sábado, 6 de setembro de 2014

XV Encontro Nacional da EPFCL-Brasil

Apresentação


O Fórum do Campo Lacaniano do Mato Grosso do Sul sediará nos dias 13,14,15 e 16 de novembro de 2014 o XV ENCONTRO NACIONAL da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano-Brasil.

É com entusiasmo que para lá dirigimos nossa atenção, as questões e trabalhos relativos ao tema deste colóquio - AMOR E SEXOS.

Esperamos que este encontro nos dê a oportunidade de discutir a importância da subversão promovida por Freud com sua descoberta do Inconsciente, sempre retomada com cuidado por Lacan, e as consequências no que diz respeito à Sexualidade, a Pulsão e o Amor.

Quanto à sexualidade, para Freud os sujeitos são, de saída, bissexuais. Com tal postulado, nos ensina que há Homens e Mulheres bem demarcados no sentido do estado civil, mas eles não são feitos um para o outro como reza o discurso religioso, científico e social, porque a pulsão e o desejo, que estão na base da constituição de todo falante, independem de qualquer orientação sexual.

Lacan nos diz, em seu Seminário, livro 19, que o princípio do funcionamento de gênero feminino e masculino é a linguagem, pois "a linguagem é tal que todo ser falante é ou ele ou ela. Isso existe em todas as línguas do mundo.” Mas para ele, a identidade sexual, ser "homem ou mulher", é o resultado de um processo que qualificou de sexuação. Há aí uma ação para indicar que é um processo de linguagem, não um fato de natureza. Este processo distribui os sujeitos em duas categorias: - Aqueles que estão totalmente na função fálica e aqueles que não estão totalmente inscritos nela.

Os primeiros serão chamados Homens, qualquer que seja sua anatomia, e os segundos, que não estão totalmente inscritos na função fálica, se chamarão mulheres.

Quanto ao conceito de pulsão, com seu objeto faltoso e sua força constante pedindo repetitivamente esse mesmo objeto, que não surge jamais, não se pode educá-la nem acomodá-la aos ideais da sociedade, a uma educação sexual.

E o amor, o amor no XV Encontro achará com certeza quem o cante, o analise, não só nas histórias dos costumes ou nos mitos, mas nas descobertas que a psicanálise soube depositar.

Deixo aqui para sugeri-lo ou motivar, o que está no texto de 1914, "Sobre o narcisismo: uma introdução", no qual Freud diz: "É preciso amar para não adoecer".

