segunda-feira, 11 de julho de 2011

Stylus Revista de Psicanálise - volumes disponíveis para aquisição

stylus
revista de psicanálise




Stylus é a publicação semestral da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - EPFCL-Brasil. Tem como propósito promover o debate a respeito da psicanálise e suas conexões com os outros discursos.
Em circulação desde o ano 2000, veicula artigos de integrantes das comunidades brasileira e internacional do Campo Lacaniano, bem como de outros colegas que orientam sua leitura da psicanálise principalmente pelos textos de Sigmund Freud e Jacques Lacan.
Também apresenta artigos provenientes de outros campos de saber (arte, ciência, matemática, filosofia, topologia, linguística, música, literatura, etc.) que tomam a psicanálise como eixo de suas conexões reflexivas.

Volumes publicados





22. A política do sintoma I - maio 2011
21. Corpo e Inconsciente II - dezembro 2010
20. Corpo e inconsciente - abril 2010
19. Alíngua e o Inconsciente real - outubro 2009
18. O tempo na psicanálise II - abril 2009
17. O tempo na Psicanálise - novembro 2008
16. Família e inconsciente II - maio 2008
15. Família e inconsciente - novembro 2007
14. Amor, desejo e gozo - abril 2007
13. Gozo: modalidades e paradoxos - outubro 2006
12. De que escolhas e impasses padece o sujeito? - abril 2006
11. As escolhas do sujeito no sexo, na vida e na morte - outubro 2005
10. Saber-fazer com o real da clínica - abril 2005
09. Trauma e fantasia - outubro 2004
08. Sujeito e gozo - abril 2004
07. Versões da práxis psicanalítica - outubro 2003
06. Angústia e sintoma - abril 2003
05. O real da clínica - outubro 2002
04. O que se espera de um psicanalista? - abril 2002 (esgotada)*
03. Lacan no século - outubro 2001
02. Escola: tempo de elaboração - outubro 2000 (esgotada)*
01. O passe: uma experiência brasileira - abril 2000


*disponíveis para consulta nas bibliotecas dos Fóruns do Campo Lacaniano.


Custos por exemplar:


números 01 ao 19: R$ 20,00 + taxa de correios
números 20 em diante: R$ 30,00 + taxa de correios


Vendas e outras informações nos Fóruns do Campo Lacaniano
ou pelo e-mail:
revistastylus@yahoo.com.br


Por favor, informe no e-mail:
Nome:
Endereço:
Email e telefone para contato:
Volumes solicitados:


Vendas condicionadas à disponibilidade de exemplares no acervo dos Fóruns do Campo Lacaniano, seguindo a ordem de chegada dos pedidos.




Stylus – revista de psicanálise
Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano -Brasil


domingo, 10 de julho de 2011

O GATO SOU EU

Apesar de ter sido forjado por Freud em 1910, o conceito de contratransferência não foi muito desenvolvido por ele. No princípio, essa idéia dizia respeito a impasses no tratamento devido a falhas na neutralidade do analista, "ruído" na "comunicação entre inconscientes" ou questões do tipo para, a partir das décadas de 40 e 50, servir como operador na interpretação. Lacan, no seminário sobre "Os escritos técnicos de Freud", afirma que ela é função do ego do analista, o que ele chamou de soma dos preconceitos do analista.
A crônica a seguir, de autoria de Fernando Sabino, é um exemplo primoroso daquilo que Lacan critica nos pós-freudianos. Poderia perfeitamente se chamar "Como não conduzir uma análise". Como sempre, o artista mostra muito melhor que nós aquilo de que a teoria tenta dar conta.

O GATO SOU EU
Fernando Sabino

Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu

domingo, 3 de julho de 2011

O recalque: de suas primeiras formulações à sua conceitualização

Fabiano Rabêlo
(membro do FCL-Fortaleza, de FCCL-Fortaleza e da EPFCL)

