo revelado pela interpretação trouxe à tona um resto "fora-de-sentido" resistente a toda e qualquer decifração. Posto em cena, o desejo revela a divisão do ser humano em, de um lado, sentido e, de outro o que não tem sentido nem nunca terá.
Nosso seminário se propõe a estudar os textos onde Freud nos apresenta suas formulações acerca das manifestações do inconsciente: A descoberta do Inconsciente, A psicopatologia da vida cotidiana e os chistes  e a sua relação com o inconsciente.
A partir desse estudo, avançaremos para a obra de Lacan, O  seminário V As Formações do inconsciente, que trata de maneira direta da função do significante no inconsciente.
Desta forma, pretendemos, ao longo desse ano, percorrer a trilha por onde Freud e Lacan, nos indicaram o caminho do inferno e por que não dizer, do paraíso também.

Dia: Semanalmente às terças-feiras
Horário: de 19:30h às 21h
Início: 09 de agosto
Coordenação Sandra Mara Nunes Dourado
Contato: 88898779/ 99983393

***



X JORNADA DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA
I SEMINÁRIO ESPAÇO ESCOLA DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA
25 e 26 de Novembro de 2011

Esse ano realizaremos a décima edição da Jornada do Campo Lacaniano em Fortaleza com o tema “O Desejo e sua Interpretação”. Trata-se de um momento para reunir e divulgar os trabalhos desenvolvidos ao longo do ano tanto pelos membros do Fórum, por aqueles que freqüentaram nossas atividades e também para outros interessados que queiram submeter suas propostas.
O convidado desse ano é Luis Andrade, Psicanalista, Membro da EPFCL – João Pessoa – PB, autor dos livros “A Linha e o Ponto - livro I : O Caminho desde Freud" e "A Linha e o Ponto – livro II: - O caminho desde Lacan”.
Trazemos ainda uma novidade: o Primeiro Seminário Espaço Escola do Campo Lacaniano em Fortaleza que tem como objetivo reunir produções resultante dos cartéis em funcionamento ou produtos dos cartéis finalizados, sejam eles inscritos na Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano ou em outras instituições.
A coordenação da X Jornada é de Sandra Mara Nunes Dourado. Maiores informações: (85) 8889-8779.
Propostas de trabalho

Aqueles que quiserem apresentar trabalhos, deverão enviar até 10/10/2011 o argumento ou resumo seguindo as seguintes orientações:
   * Folha de rosto contendo o título do trabalho, nome completo do autor e nota de rodapé com apresentação do mesmo (instituição, formação, email)
  * Folha com o título do trabalho e o texto com apresentação do argumento ou resumo com no máximo 20 linhas
    * Enviar o resumo por email para  fcl.fortaleza@gmail.com
  * Enviar uma via impressa do resumo juntamente com  a ficha de inscrição preenchida e cópia do recibo de pagamento de inscrição  para o endereço Rua Leonardo Mota nº1394 Sala103                       CEP 60170-040 Meireles.
  * Os trabalhos aprovados pela Comissão Cientifica deverão ser enviados na íntegra até 10 de novembro de 2011, e devem ter um máximo de 5 laudas em letra Times New Roman, corpo 12, espaço duplo.





Inscrições
Valores:
                                                     Profissional                    Estudante
Até 30 de Setembro               R$   80,00                     R$  40,00
Até  10 de Novembro             R$ 100,00                     R$  50,00
No Local                                    R$ 120,00                       R$  60,00


Depositar na conta Poupança no 38909-9  Agencia 1218-1, Variação 01, do Banco do Brasil. Enviar comprovante por email (fcl.fortaleza@gmail.com) ou Fax: 3257-3713 ou para o endereço: Rua Leonardo Mota nº. 1394  Sala 103  CEP 60170-040  Meireles.