CG da EPFCL-Brasil
Delma Fonseca
Andréa Milagres
Madalena Kfuri



                                                               ***


Prelúdio 1 

 A insustentável leveza do amor
Francina Sousa

Prelúdio, significante definido pelo dicionário Houaiss da língua portuguesa como “ato preliminar, primeiro passo para (alguma coisa)”, entre outras definições. Trata-se aqui de Ato Preliminar para um Encontro. Em nossa língua o significante “preliminar” facilmente nos remete ao ato sexual, e é dispensável elucidar que amor e sexo nem sempre são solidários, a experiência nos ensina. Permitam-me, pois, uma pequena consideração sobre o amor, primeiro termo de nosso tema.
No começo, o verbo. Amar, do ponto de vista da sintaxe da língua portuguesa, é transitivo. Significa que ele necessita de um complemento, algo que o acompanhe direta ou indiretamente, já que seria carente de algo por natureza. O escritor intui e adverte: amar é verbo intransitivo. Não combina com complementos posto que este significante remete à completude. E não há tal coisa no Amor, ele é tão manco quanto os corações daqueles que toca. O Amor é intransitivo. Não porque encontre tudo de que necessita em si mesmo dispensando todo e qualquer acessório, mas porque os complementos não lhe bastam! Intransitivo, uma vez que não há trânsito entre os amantes, aqueles que compõem a dissonante canção Amor. Gênio responsável pela comunicação entre os seres, não um Deus, o Amor não é maiúsculo...
Aspirando à possibilidade de ser todo, o amor faz com que os amantes acreditem na existência da relação sexual e que dois podem unir-se em Um. A ficção que chamamos amor aparece justamente para nos proteger do horror da não complementariedade entre os sexos. Dois serão sempre dois, apesar do Aristófanes de Platão ter ainda ecos no imaginário ocidental. Aliás, com o mito de Aristófanes, estamos exatamente no nível que nós, modernos, interpretamos o amor. Animado por este sentimento cômico, o amante busca algo para dar ao objeto de amor e é ativo e astucioso nesta interminável busca. Amor é esta crença de que encontramos no outro, na pessoa amada, algo que nos é precioso, aquilo que nos falta, um bem do qual queremos gozar e tal bem nos desperta para o desejo. Só que “o que falta a um não é o que existe, escondido, no outro. Aí está todo o problema do amor”[1], já nos diz Lacan nas primeiras páginas do Seminário sobre a Transferência. Caetano canta o desencontro da bruta flor do querer amoroso já que “onde queres revólver, sou coqueiro/E onde queres dinheiro, sou paixão/Onde queres descanso, sou desejo/E onde sou só desejo, queres não.”
Para tornar-se um amante, para ser tocado e animado pelo amor, uma transformação faz-se necessária. Mais precisamente uma metáfora, “na medida em que aprendemos a articular a metáfora como substituição”[2]. Um sujeito deve vir em lugar de outro. Seguindo o Lacan do Seminário 8, onde era o amado (objeto), deve o amante (sujeito) advir. Lacan ilustra esta operação com um estranho mito: uma mão que se dirige desejosa em possuir um objeto inanimado. Deste objeto, milagrosamente, estende-se outra mão, que busca pela primeira. As mãos não se tocam, permanecem neste espaço eterno (enquanto dura) tentando encontrar-se.
Recorro ao “nosso” Milan Kundera[3] e sua obra maior, A Insustentável Leveza do Ser, verdadeira lição sobre o amar na modernidade, para tentar expressar o milagre inerente à significação do amor. Este livro conta a história de amor entre Tomas e Tereza. O narrador revela ao leitor o momento preciso em que Tomas cai de amor por Tereza. Até então, fora ele um celibatário decidido, que havia encontrado um equilíbrio entre seu desejo e temor das mulheres naquilo que batiza como “amizade erótica”. Ingênuo, assim como o Erixímaco do Banquete, acredita que o equilíbrio, a harmonia seria possível entre os corações. Tomas tem inúmeras amantes, não ama nenhuma delas. No entanto o homem preparado e convencido a permanecer celibatário trai-se. É nesta traição que a falta e o desejo se expressam. A crença que o suposto equilíbrio de estar com todas e nenhuma ao mesmo tempo lhe trazia desmorona no momento em que é atingido pelo amor, momento em que está diante desta mulher que mal conhece e que vê pela segunda vez.
O que permite a Tomas sair de sua posição anterior, o que teria essa mulher de tão especial? Para ser amada por um homem uma mulher deve oferecer-se como objeto causa de seu desejo, objeto a. Tereza aparece exatamente neste lugar. Imaginariamente unido a ela, Tomas sente que não sobreviveria à sua morte, como se fossem parte vital um do outro. Para ele, Tereza “não era nem amante nem esposa. Era uma criança.” Abandonada. Esta é a metáfora que representa Tereza em seu inconsciente e que funciona justamente para que ele, Tomas, metaforize-se em outro, aquele que salva e protege esta criança:

“Mais um vez ocorreu-lhe que Tereza era uma criança posta numa cesta untada com resina e abandonada ao sabor da corrente. Como deixar derivar para as águas impetuosas de um rio a cesta onde se abriga uma criança? Se a filha do faraó não tivesse retirado das águas a cesta do pequeno Moisés, não teria havido o Velho Testamento e toda a nossa civilização! No começo de tantos mitos antigos, existe sempre alguém que salva uma criança abandonada. Se Pólibo não tivesse recolhido o pequeno Édipo, Sófocles não teria escrito sua mais bela tragédia! Tomas compreendeu então que as metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora” (p.16)

Sim. As metáforas são perigosas. O amor nasce de uma simples metáfora...