Nesse texto discutiremos os diversos avatares que o recalque assume na obra de Freud, relacionando-o com as experiências fundadoras do dispositivo psicanalítico. Enfatizaremos, com Freud e Lacan, os desdobramentos éticos, técnicos e teóricos dessas experiências.
No prefácio para a segunda edição dos “Estudos sobre a Histeria”, Freud (Breuer et Freud, 1895/2001) recomenda aos interessados pela psicanálise que se iniciem nesse campo com a leitura dos “Estudos”. Diz que aí se encontra a semente (Keim) da experiência psicanalítica (ibidem, p. 23). Lacan (1986) também destaca a importância desse livro. Segundo ele, encontramos nele “uma longa exposição da descoberta da técnica psicanalítica. Ali, vemo-la em formação” (ibidem, p. 73).
Lacan, em referência a esse prefácio escrito por Freud, situa nos “Estudos” o que considera a célula germinal da observação psicanalítica (ibidem, p. 36). Essa célula fundadora, nos diz, pode ser encontrada numa forma particular de indagar a história do indivíduo. Adverte que essa abordagem não objetiva produzir uma historiografia, mas sim restituir a história do sujeito no presente: “o que se trata é menos lembrar do que reescrever a história” (ibidem, 23).
Explica que a reintegração dessa história ultrapassa os limites do indivíduo na medida que se abre para as incidências da linguagem no sujeito. Ao dizer que a história que interessa ao psicanalista possui um caráter transindividual, Lacan aponta para a dimensão da alteridade constitutiva do desejo. Tal alteridade, por sua vez, remete à inscrição no corpo de determinados significantes privilegiados, sucedâneos de exepriências de satisfação que exerceram efeitos marcantes no psiquismo. Podemos nomear esses momentos de trauma e seus efeitos, fixação.
Para Freud, o recalque está no cerne dessa escritura paradoxal do vivido. Ele pressupõe uma modalidade de registro que condiciona o conteúdo inscrito a certas condições de manejo. Por outro lado, toca em elementos que estão no ponto máximo de distensão das possibilidades de elaboração dos excessos de intensidades suportados pelo psiquismo. Esse ponto limite remete-nos à sexualidade, uma vez que é na tomada da posição diante da diferença sexual que o sujeito é confrontado com suas vivências de satisfação mais fundamentais.
Vinte anos depois dos “Estudos”, em resposta a Jung, que propunha a primazia de uma energia dessexualizada, Freud (1914/1999) reafirma a tese da etiologia sexual das neuroses e indica que o ensino do recalque (Verdrängungslehre) deve ser tomado como a pedra angular (Grundpfeiler) do edifício psicanalítico. Continua: “o recalque não é só a pedra angular, é a parte mais essencial (“wesentlichste”) desse edifício”. Em seguida, refere-se ao processo de formulação do recalque: diz que ele “não é nada mais que a expressão teórica de uma experiência que pode ser repetida quando se abandona o uso da hipnose na análise de neuróticos” (ibidem, p. 54).
Após refutar argumentos de críticos e colaboradores, que indentificavam em elementos da filosofia, da biologia e da psicologia a raiz dos pressupostos da psicanálise, Freud sai em defesa da originalide do conceito de recalque: “O ensino do recalque é uma aquisição do trabalho psicanálítico obtido de modo légitmo como extrato teórico a partir de muitas e incontáveis (unbestimmt) experiências” (ibidem, p.55).
Pedra angular, mas também produto de uma praxis (e não seu pressuposto): eis o lugar peculiar do recalque na psicanálise. Podemos dizer daí que o recalque serviu como referência técnica à prática psicanalítica bem antes de sua conceitualização. As primeiras formas de concebê-lo são solidárias às torções de discurso que culminaram na demonstração do saber inconsciente.
É apenas nos artigos metapsicológicos que Freud (1915/1997) desenvolve uma coneituação para o recalque. Ele o define como algo que se situa entre a fuga (Flucht) e o julgamento de condenação (Verurteilung, Urteilsverwerfung). Declara como condição para o recalque que a obtenção de uma finalidade pulsional (Erreichung eines triebzieles) cause desprazer (Unlust) ao invés de prazer (Lust) (ibidem, p. 107). Temos então um cálculo de economia psíquica: os motivos de desprazer (Unlustmotiv) devem se apresentar como mais relevantes do que o prazer da satisfação (Befriedigungslust) (ibidem, p. 108). Destaca ainda que o recalque não é um mecanismo de defesa constitucional (Ursprunglich Vorhandener Abwehrmechanismus). Para ele existir, faz-se necessário a intervenção da linguagem e do Outro, ocasionando a divisão entre Inconsciente e Consciente.
Sua essência consiste em expulsar e manter afastada do Consciente (Abweisung und fernhaltung des Bewussten) (ibidem, p. 108) as manifestações psíquicas do Insconsciente. O recalque busca fazer isso separando a representação do afeto.
Para concluir, apontamos a leitura dos “Estudos” como uma oportunidade de acompanharmos Freud na exposição de algumas das incontáveis torções produzidas nos casos clínicos que conduziu. Uma primeira concepção de recalque surge como produto desse caminho de investigação.

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Bibliografia

BREUER, Josef et FREUD, Sigmund. (1895) Studien über Histerie [Estudos Sobre histeria]. Frankfurt am Main: Fischer Verlag Taschenbuch, 2001.

FREUD, Sigmund. (1914) Zur Geschichite der Psychoanalitische Bewegung [Sobre a história do movimento psicanalítico]. In: GW. Frankfurt am Main: Fischer Verlag, 2000. v. X, p. 43-113.

FREUD, Sigmund. (1915) Die Verdrängung [O recalque]. In: Studienausgabe. Band III. Frankfurt a. M.: S. Fischer, 1997. v. III, p. 103-118.

LACAN, Jacques. O seminário - livro 1: Os Escritos Técnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Ed. 1986.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acréscimo à bibliografia do Seminário da Escola

Caros colegas,

Segue complementação da bibliografia indicada pela Zilda Machado.

Seminário VI

Lição XXI – de 20/05/59

Lição XXII – de 27/05/59

Lição XXIII – de 03/06/59

Lição XXIV – de 10/06/59

Lição XXV – de 17/06/59


um abraço,

Graça

terça-feira, 21 de junho de 2011

SEMINÁRIO DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA - JULHO

DESEJO E FANTASIA


ZILDA MACHADO
AME, EPFCL-Brasil / Fórum de Belo Horizonte

DATA: 02/07/2011
LOCAL: Hotel Diogo


GRUPO DE ESTUDOS PREPARATÓRIO
QUARTAS-FEIRAS, 20h
Sede do FCL-Fortaleza


Informações: Graça Soares (85) 9983-7373






BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

FREUD, S. Uma criança é espancada: uma contribuição ao estudo da origem das perversões
sexuais. ESB. Vol. XVII

FREUD, S. Fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade. ESB. Vol. IX

LACAN, J. Seminário VI - O desejo e sua interpretação - Lição XVIII (22/04/59)

LACAN, J. O Seminário. Livro 4 - A relação de objeto. Cap. VII: Bate-se numa criança e a
jovem homossexual.