***
Ficha de Inscrição
Nome Completo: ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------­­­­­­­­­­------------------------------------------
Endereço:-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Cidade-------------------------------------------------------
Estado: ______Bairro_____________________
Tel:.................................................................Cel:...............................
Email: .................................................................................................
(   ) estudante   (     )profissional
***




Membros
Nome
Telefones
Andréa Helena P. Rodrigues
(85)     9994-0161

Elynes Barros Lima
(85)     8898-7288
(85)      9603-7294

Fabiano Rabêlo
(85)      8718-7005

Ivna Borges
(85)      9969-1559

Lia Carneiro Silveira
(85)      8787-1973

Luís Achilles R. Furtado
(88)      8853-0905

Maria das Graças Soares
(85)    99837373

Nálplia Xavier
(85)      8705-2062

Osvaldo Costa Martins
(85)      8896-9907

Sandra Mara Nunes Dourado
(85)     8889-8779





Fórum do Campo Lacaniano de Fortaleza

Coordenação: Lia Silveira Tesouraria: Elynes Barros
Secretaria: Osvaldo Martins
Delegada da IF: Sandra Mara
Coordenação de cartéis: Fabiano Rabelo



Endereço:
Fortaleza - Rua Leonardo Mota nº. 1394 Sala 103 – Aldeota
Telefones: 3021-0811 / 8787 – 1973/ 8898-7288/ 8720-3832
              
 
 



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Boletim Informativo do XII Encontro Nacional da EPFCL-Brasil e Prelúdio n.2





BOLETIM INFORMATIVO - 06/07/2011 nº 2
Textos Preliminares para o XII Encontro Nacional da EPFCL/AFCL – Brasil


PRELÚDIO 2
INTERPRETAÇÃO: ARTE POÉTICA DO SIGNIFICANTE À LETRA
Andréa Fernandes
A interpretação na psicanálise convoca certa arte poética, tanto do analisando como do analista, para lidar com o que do inconsciente insiste e não cessa de não se escrever. Em “Escritores Criativos e Devaneios” (1908), Freud aproxima a literatura, em especial a poesia, ao brincar infantil, à fantasia e ao sintoma, formas que têm, em comum, o fato de traçarem o gozo da letra, do Um, com o gozo do sentido, através do equivoco. No Seminário 24,L’insu que sait de l’une-bévues’aile à mourre, Lacan (1977) retoma o equívoco para dizer que Freud se interessou pelas formações do inconsciente – sonhos, atos falhos, chistes e sintomas – por estarem ligadas a uma “coisa específica que comporta a aquisição da língua”. De acordo com Lacan, Freud, no Entwurf, trata disso através dos traços mnêmicos, que nada mais são do que a significantização do que é irrepresentável de das Ding. Mais uma vez, a poesia é trazida à baila, admitindo Lacan que “o próprio da poesia é ter somente uma significação”, porém “a significação não é o que qualquer um crê. É uma palavra vazia”. Neste sentido, a poesia mostra que “a vontade de sentido consiste em eliminar o duplo sentido”, interpretação cuja lógica, desde Freud, é convidada a ser aplicada na psicanálise.

Em A Interpretação dos Sonhos, Freud apontou para o umbigo do sonho, ilustração do ininterpretável formalizado por Lacan, como o que do real faz furo no simbólico. O inconsciente estruturado como uma linguagem apresenta uma escrita furada impossível de ser reconstruída completamente. Em 1900, Freud constrói os fundamentos da lógica da interpretação na psicanálise, descrevendo os sonhos e os chistes como uma escritura pictográfica destinada a se transformar num “enigma figurado” ou rébus, através da associação livre. A homofonia própria ao rébus mostra a letra como suporte material do significante da Verwerfung primordial, do significante da falta no Outro, S(Ⱥ).