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

XV Encontro Nacional da EPFCL-Brasil


XV Encontro Nacional da EPFCL/Brasil - Inscrições

As  inscrições para o Encontro estão abertas e podem ser feitas através de depósito bancário e envio de comprovante do mesmo e da ficha de inscrição para o e-mail: xvencontroepfclbrasil@gmail.com
Fone: (31) 3222-3114

FICHA DE INSCRIÇÃO:
Nome:________________________________________________________________________
Endereço:_____________________________________________________________________
Cidade:_________________________________  Estado:______________________________ Cep:___________________ E-mail:_____________________________________________  Telefone:________________________________________

Dados para depósito:
Associação Fóruns do Campo Lacaniano
Banco: Itaú              Agência: 3102
C/c: 12144-3          CNPJ: 03.526.375/0001-88

VALOR DAS INSCRIÇÕES:
Profissionais e membros EPFCL- Brasil
Até 31/05/14: R$ 260,00
Até 30/08/14: R$ 280,00
A partir de 30/08/14: R$ 320,00
No local: R$ 360,00

Estudantes de graduação
Funcionários rede pública*
Até 31/05/2014: R$ 130,00
Até 30/08/14: R$ 140,00
A partir de 30/08/14: R$ 160,00
No local: R$ 180,00

*As inscrições serão válidas, mediante comprovante de estudante ou de funcionário público, enviado juntamente com a ficha de inscrição.



Coordenação nacional:Delma Fonseca Gonçalves - coordenadora
Andréa Milagres
Madalena Kfuri
Coordenação local:Isloany Machado
Comissão científica:Andréa Brunetto – coordenadora (MS)
Alba Abreu (SE)
Ana Laura Prates Pacheco (SP)
Elynes Barros Lima (CE)
Gracia Azevedo (PE)
Robson Mello (PR)
Sonia Magalhães (BA)
Vera Pollo (RJ)
Comissão de Organização:Juliana Costa
Comissão Cultural:Marisa Costa
Comissão de divulgação:Marilene Kovalski
  
Informações:
Com Flávia Coutinho
telefone: (31) 3222-3114

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Espaço Escola

A Cisão de 1998

Data: quinta-feira, 28 de agosto
Local: sede do FCL-Fortaleza
rua Leonardo Mota, 1493, sl. 103
Horário: 20h30
Coordenação: Andrea Rodrigues
Textos a serem debatidos:
A crise na Sociedade Britânica de Psicnálise de 1941 a 1945 - Maria Anita Carneiro Ribeiro
A cisão de 1953: uma leitura de 1998 - Vera Pollo
A situação da psicanálise em 1953, em 1998 - Sonia Alberti
Os textos podem ser encontrados em A cisão de 1998. Maria Anita Carneiro Ribeiro. Marca d'Água Livraria e Editora, 1998.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Atividade de Férias


Em torno de, demanda e contingência

Apresentação:
Celina Mendes Garcia
Gilles Garcia
Membros da ALI (Association Lacanienne Internacionale)
Data: 17 de julho de 2014
Horário: 19h30m
Local: Torre del Paseo, salão Bilbao (piso E)
           Av. Santos Dumont, 3131
Informações: 9998-3393 / 8889-8779 (Sandra Mara Nunes Dourado)
Entrada Franca

sexta-feira, 13 de junho de 2014

ATENÇÃO - Novo local - Cinema e Psicnálise

AVISO

A atividade Cinema e Psicanálise, a se realizar amanhã, terá novo endereço. Ela acontecerá no auditório do Shopping DEL PASEO.
Agradecemos pela compreensão

Cinema e Psicanálise - Junho


Cinema e Psicanálise
Exibição do documentário Paixão e Guerra no Sertão de Canudos,  de Antônio Olavo.
 "Com roteiro de Antônio Olavo e narração de José Wilker, o documentário mostra a trajetória de Antônio Conselheiro, suas andanças pelo sertão nordestino, passa pela fundação do arraial do Belo Monte e discute as interpretações sobre a sociedade de Belo Monte". 
Debatedor: Osvaldo Costa, psicanalista, Membro do Fórum do Campo Lacaniano de Fortaleza.Local: Auditório do Del Paseo

Data:  14/06/2014, às 10h.

Após o debate, acontecerá o lançamento do livro "De Quixeramobim a Belo Monte: olhares sobre Antônio Conselheiro", coletânea de artigos organizada por Osvaldo Costa e Danilo Patrício.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza - Maio


Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza 



Seminário XX, Mais, ainda



capítulos III e IV - 



sexta, 23/05/2014,19:30hs e sábado, 24/05/2014, a partir das 9h 



Convidada: Andréa Brunetto, AME, FCL-MS 



Local: Auditório do Shopping Del Paseo





quarta-feira, 12 de março de 2014