LACAN, J. O seminário Livro 5 - As formações do inconsciente. Cap. XIII: A fantasia para
além do princípio de prazer

LACAN, J. A lógica da fantasia. In: Outros Escritos

LACAN, J. Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In:
Escritos.

QUINET, A. Um olhar a mais. Cap. 8: Quadro da fantasia Jorge Zahar Editor (p. 167-173)

VIDAL. E. A construção do fantasma. In: Revista Letra Freudiana. 1, 2, 3, 4 Número,
transferência, fantasma, direção da cura. Ano XII no. 1/4 (1993). (p.98-101)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Tempo do Final e o Ato Psicanalítico

Texto Preliminar às XIII Jornadas de FCCL-Rio (informações abaixo), de Zilda Machado.
Zilda é AME da EPFCL do Fórum do Campo Lacaniano de Belo Horizonte e será a próxima convidada do Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza. O encontro será no dia 02 de julho de 2011 e o tema é Desejo e Fantasia.


É com Lacan que o conceito de Ato analítico surge como uma noção inerente não só ao procedimento analítico, mas à própria formação do analista. A operação analítica, porém, já estava em curso há mais de meio século. Por que então Lacan pôde dizer no começo de seu resumo sobre o Seminário O Ato Psicanalítico: “O ato psicanalítico, ninguém sabe, ninguém viu além de nós?” [1]
Freud introduziu o ato na psicanálise, e o conceito de repetição que lhe é inerente. Ele mostra que há um tipo de ato que se repete pela via significante e outro que se repete por outra lógica, ou seja, desde os primórdios percebeu as duas lógicas do aparelho psíquico e a partir delas introduziu o ato na psicanálise. Inicialmente, o fez através da Psicopatologia da Vida Cotidiana – com os atos falhos e os lapsos - ou seja, a partir das formações do Inconsciente. Mas ele sabia que algo do aparelho psíquico era de outra ordem, o que o levou à virada dos anos 20. Algo no aparelho está para além da interpretação, para além da linguagem. Ou melhor, algo se apresenta não pelos tropeços de linguagem, mas por uma compulsão a “agir”. Temos o texto princeps “Recordar, repetir e elaborar” que aponta o limite da interpretabilidade, embora desde o início esse limite já estivesse posto. (confere: 1908 “As teorias sexuais infantis”, por ex.).
Mas foi Lacan que introduziu o conceito de ato inserido na própria operação analítica: o ato psicanalítico. É essa a grande novidade que ele traz ao cenário da psicanálise a partir da construção do objeto a, o operador da parte do falasser não articulável em linguagem. Com isso Lacan conseguiu operacionalizar o final de análise e levar o sujeito à transposição do rochedo da castração, o limite detectado por Freud. É nesse sentido que ele fala “o ato analítico, ninguém sabe, ninguém viu além de nós”. A partir daí muda-se radicalmente a idéia do final de análise e da análise didática.
Em que consiste propriamente o ato psicanalítico? Embora muitas vezes nos refiramos a todas as intervenções do analista como “ato analítico”, são duas apresentações do ato psicanalítico as que, nesse momento, me interessam mais de perto e que, me parecem, são de fato o que Lacan denomina ato psicanalítico: o ato que permite a entrada em análise (o primeiro umbral) e aquele que permite a saída, sua conclusão (o segundo umbral). Mas estas duas noções do ato analítico se referem a um único e mesmo ato, nos diz Lacan. O tempo de um se enoda ao tempo do outro e “constitui a repetição (...) que introduz o a posteriori próprio do tempo lógico” no seio da experiência analítica, nos diz Lacan na Proposição de 9 de outubro.
Começar uma psicanálise é um ato? se pergunta Lacan no Seminário 15. Certamente que sim. Mas quem é que produz esse ato? Para aquele que se engaja em uma análise, a regra de ouro da psicanálise é justamente que na cena analítica ele se abstenha de agir e que fale tudo o que lhe vier à cabeça, ou seja, “fale e não faça”. Neste sentido, nos diz Lacan, o ato analítico não está do lado do analisante. A ele cabe a tarefa analisante, através da associação livre. O ato analítico, o que autoriza a tarefa psicanalisante[2], provém do analista. É nesse momento, que Lacan trata a questão de que o que está em jogo é o enodamento que enlaça na análise que se sustenta, a própria análise do analista. Portanto, para tratar da entrada em análise de um analisante qualquer, o que está presente é o ato analítico que instituiu o analista que naquele momento conduz aquela análise.
O verdadeiro ato, portanto, é aquele que teve lugar na análise do analista. Aquele que levou o então analisante ao ultrapassamento do segundo umbral, o que fez dele um analista e que justamente no mesmo golpe, atingiu em cheio o Sujeito suposto Saber, fazendo-o decair de sua função – aí está o des-ser do analista, diz Lacan. Nesse momento preciso houve o ato analítico, proferido (instituído, atuado, praticado? é difícil encontrar uma palavra, pois não há sujeito do ato) por aquele que, justo neste ato, se instituiu analista, o que só ocorreu porque houve a queda do Sujeito suposto Saber. É da ordem de ou um ou outro. Em havendo o ato, instituiu-se ali o psicanalista, e este ato inscreverá no psicanalista uma marca, um “label”, um rótulo, que a partir dali terá a ver com o modo pelo qual ele poderá sustentar as análises que tomar a seu cargo. Uma marca que seus congêneres haverão de saber encontrá-la, nos diz Lacan na Nota aos Italianos[3], e que demonstrará que houve a passagem de analisante a psicanalista. Podemos então entender que a análise sempre ocorre na “presença do analista”. Em havendo o des-ser daquele que conduzia a análise, ocorre a báscula que transforma o analisante em analista. Institui-se ali um psicanalista. Momento de passagem. Momento de passe.