No ensino de Lacan, nos anos cinquenta, a letra constitui suporte material do significante, passando, em seguida, em Lituraterra, já nos anos setenta, a algo que desenha “a borda do furo no saber”. Com isso, a interpretação na psicanálise buscará cada vez mais as homofonias e polifonias dos termos, e cada vez menos o sentido. Esta orientação é dada por Lacan numa das conferências na Universidade de Yale (1975), em que se recomenda ao analista “deixar-se guiar pelos termos verbais”. Propomos aqui aproximar a expressão “termos verbais” do significante fora da cadeia, fora sentido, “que soa em francês essaim (em homofonia a S1), um enxame significante, um enxame que zumbe” e “que garante uma unidade de copulação do sujeito com o saber” – S1(S1(S1 →S2))). Entretanto, o sujeito não advirá em S2, adverte Lacan, uma vez que “os efeitos de alíngua que já estão lá como saber, vão bem mais longe de tudo que o ser falante é suscetível de enunciar”, e o saber em jogo ultrapassa o sujeito. Logo, é pela lógica própria à interpretação, desde Freud, que o discurso psicanalítico “toca no real, ao reencontrá-lo como impossível” (Aturdito, 1973). Daí porque a estrutura da interpretação, o saber no lugar da verdade, só pode agir ao não visar o sentido ou o objeto, mas sim a causa do desejo.

Em função da escrita furada do inconsciente tomada “ao pé da letra”, a psicanálise invoca no furo o gozo próprio ao sintoma. Joyce serve de paradigma ao utilizar uma verdadeira “ars poetica” (Freud, 1908), ao tratar o puro gozo da letra fora sentido. A escrita de Joyce aponta para um savoir-faire artístico, uma escrita na qual a letra, separada do sentido, deixa subsistir o afeto de enigma próprio ao ininterpretável, enigma do qual o analista fará uso pelo seu desejo advertido. A escrita de Joyce interessará a Lacan (1977), na medida em que ilustra a possibilidade de a psicanálise intervir simbolicamente no sintoma, através da interpretação, para “dissolvê-lo no real”, já que a letra do sintoma termina com a elucubração de saber própria ao sujeito, em função do inconsciente ser estruturado como uma alíngua. É justo o ponto até onde vai Joyce, onde não há mais chiste no jogo da língua com a letra, ponto que mostramos ter interessado a Freud na aproximação que fez entre as formações do inconsciente e a literatura, em especial, a poesia.

Por fim, a interpretação psicanalítica está articulada ao que se transmite numa psicanálise. Sabemos que Freud recebeu o “Prêmio Goethe”, conferido àqueles “cuja obra criadora fosse digna de uma honra dedicada à memória de Goethe”. Para Freud (1930), “Goethe, como poeta, não foi apenas um grande revelador de si mesmo, mas também, a despeito da abundância de registros autobiográficos, um cuidadoso ocultador de si mesmo”. Para concluir, podemos dizer que a ars poetica é utilizada pelos escritores (Freud, 1908) para trazer a público a letra separada do sentido, apontando para umsavoir-faire artístico, que diz respeito a um saber-fazer com o ininterpretável próprio à escrita furada do inconsciente, real de que se ocupa a psicanálise. Pelo exposto, o tema da interpretação é de fundamental importância para a psicanálise e a ele iremos nos dedicar durante três dias de trabalho no Encontro Nacional da EPFCL em Salvador-Bahia.


NORMAS PARA ENVIO DE PROPOSTAS DE TRABALHO

Os interessados em apresentar trabalhos deverão encaminhar o argumento junto com o comprovante do depósito bancário para o e-mail comissaocientifica2011@gmail.com, de acordo com as seguintes instruções:

• Texto em arquivo formato Word versão 2003 ou superior, contendo duas páginas;
    1. Folha de rosto com o título do trabalho, nome completo do autor, sua instituição, formação e e-mail;
    2. Folha do argumento apenas com o título do trabalho e o resumo, contendo a contextualização do tema e objetivo do trabalho, deve limitar-se a 2000 caracteres.
 Envio do argumento até 31 de julho; 

O resultado da seleção dos resumos será divulgado até o dia 19 de setembro e os autores cujos trabalhos tiverem sido selecionados terão até 15 de outubro para enviar o texto completo para comissaocientifica2011@gmail.com.

A versão definitiva só será aceita com 6 (seis) laudas, em espaço duplo, letra 12.


SUGESTÃO DE TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS

• A interpretação dos sonhos;
• Interpretação e transferência;
• Interpretação e construção em análise;
• A função e os efeitos da interpretação;
• A função do silêncio;
• Interpretação e equívoco;
• Citação, enigma, pontuação, corte e retificação subjetiva;
• O dito e o dizer na interpretação;
• Dizer modal e dizer apofântico;
• A interpretação nos discursos;
• A interpretação no discurso do psicanalista: a∕S2;
• Interpretação e alíngua;
• A interpretação e a letra;
• A dimensão simbólica e real da interpretação;
• Interpretação e poesia;
• A Interpretação na clínica com psicótico;
• A interpretação na clínica com criança;
• A interpretação na psicanálise aplicada.


PROPOSTAS DE TRABALHO PARA O ESPAÇO ESCOLA

Esta modalidade é aberta a todos os participantes de CARTÉIS inscritos na Escola, assim como aos membros da EPFCL-Brasil.
O resumo do trabalho deve ter entre 8 a 15 linhas, letra 12, especificando tratar-se de trabalho de cartel ou trabalho sobre questões da Escola. Enviar até o dia 19 de setembro.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

Raquel Passos
E-mail: secretaria.epfclbrasil@yahoo.com.br
http://afcl.campolacaniano.com.br

Vera Santos 
E-mail: accp@campopsicanalitico.com.br
http://www.campopsicanalitico.com.br
Tel. e fax (71) 32455681

VALOR DAS INSCRIÇÕES
PrazosProfissionaisEstudantes
Até 31/07/11200,00100,00
Até 31/11/11230,00115,00
Após data acima260,00130,00
FICHA DE INSCRIÇÃO
Nome:
Endereço Completo:
E-mail:
Telefone:Fax:
Valor depositado:Data do depósito:
Instituição:
Dados para depósito:

Associação Científica Campo Psicanalítico

Banco do Brasil
Agência 3459-2
Conta 8467-0

Enviar comprovante de pagamento e ficha de inscrição preenchida para e-mail:
accp@campopsicanalitico.com.br
ou para o fax: 32455681
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE 

• A ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA dos membros da EPFCL - Brasil está prevista para dia 03/11/11 às 14h.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Brevidades sobre o sintoma