________________

[1] LACAN. O ato psicanalítico. Outros escritos. P. 371.
[2] Lacan. Seminário 15. p. 140
[3] LACAN . Outros escritos. P. 313


XIII JORNADAS DE FORMAÇÕES CLÍNICAS DO CAMPO LACANIANO RIO DE JANEIRO
25 a 27 de novembro de 2011


Local: Hotel Novo Mundo
Praia do Flamengo, 20 - Flamengo

Coordenação:
Elisabeth da Rocha Miranda e Georgina Cerquise

Informações:
Célia da Silva - Rua Goethe, 66 –Botafogo – email: secretaria@fcclrio.org.br
Telefone: (21) 2537-1786 - 2286-9225
Deposito conta bancária: banco Itaú agência 8598 C/c. 06617-6
Informamos que as inscrições realizadas por depósito de conta bancária precisam ser confirmadas por via e-mail

Inscrições até 15/08
Membros e Participantes de FCCL- Rio: R$170,00
Estudantes de graduação: R$110,00
Estudantes de pós graduação: R$130,00
Profissional: R$190,00

sexta-feira, 17 de junho de 2011

STYLUS 21

STYLUS 21 JÁ SE ENCONTRA À VENDA NA SEDE DO FCL-FORTALEZA.
EM BREVE, STYLUS 22.


EDITORIAL - STYLUS 21




Em julho de 2010, a belíssima cidade de Roma sediou o VI Encontro da Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano e da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano, presidido pelos colegas Diego Mautino e Mario Binasco. O tema escolhido para esse Encontro não poderia ser mais oportuno: “O mistério do corpo falante”.
Essa frase foi extraída da penúltima aula do Seminário Encore (1972/73), traduzido para o português como Mais, ainda: o real é o mistério do corpo falante, é o mistério do inconsciente (p. 178). Encore (ainda), En corp (no corpo). Nesse Seminário, Lacan ensina que a experiência psicanalítica trata da substância gozante. Essa substância não é nem a res extensa de Descartes, nem tampouco a res anatômica dos mapas dos anatomistas. Trata-se, antes, da substância do corpo, com a condição de que se defina como aquilo de que se goza. Um corpo – afirma Lacan – isso se goza (p. 35).
Mas, atenção! Atenção para a advertência de que o gozo do Outro – do corpo do Outro que o simboliza – não é signo de amor. O âmour (almor), neologismo que une alma e amor é, segundo Lacan numa transação fora-do-sexo. A alma ama a alma, não há sexo na transação. O sexo não conta nesse caso (p. 114). A tentativa da ciência em localizar o gozo da mulher na anatomia é o sonho da fantasia masculina, como aponta Lacan em várias passagens do Seminário Encore, já que não apenas o gozo do Outro não é signo do amor, como também o corpo que o simboliza não pode ser reduzido a um pedaço de carne, que Lacan nomeia de gozo do órgão. É próprio da neurose excluir o Heteros que lhe causa horror.