            Ética e saber na clinica da psicanálise coexistem, na clinica psicanalítica, numa lógica möebiana.  No seminário de 1971, a propósito do saber na psicanálise, Lacan diz que a questão crucial em que o discurso psicanalitico subverte o discurso universitário passa pelo fato de que o "saber" -   - está colocado no lugar de semblante, enquanto que, no discurso analítico, esse lugar é vazio, representado pela letra "a". Ou seja, presença do analista implica uma ausência de  no lugar do semblante.
            Por outro lado o que a psicanálise nos ensina é que esse saber que se tece sobre o divã não revela toda a verdade, pois como Lacan há muito  o disse, a verdade é não-toda. Dela, um restoinapreensível pelo simbólico, insiste. Resto que mais tarde o sujeito tem que saber se haver com ele por outras vias, num mais-além da linguagem. À linguagem falta um significante que a impede de dizer tudo. Esse furo na linguagem, leva Lacan a afirmar que "a verdade não pode ser toda dita". E assim, a clinica psicanalíticapelo efeito puro e simples da linguagem,  é uma clinica de meia-verdade. E no que concerne à construção dessa verdade claudicante, me interrogo se o desejo do sujeito é passível de interpretação, pois tudo leva a crer que o sintoma do sujeito é quem de fato e de direito o interpreta.
            Passemos então, a discorrer brevemente sobre os caminhos trilhados pela teoria do sintomaem Lacan.  No inicio de seu ensino, o sintoma era metáfora, enigmaque uma vez desvendado, tinha efeito de verdadeEm "Função e campo da fala e da linguagem"embora ele diga, literalmenteque, "está perfeitamente claro que o sintomapor ser pleno de sentido, e se resolve por inteiro numa análise",  faz notar a coexistência, no sintoma, do simbólico e do real: "o sintoma é símbolo inscrito na areia da carne e no véu de Maia". sintoma enquanto símbolo "inscrito" pertence ao campo do simbólico, mas "escrito" sob o véu de Maianão estaria também no campo do real? A titulo de esclarecimento, a expressão "Véu de Maia", é usada pelos orientais para dizer que “ver algo sob o véu de Maia faz também existir o que não existe", tamponando assim, a incompletude tão angustiante para o sujeitoSem elesem o véu de Maia, constata-se rapidamente o “nada”. Em RSI Lacan confirma isso ao afirmar que  estava na idéia do “Discurso de Roma” que o inconsciente ex-sisteque ele condiciona o Real.
partir do inicio da década de 1970 Lacan se afasta do pensamento estruturalista, onde o simbólico detinha primazia nas estruturas clinicas, para trabalhar com a perspectiva de uma equivalência entre os três registros, e a estrutura do sujeito passa a ser determinadapela forma de enlaçamento do simbólico, do imaginário e do real: RSI, SIR, IRS.
"O Realeu inventei", diz Lacan. "E eu o escrevo sob a forma do nó borromeano, que não é um nó, mas uma cadeia. "Quando ele distingue "cadeia" de "nó"ele quer dizer que a estrutura do sujeito é um encadeamento dos três registros, retirando a prevalência de um sobre o outro. A qualidade de ser uma verdadeira cadeia borromeana é o fato de RSI serem enodados,  pelo Nome-do-Pai. Para manter a consistência do Nome-do-Pai nessa nova forma de escrever a estrutura do sujeito ele cria um quarto elemento na escrita do  para ali situá-lo, e dá-lhe o nome de Sinthoma (th). 
Ao introduzir a teoria dos nós na segunda parte do seu ensino, o "discurso" cede lugar à escritaEnquanto no primeiro se privilegiava a produção de sentido, na escrita o que prevalece é o sem-sentido.  Isso traz mudanças cruciais no manejo da transferência, pois Lacan alerta que “o efeito de sentido a se exigir do discurso analítico não é imaginárionão é também simbólico; é preciso que seja real”. A assertiva anterior de que o simbólico faz furo no real, sofre uma torsão e agora, é o real que faz furo no simbólico. Há um gozo no significante irredutível à significação. Na clinica, não se trata mais apenas de escuta,  mas do que se " no que se escuta".
teoria dos nós constitui a ultima elaboração de Lacan sobre o sintoma, chegando à escrita do inconsciente por meio da cadeia borromeana. Nela sinthome surge como o quarto elementoque ao enlaçar os três registros - agora equivalentes entre si – produz uma cadeia bo, e como nos lembra Lacan, “se há equivalêncianão há relação”. À falta de relação sexual, o sujeito responde com o sinthome: Cito:  “ Sinthoma é a resposta que o sujeito encontra frente ao gozo da falta de relação sexual”.

Graça Soares
(Membro do FCL-Fortaleza e da EPFCL)
Fortalezajulho de 2011.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Stylus Revista de Psicanálise - volumes disponíveis para aquisição

stylus
revista de psicanálise




Stylus é a publicação semestral da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - EPFCL-Brasil. Tem como propósito promover o debate a respeito da psicanálise e suas conexões com os outros discursos.
Em circulação desde o ano 2000, veicula artigos de integrantes das comunidades brasileira e internacional do Campo Lacaniano, bem como de outros colegas que orientam sua leitura da psicanálise principalmente pelos textos de Sigmund Freud e Jacques Lacan.
Também apresenta artigos provenientes de outros campos de saber (arte, ciência, matemática, filosofia, topologia, linguística, música, literatura, etc.) que tomam a psicanálise como eixo de suas conexões reflexivas.

Volumes publicados





22. A política do sintoma I - maio 2011
21. Corpo e Inconsciente II - dezembro 2010
20. Corpo e inconsciente - abril 2010
19. Alíngua e o Inconsciente real - outubro 2009
18. O tempo na psicanálise II - abril 2009
17. O tempo na Psicanálise - novembro 2008
16. Família e inconsciente II - maio 2008
15. Família e inconsciente - novembro 2007
14. Amor, desejo e gozo - abril 2007
13. Gozo: modalidades e paradoxos - outubro 2006
12. De que escolhas e impasses padece o sujeito? - abril 2006
11. As escolhas do sujeito no sexo, na vida e na morte - outubro 2005
10. Saber-fazer com o real da clínica - abril 2005
09. Trauma e fantasia - outubro 2004
08. Sujeito e gozo - abril 2004
07. Versões da práxis psicanalítica - outubro 2003
06. Angústia e sintoma - abril 2003
05. O real da clínica - outubro 2002
04. O que se espera de um psicanalista? - abril 2002 (esgotada)*
03. Lacan no século - outubro 2001
02. Escola: tempo de elaboração - outubro 2000 (esgotada)*
01. O passe: uma experiência brasileira - abril 2000


*disponíveis para consulta nas bibliotecas dos Fóruns do Campo Lacaniano.


Custos por exemplar:


números 01 ao 19: R$ 20,00 + taxa de correios
números 20 em diante: R$ 30,00 + taxa de correios


Vendas e outras informações nos Fóruns do Campo Lacaniano
ou pelo e-mail:
revistastylus@yahoo.com.br


Por favor, informe no e-mail:
Nome:
Endereço:
Email e telefone para contato:
Volumes solicitados:


Vendas condicionadas à disponibilidade de exemplares no acervo dos Fóruns do Campo Lacaniano, seguindo a ordem de chegada dos pedidos.




Stylus – revista de psicanálise
Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano -Brasil


domingo, 10 de julho de 2011

O GATO SOU EU

Apesar de ter sido forjado por Freud em 1910, o conceito de contratransferência não foi muito desenvolvido por ele. No princípio, essa idéia dizia respeito a impasses no tratamento devido a falhas na neutralidade do analista, "ruído" na "comunicação entre inconscientes" ou questões do tipo para, a partir das décadas de 40 e 50, servir como operador na interpretação. Lacan, no seminário sobre "Os escritos técnicos de Freud", afirma que ela é função do ego do analista, o que ele chamou de soma dos preconceitos do analista.
A crônica a seguir, de autoria de Fernando Sabino, é um exemplo primoroso daquilo que Lacan critica nos pós-freudianos. Poderia perfeitamente se chamar "Como não conduzir uma análise". Como sempre, o artista mostra muito melhor que nós aquilo de que a teoria tenta dar conta.

O GATO SOU EU
Fernando Sabino

Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu

domingo, 3 de julho de 2011

O recalque: de suas primeiras formulações à sua conceitualização

Fabiano Rabêlo
(membro do FCL-Fortaleza, de FCCL-Fortaleza e da EPFCL)