O seminário Encore transmite, assim, a impossibilidade de escrever a relação do real do corpo com a linguagem: o ser do corpo é sexuado, mas não é desses rastros que depende o gozo do corpo no que ele simboliza o Outro. O corpo, aqui, está longe de ser apenas uma imagem, ou mesmo o cadáver (corps), produzido pela inscrição do traço e a cessão do objeto a – ou seja, o corpo simbólico. O corpo, em sua dimensão real, é propriamente o “lugar do gozo”. Trata-se, portanto, de formalizar uma divisão no próprio campo do gozo. Como Lacan sublinha: A resposta que o gozo do corpo do Outro pode constituir não é necessária (p. 12). O amor, ao contrário, em sua necessária cumplicidade, sempre almeja o Um. Lacan convoca, aqui, a “carta de amor”, a carta de Paulo de Tarso que funda o universalismo cristão, o Todo inscrito na máxima: amai-vos uns aos outros. Mas o Um, argumenta Lacan, “só se aguenta pela essência do significante”. E ele acrescenta: Encore é o nome próprio dessa falha de onde, no Outro, parte a demanda do amor. Ele abre, então, a questão: De onde parte o que é capaz, de maneira não necessária, e não suficiente, de responder pelo gozo do corpo do Outro? Não é do amor, mas do amuro (p. 13). O amuro é o que aparece em signos bizarros no corpo. São esses caracteres sexuais que vêm do além, sob a forma de gérmen. É de lá que vem o encore, o en corp (no corpo). Há rastros no amuro (p. 13).
Se é evidente a referência do amuro à rocha da castração, ou seja, ao real da diferença sexual, Lacan, entretanto, adverte que são apenas rastros. A questão dos corpos sexuados é, portanto, tomada como “fatos de discurso”, ou seja, a sexuação humana é uma consequência lógica do discurso. E dessas consequências, o Psicanalista é convocado a extrair um posicionamento ético.
Nesse número 21 da Revista Stylus – que prossegue no tema iniciado no número 20 “Corpo e inconsciente” – poderemos acompanhar, teórica e clinicamente, algumas provas desse posicionamento.
Na seção “Ensaio”, contamos com os textos de Barbara Guatimosin e Antonio Quinet que articulam, com propriedade, Arte e Psicanálise. O primeiro parte de gravações originais de algumas canções e trabalha “os efeitos de lalíngua em algumas de suas versões, transcriações nas quais se cortam e se enodam significações, produzindo o novo desde efeitos de real no sentido”. O segundo conclui que “homem é um ser-para-a-arte, o teatro é o lugar da poesia encorpada, do significante gozante, da letra que se faz voz, lugar onde o ator demonstra a materialidade fonética da palavra, o gozo de lalíngua, lugar onde pode transformar seu corpo num poema, um corpoema”. Ainda nessa seção, Maria Helena Martinho se serve da obra-prima do escritor japonês Yukio Mishima, intitulada Sol e aço (1968), na intenção de destacar desse ensaio autobiográfico as descobertas feitas pelo autor sobre a relação entre “o corpo e as palavras”. E Raul Pacheco Filho explora “as conexões entre: de um lado, a alienação estrutural e trans-histórica do sujeito e seu ‘encantamento’ com os objetos; e, de outro, a alienação contingente e histórica do sujeito do capitalismo e o fetichismo da mercadoria”.
Na seção “Trabalho crítico com conceitos”, contamos com o trabalho de Diego Mautino, apresentado em Roma – “O ‘corpo falante’ e o ‘mistério de uma outra satisfação’ –, no qual articula ‘mistério do corpo falante’” (mistério – corpo – falante) aos registros RSI, à revisão impressa por Lacan sobre o sintoma (tomando o artifício de Joyce como paradigma) e ao termo satisfação. Sandra Berta – em artigo também apresentado em Roma – aborda “as considerações sobre a passagem do trauma como acidente para o troumatismo, termo cunhado por Lacan para dizer do furo que afeta a estrutura do parlêtre”. E Jairo Gerbase “examina como o sujeito maneja o corpo em função das estruturas clínicas: neurose e psicose, fazendo uma segunda relação entre este manejo e as dimensões do Real, do Simbólico e do Imaginário (RSI)”.
Contamos, ainda, com a contribuição do artigo da Antropóloga Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer – “Corpo: produto e suporte de representações sociais” – produzido a partir de uma conferência proferida no FCL-SP, cuja proposta é indicar algumas das principais conquistas da antropologia e seu atual engajamento em discussões acadêmico-políticas pertinentes às noções de corpo e corporalidade.
Na seção “Direção do tratamento”, o leitor poderá acompanhar um pouco mais da produção da Rede de pesquisa “Sintoma e Corporeidade”, do FCL-SP, por meio do trabalho de uma de suas coordenadoras, Tatiana Carvalho Assadi, cujo objetivo é mostrar, num caso de vitiligo, como a função de uma letra não escutada durante as entrevistas preliminares poder ser a marca da entrada em análise e da leitura como tática clínica num caso de fenômeno psicossomático. Rosane Melo discute, por meio de fragmentos clínicos, a relação entre a incorporação significante, tanto nos sintomas corporais da histeria, quanto nos fenômenos corporais da esquizofrenia. E Gabriel Lombardi, com o rigor que lhe é peculiar, extrai as consequências da oposição entre a conversão como sintoma com o qual o histérico chega a se vincular socialmente, e o sintoma do neurótico obsessivo que, nos dizeres de Freud, é “um assunto particular do enfermo”.
Antes de finalizar, gostaria de lembrar que, com o número 21, a atual Equipe de Publicação de Stylus (2008-2010) se despede, agradecendo a todos os que apoiaram seu trabalho durante esse período e desejando aos futuros integrantes um ótimo trabalho.
Boa leitura!
Ana Laura Prates Pacheco

terça-feira, 14 de junho de 2011

ESTE SÁBADO - SEMINÁRIO DO CAMPO LACANIANO EM FORTALEZA - O DESEJO E SUA INTERPRETAÇÃO

DESEJO, TRANSFERÊNCIA E INTERPRETAÇÃO



ANDRÉA BRUNETTO
AME, EPFCL-Brasil / Fórum do Mato Grosso do Sul

DATA: 18/06/2011
LOCAL: Hotel Diogo

GRUPO DE ESTUDOS PREPARATÓRIO
QUARTAS-FEIRAS, 20h
Sede do FCL-Fortaleza

Informações: Graça Soares (85) 9983-7373






BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

- LACAN, J. “A direção do tratamento e os princípios de seu poder” in Escritos
Seminário “O desejo e sua interpretação”, aula de 3 de dezembro de 1958
Seminário “O avesso da psicanálise”, cap. 2

- FREUD, S. Conferências introdutórias:
Conf. XXVI – “A Transferência”
Conf. XXVII - “A Terapia Analítica”

- SOLER, C. “As regras da interpretação” e “Identificação e interpretação”, in Artigos Clínicos.

domingo, 12 de junho de 2011

Lançamento de Stylus 22

Editorial


O sintoma não é um tema novo para a psicanálise. Entretanto,
sua relação com a política não é evidente, o que justificou a pesquisa
sobre o tema “O sintoma: sua política, sua clínica”, organizada pela
Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil durante
o ano de 2010, e a publicação de artigos sobre esse tema nesta
e na próxima edição da Revista Stylus e que me faz, no momento,
introduzir esta questão.
O sintoma está na origem da invenção da psicanálise e, muito
antes dela, com Marx, responsável pela noção de mais-valia, equivalente
para a psicanálise ao termo mais-de-gozar. No seu âmago –
o amor: ele é um problema de amor ou, dizendo de outra forma, da
realidade sexual do inconsciente. Freud sabia disso e jamais deixou
de implicar Eros na tentativa de manter o sujeito no laço social(1). O
sintoma traz essa marca de compromisso e de uma renúncia pulsional.
O Eros freudiano não está longe da função de amarrar, enodar
os três registros – simbólico, real e imaginário – presentes na noção
de sintoma nos seminários tardios de Lacan.
A política, tema antigo também, presente desde a origem das
cidades, tem no seu âmago um sistema de regras. Na tarefa de associação
de pessoas numa comunidade, na procura pelo parceiro
ideal ou na tentativa de corresponder aos ideais da cultura, o falasser
encontra o desencontro, a não-relação, a falta-a-ser. A política possível
para a psicanálise(2) comporta essa dimensão da falta. Por isso,
podemos dizer que o inconsciente é a política(3). Tratar o sintoma por
esta política aponta para a incompletude na direção do tratamento,
e, por mais paradoxal que isso possa parecer, esse é o seu poder.
O problema é quando as armadilhas da contemporaneidade tentam
camuflar essa fragilidade e a impotência com promessas de felicidade.
(4) O discurso do capitalista, trabalhado rigorosamente por Colette
Soler em um dos artigos desta revista, tenta tomar a demanda
pelo desejo. Engano neurótico que faz do sujeito um usuário do
seu produto e não exige a renúncia pulsional, mas, ao contrário,
instiga a pulsão, impondo ao sujeito determinadas relações com a
demanda. Sem se dar conta, sustenta, sobretudo, a pulsão de morte.
Esta tal máquina de gozo instalada por esse discurso na cultura está
longe de ser desejante.