Nesse texto discutiremos os diversos avatares que o recalque assume na obra de Freud, relacionando-o com as experiências fundadoras do dispositivo psicanalítico. Enfatizaremos, com Freud e Lacan, os desdobramentos éticos, técnicos e teóricos dessas experiências.
No prefácio para a segunda edição dos “Estudos sobre a Histeria”, Freud (Breuer et Freud, 1895/2001) recomenda aos interessados pela psicanálise que se iniciem nesse campo com a leitura dos “Estudos”. Diz que aí se encontra a semente (Keim) da experiência psicanalítica (ibidem, p. 23). Lacan (1986) também destaca a importância desse livro. Segundo ele, encontramos nele “uma longa exposição da descoberta da técnica psicanalítica. Ali, vemo-la em formação” (ibidem, p. 73).
Lacan, em referência a esse prefácio escrito por Freud, situa nos “Estudos” o que considera a célula germinal da observação psicanalítica (ibidem, p. 36). Essa célula fundadora, nos diz, pode ser encontrada numa forma particular de indagar a história do indivíduo. Adverte que essa abordagem não objetiva produzir uma historiografia, mas sim restituir a história do sujeito no presente: “o que se trata é menos lembrar do que reescrever a história” (ibidem, 23).
Explica que a reintegração dessa história ultrapassa os limites do indivíduo na medida que se abre para as incidências da linguagem no sujeito. Ao dizer que a história que interessa ao psicanalista possui um caráter transindividual, Lacan aponta para a dimensão da alteridade constitutiva do desejo. Tal alteridade, por sua vez, remete à inscrição no corpo de determinados significantes privilegiados, sucedâneos de exepriências de satisfação que exerceram efeitos marcantes no psiquismo. Podemos nomear esses momentos de trauma e seus efeitos, fixação.
Para Freud, o recalque está no cerne dessa escritura paradoxal do vivido. Ele pressupõe uma modalidade de registro que condiciona o conteúdo inscrito a certas condições de manejo. Por outro lado, toca em elementos que estão no ponto máximo de distensão das possibilidades de elaboração dos excessos de intensidades suportados pelo psiquismo. Esse ponto limite remete-nos à sexualidade, uma vez que é na tomada da posição diante da diferença sexual que o sujeito é confrontado com suas vivências de satisfação mais fundamentais.
Vinte anos depois dos “Estudos”, em resposta a Jung, que propunha a primazia de uma energia dessexualizada, Freud (1914/1999) reafirma a tese da etiologia sexual das neuroses e indica que o ensino do recalque (Verdrängungslehre) deve ser tomado como a pedra angular (Grundpfeiler) do edifício psicanalítico. Continua: “o recalque não é só a pedra angular, é a parte mais essencial (“wesentlichste”) desse edifício”. Em seguida, refere-se ao processo de formulação do recalque: diz que ele “não é nada mais que a expressão teórica de uma experiência que pode ser repetida quando se abandona o uso da hipnose na análise de neuróticos” (ibidem, p. 54).
Após refutar argumentos de críticos e colaboradores, que indentificavam em elementos da filosofia, da biologia e da psicologia a raiz dos pressupostos da psicanálise, Freud sai em defesa da originalide do conceito de recalque: “O ensino do recalque é uma aquisição do trabalho psicanálítico obtido de modo légitmo como extrato teórico a partir de muitas e incontáveis (unbestimmt) experiências” (ibidem, p.55).
Pedra angular, mas também produto de uma praxis (e não seu pressuposto): eis o lugar peculiar do recalque na psicanálise. Podemos dizer daí que o recalque serviu como referência técnica à prática psicanalítica bem antes de sua conceitualização. As primeiras formas de concebê-lo são solidárias às torções de discurso que culminaram na demonstração do saber inconsciente.
É apenas nos artigos metapsicológicos que Freud (1915/1997) desenvolve uma coneituação para o recalque. Ele o define como algo que se situa entre a fuga (Flucht) e o julgamento de condenação (Verurteilung, Urteilsverwerfung). Declara como condição para o recalque que a obtenção de uma finalidade pulsional (Erreichung eines triebzieles) cause desprazer (Unlust) ao invés de prazer (Lust) (ibidem, p. 107). Temos então um cálculo de economia psíquica: os motivos de desprazer (Unlustmotiv) devem se apresentar como mais relevantes do que o prazer da satisfação (Befriedigungslust) (ibidem, p. 108). Destaca ainda que o recalque não é um mecanismo de defesa constitucional (Ursprunglich Vorhandener Abwehrmechanismus). Para ele existir, faz-se necessário a intervenção da linguagem e do Outro, ocasionando a divisão entre Inconsciente e Consciente.
Sua essência consiste em expulsar e manter afastada do Consciente (Abweisung und fernhaltung des Bewussten) (ibidem, p. 108) as manifestações psíquicas do Insconsciente. O recalque busca fazer isso separando a representação do afeto.
Para concluir, apontamos a leitura dos “Estudos” como uma oportunidade de acompanharmos Freud na exposição de algumas das incontáveis torções produzidas nos casos clínicos que conduziu. Uma primeira concepção de recalque surge como produto desse caminho de investigação.

_____________________

Bibliografia

BREUER, Josef et FREUD, Sigmund. (1895) Studien über Histerie [Estudos Sobre histeria]. Frankfurt am Main: Fischer Verlag Taschenbuch, 2001.

FREUD, Sigmund. (1914) Zur Geschichite der Psychoanalitische Bewegung [Sobre a história do movimento psicanalítico]. In: GW. Frankfurt am Main: Fischer Verlag, 2000. v. X, p. 43-113.

FREUD, Sigmund. (1915) Die Verdrängung [O recalque]. In: Studienausgabe. Band III. Frankfurt a. M.: S. Fischer, 1997. v. III, p. 103-118.

LACAN, Jacques. O seminário - livro 1: Os Escritos Técnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Ed. 1986.