Para essa ausência de saída do discurso capitalista, Lacan propõe o discurso do psicanalista. A clínica psicanalítica, que trata do mistério do corpo falante, é uma prática de falação que pode ter efeitos sobre o corpo e sobre os sintomas nos tempos atuais. Ela tenta restaurar o lugar do desejo, reinstaurar a verdade do sujeito, castração, ou seja, o mal-estar na cultura, mas que “não constituirá num progresso se for somente para alguns”(5). Como fazer com que esta clínica não seja apenas para alguns?
Responder a esta indagação implica uma política orientada por uma ética: a do bem dizer. Esta é a aposta da psicanálise: quanto mais e melhor muitos puderem falar daquilo que lhes causa, da sua falta-a-ser, dos seus sintomas, mais possibilidades de transformações neste modo de gozar do inconsciente e maiores possibilidades de ocupar novas posições no laço social, o que justifica investigar e justificar – ainda neste século – como os sintomas, que implicam diretamente o corpo, são tratados e muitas vezes, modificados por essa clínica da fala.
A presente edição da Revista Stylus e a próxima são o resultado desta indagação. Agrupamos na edição número 22 – advertidos dos limites desta separação – os artigos que tratam prioritariamente do termo política, e na edição 23 o termo sintoma. Essa divisão justificou neste número a publicação de um Thesaurus, tomado aqui por uma licença poética, na sua acepção latina de tesouro. Nele, o leitor encontrará a maioria das referências à política na obra de Lacan. Esperamos que ele possa servir como fonte valiosa para futuras pesquisas dos que estudam a cultura e/ou tratam dessa questão na clínica. Neste número também estão vários outros artigos que merecem ser estudados pelo rigor com que tratam esta questão.
Abre a revista o ensaio de Joan Salinas-Rosés, que articula de forma bastante interessante o que na Idade Média foi a “extração da pedra da loucura”, retratada num quadro de Bosch, ao que ele chama “introdução da pedra da loucura” na contemporaneidade, ou seja, a introdução discursiva no sujeito de significações únicas, imperativas do “direito próprio”, que têm como consequência o “genocídio da subjetividade”, a exacerbação do narcisismo e da Eucracia, como dizia Lacan.
O ensaio seguinte, de autoria de Gabriel Lombardi, trata de um tema bastante importante para a política do sintoma na psicose. Ele define, de forma precisa, as principais características do delírio e do discurso, interrogando as relações mútuas entre eles e sustentando algumas distinções clínicas básicas para a psicanálise. Esse texto, originado de um curso, merece ser estudado, pois ensina sobre a clínica sutil do sintoma na psicose e a forma com que o homem delirante se exila do social e sobre a decisão política e a responsabilidade do homem social ao entrar nos discursos.
Na seção “Trabalho crítico com conceitos”, além do trabalho de Colette Soler, já citado, contamos com o trabalho de Marcelo Checchia, responsável pela pesquisa do conceito de política na obra de Lacan, contemplada na seção Thesaurus. Esse autor nos brinda, de forma lúcida e bem articulada, com um artigo que discute a afirmação de Lacan “O inconsciente é a política”. Trazendo uma articulação entre significante Um, falo e poder, ele fornece algumas chaves para entendermos o estatuto de política na obra de Lacan na sua dimensão simbólica e real.
Ainda nessa seção também contamos com o rigoroso texto do Ronaldo Torres, que pensa a articulação entre sintoma e a política pela Verleugnung, não pela vertente da constituição do sujeito perverso, mas pela relação do sujeito com o semblante. Ele propõe, com a sua leitura dos últimos seminários de Lacan, um resgate da tensão e da contradição que a Verleugnung expressa entre o saber da castração e o “saber se virar” com isso. Defende que essa seja uma forma possível de fazer laço social ao final de uma análise – política do sintoma afeita ao que Lacan denominou discurso do analista. Vale a pena acompanhá-lo nessa instigante elaboração.
A seção “Direção do tratamento” tem por texto de abertura “A política do sintoma na direção da cura”, de Dominique Fingermann. Nele, estão articulados, de forma inteligente e poética, os três tempos da cena psicanalítica orientada por uma política: a de saber lidar com a falta-a-ser e o mal-estar, “estrangeiridades” que assombram as luzes da pólis, mas que os psicanalistas sabem, são inerentes aos sintomas e à civilização.
A psicanálise, afirma a autora, “não é uma operação de guerra contra o discurso capitalista, mas é uma partida acirrada na qual estratégia, tática e política contribuem para devolver ao sintoma seu alcance político, seu ‘efeito revolucionário’”. Essa política depende do seu operador: ato, desejo, discurso, função de analista, o que justifica uma leitura cuidadosa desse artigo por aqueles que ocupam esse lugar e estão nessa função na direção da cura: uma opção ética com consequências políticas.
Verificaremos algumas dessas consequências políticas no artigo de Andréa Fernandes que, na sequência, aborda a mudança nas crenças do sujeito que procura uma análise e os efeitos clínicos disso na psicose e na neurose. Para o psicótico, haveria uma possibilidade de civilizar o gozo, favorecendo algum tipo de laço social, e para o neurótico a visada clínica seria poder deixar de acreditar no sentido do sintoma e de esperar a sua tradução.
A autora afirma com muita propriedade que aquele que procura uma análise o faz por acreditar no sintoma, por atribuir-lhe sentido e por colocar o analista na posição de sujeito suposto saber disso. Entretanto, é sabendo da articulação do sintoma com o real, com o sem-sentido que o analista, colocando em pauta a destituição subjetiva desde o início da análise, recusando-se a aceitar um tom tranquilizador do inconsciente, pode provocar mudanças nas crenças de um sujeito em análise.
Para finalizar essa seção, contamos com o artigo de Lia Silveira, que além de tecer comentários sobre o processo de alfabetização, momento de aquisição da linguagem escrita, traz considerações importantes sobre um sintoma comum na cultura: o “problema de aprendizagem”, e as respostas possíveis que a psicanálise e os psicanalistas podem dar a essa questão.
Ela parte do exame da questão pelo discurso da ciência, do saber do especialista, que trata a questão como um problema de desenvolvimento ou como interferência de algum aspecto “psicossocial”. Prossegue analisando o estatuto do sintoma para a psicanálise, como índice do sujeito e das tensões que revelam entre este e seu desejo inconsciente, e conclui apresentando uma interessante vinheta clínica para articular brilhantemente os conceitos anteriormente apresentados e demonstrar a estratégia analítica na direção da cura.
Na última parte desta revista contamos com a colaboração de Ida Freitas e Alba Abreu, que fizeram respectivamente as resenhas dos livros “Psicanálise, linguística e linguisteria”, de Sonia Borges, que se refere ao produto de uma vasta e rigorosa pesquisa teórica e prática sobre o tema; e o livro “Alteridade feminina”, de Carmen Gallano, decorrente das intervenções feitas na Universidade e no Fórum do Campo Lacaniano de Medellín, no ano de 1998. Ambas teceram comentários elogiosos ao rigor e ao estilo de escrita das autoras, recomendando fortemente a leitura.
Para concluir, deixamos a promessa da publicação no próximo número da conferência de Colette Soler em Fortaleza, sobre “Repetição e sintoma”; os ensaios da Ana Laura Prates Pacheco, Silvia Amoedo e Elisabeth Rocha Miranda; os artigos de Jairo Gerbase, Sidi Askofaré e Silvana Pessoa na seção “Trabalho crítico com conceitos”; e os textos sobre a direção da cura, por Maria Vitória Bittencourt, Conrado Ramos, Lenita Duarte, Heloísa Ramires e Tatiana Assadi. Esperamos que gostem do resultado de nosso primeiro trabalho como Equipe responsável pela publicação da Revista de Psicanálise Stylus (2011-12), que façam bom proveito da leitura desta revista, contemplando cada um destes instigantes artigos, e que possam aguardar com boa expectativa o volume II, ainda por vir no segundo semestre!
Silvana Pessoa

________________________
1 Freud, (1930) Mal-estar na cultura. In : Obras Completas da Standard Edition. Rio de Janeiro: Imago 1974. p. 121.
2 Lacan, (1958) A direção do tratamento e os princípios do seu poder. In : Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
3 Lacan, Le Séminaire: La logique du fantasme (1966-1967, p. 236). In : Thesaurus. Stylus 22. Rio de Janeiro : Associação Fóruns do Campo Lacaniano, 2011.
4 Lacan,. O seminário – livro 7: A Ética da psicanálise (1959-60) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
5 Lacan, (1974) Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993, p. 34.

Stylus 22 estará à venda em breve na sede do FCL-Fortaleza

sexta-feira, 10 de junho de 2011

BOLETINS INFORMATIVOS Nº 0 e 1



BOLETIM INFORMATIVO 27/05/2011 Nº 0
XII Encontro Nacional da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil
XI Jornada do Campo Psicanalítico ( FCL – SSA)


CONVIDADO INTERNACIONAL – MARC STRAUSS (AME/EPFCL-FRANÇA)


NORMAS PARA ENVIO DE PROPOSTAS DE TRABALHO

Após a inscrição, os interessados em apresentar trabalhos deverão encaminhar o argumento, junto com o comprovante do depósito bancário de acordo com as seguintes instruções:
.Texto em arquivo formato Word versão 2003 ou superior
.Envio do argumento até 31 de Julho
.Endereço para envio: accp@campopsicanalítico.com.br
.Arquivo contendo duas páginas
1) Folha de rosto com o título do trabalho, nome completo do autor, sua instituição, formação e e-mail;
2) Folha do argumento apenas com o título do trabalho e o resumo, contendo a contextualização do tema e objetivo do trabalho, deve limitar-se a 2000 caracteres.
O resultado da seleção dos resumos será divulgado até o dia 19 de setembro e os autores cujos trabalhos tiverem sido selecionados terão até 15 de outubro para enviar o texto completo para accp@campopsicanalítico.com.br
A versão definitiva só será aceita com 6 laudas, em espaço duplo, letra 12.


SUGESTÃO DE TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS

· A interpretação dos sonhos
· Interpretação e transferência
· Interpretação e construção em análise
· A função e os efeitos da interpretação
· A função do silêncio
· Interpretação e equívoco
· Citação, enigma, pontuação, corte e retificação subjetiva
· O dito e o dizer na interpretação
· Dizer modal e dizer apofântico
· A interpretação nos discursos
· A interpretação no discurso do psicanalista: a∕S2
· Interpretação e alingua
· A interpretação e a letra
· A dimensão simbólica e real da interpretação
· Interpretação e poasia
· A Interpretação na clínica com psicótico
· A interpretação na clínica com criança
· A interpretação na psicanálise aplicada


ESPAÇO ESCOLA

Convidados: Marcelo Mazzuca – AE – EPFCL - Argentina e
Silvia Franco – AE – EPFCL – Brasil.


PROPOSTAS DE TRABALHO PARA O ESPAÇO ESCOLA

Esta modalidade é aberta a todos os participantes de CARTÉIS inscritos na Escola, assim como aos membros da EPFCL-Brasil.
O resumo do trabalho deve ter entre 8 a 15 linhas, letra 12, especificando tratar-se de trabalho de cartel ou trabalho sobre questões da Escola.
O envio é até o dia 19 de setembro.
O Espaço Escola estará sob a coordenação da CAI e da CLEAG em articulação com as duas coordenações do Encontro.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

Raquel Passos
e-mail: secretaria.epfclbrasil@yahoo.com.br
http://afcl.campolacaniano.com.br

Vera Santos
e-mail: accp@campopsicanalitico.com.br
http://www.campopsicanalitico.com.br
Tel. e fax (71) 32455681



Boletim Informativo – 04/06/2011 nº 1
XII Encontro Nacional da EPFCL – Brasil


CAROS COLEGAS,

Gostaríamos de informá-los que a Agencia de Turismo Oficial do XII Encontro
Nacional da EPFCL – Brasil que acontecerá em Salvador – Bahia, Terra de Todos os
Santos, é a TOURS BAHIA.
Nosso contato na TOURS BAHIA é Carolina Moura, Coordenadora de Eventos, Tel.:
00 55 (71) 3320-3254,Nextel: ID: 97*50195,Msn: carolina@toursbahia.com.br,
Twitter: @toursbahia, www.toursbahia.com.br.
A TOURS BAHIA oferece serviços para reserva de passagem e hospedagem no Bahia
Othon e em outros bons Hotéis nas proximidades do XII Encontro, assim como tem
excelentes sugestões de pacotes turísticos pré e pós- encontro para aqueles que
desejam aproveitar a vinda a Bahia para desfrutar dos seus encantos e suas belas
paisagens.
Sejam Bem Vindos!

Coordenação Nacional
Coordenação Local
Comissão de Divulgação