sexta-feira, 10 de junho de 2011
BOLETINS INFORMATIVOS Nº 0 e 1
BOLETIM INFORMATIVO 27/05/2011 Nº 0
XII Encontro Nacional da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil
XI Jornada do Campo Psicanalítico ( FCL – SSA)
CONVIDADO INTERNACIONAL – MARC STRAUSS (AME/EPFCL-FRANÇA)
NORMAS PARA ENVIO DE PROPOSTAS DE TRABALHO
Após a inscrição, os interessados em apresentar trabalhos deverão encaminhar o argumento, junto com o comprovante do depósito bancário de acordo com as seguintes instruções:
.Texto em arquivo formato Word versão 2003 ou superior
.Envio do argumento até 31 de Julho
.Endereço para envio: accp@campopsicanalítico.com.br
.Arquivo contendo duas páginas
1) Folha de rosto com o título do trabalho, nome completo do autor, sua instituição, formação e e-mail;
2) Folha do argumento apenas com o título do trabalho e o resumo, contendo a contextualização do tema e objetivo do trabalho, deve limitar-se a 2000 caracteres.
O resultado da seleção dos resumos será divulgado até o dia 19 de setembro e os autores cujos trabalhos tiverem sido selecionados terão até 15 de outubro para enviar o texto completo para accp@campopsicanalítico.com.br
A versão definitiva só será aceita com 6 laudas, em espaço duplo, letra 12.
SUGESTÃO DE TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS
· A interpretação dos sonhos
· Interpretação e transferência
· Interpretação e construção em análise
· A função e os efeitos da interpretação
· A função do silêncio
· Interpretação e equívoco
· Citação, enigma, pontuação, corte e retificação subjetiva
· O dito e o dizer na interpretação
· Dizer modal e dizer apofântico
· A interpretação nos discursos
· A interpretação no discurso do psicanalista: a∕S2
· Interpretação e alingua
· A interpretação e a letra
· A dimensão simbólica e real da interpretação
· Interpretação e poasia
· A Interpretação na clínica com psicótico
· A interpretação na clínica com criança
· A interpretação na psicanálise aplicada
ESPAÇO ESCOLA
Convidados: Marcelo Mazzuca – AE – EPFCL - Argentina e
Silvia Franco – AE – EPFCL – Brasil.
PROPOSTAS DE TRABALHO PARA O ESPAÇO ESCOLA
Esta modalidade é aberta a todos os participantes de CARTÉIS inscritos na Escola, assim como aos membros da EPFCL-Brasil.
O resumo do trabalho deve ter entre 8 a 15 linhas, letra 12, especificando tratar-se de trabalho de cartel ou trabalho sobre questões da Escola.
O envio é até o dia 19 de setembro.
O Espaço Escola estará sob a coordenação da CAI e da CLEAG em articulação com as duas coordenações do Encontro.
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Raquel Passos
e-mail: secretaria.epfclbrasil@yahoo.com.br
http://afcl.campolacaniano.com.br
Vera Santos
e-mail: accp@campopsicanalitico.com.br
http://www.campopsicanalitico.com.br
Tel. e fax (71) 32455681
Boletim Informativo – 04/06/2011 nº 1
XII Encontro Nacional da EPFCL – Brasil
CAROS COLEGAS,
Gostaríamos de informá-los que a Agencia de Turismo Oficial do XII Encontro
Nacional da EPFCL – Brasil que acontecerá em Salvador – Bahia, Terra de Todos os
Santos, é a TOURS BAHIA.
Nosso contato na TOURS BAHIA é Carolina Moura, Coordenadora de Eventos, Tel.:
00 55 (71) 3320-3254,Nextel: ID: 97*50195,Msn: carolina@toursbahia.com.br,
Twitter: @toursbahia, www.toursbahia.com.br.
A TOURS BAHIA oferece serviços para reserva de passagem e hospedagem no Bahia
Othon e em outros bons Hotéis nas proximidades do XII Encontro, assim como tem
excelentes sugestões de pacotes turísticos pré e pós- encontro para aqueles que
desejam aproveitar a vinda a Bahia para desfrutar dos seus encantos e suas belas
paisagens.
Sejam Bem Vindos!
Coordenação Nacional
Coordenação Local
Comissão de Divulgação
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Cores de Almodóvar, Cores de Frida Khalo, Cores...(1)
Lia Carneiro Silveira(2)
Inicialmente eu gostaria de agradecer ao Grupo de Estudos em Transtornos Afetivos, na pessoa de seu coordenador o Prof. Dr. Fábio Gomes de Matos e Souza pelo convite para estar neste curso intitulado Transtornos Afetivos ao Longo da Vida. Soube que este espaço é um projeto da Universidade Federal do Ceará, vinculado ao Departamento de Medicina Clínica e composto por estudantes de Medicina, de psicologia, residentes de psiquiatria, além de servidores do Hospital Universitário Walter Cantídio.
Achei importante situar isso porque fiquei realmente curiosa com o convite, pois este supõe que eu possa dizer alguma coisa sobre o tema e, alem disso, alguma coisa que interesse ao público envolvido nesse grupo. Claro que essa terminologia “Transtornos Afetivos” não me é propriamente desconhecida, pois cursei uma graduação em enfermagem e lá nós aprendemos, entre outras coisas, os quadros psiquiátricos. Mas como já faz um longo tempo que não me dedico a essa área, percebi que tinha que voltar nos livros e tentar perceber melhor o que se chama hoje por esse nome “transtornos afetivos”.
Descobri que, segundo o CID 10 os Transtornos do humor ou afetivos são transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação. Envolvem os Episódio maníaco, Transtorno afetivo bipolar, Episódios depressivos, Transtorno depressivo recorrente, Transtornos de humor [afetivos] persistentes e Outros transtornos do humor [afetivos]
Como isso não me pareceu dizer muita coisa, fui procurar o significado dos termos “Afetividade” e “Humor”. Descobri que a Afetividade é a atividade do psiquismo que constitui a vida emocional do ser humano. O Humor, por sua vez, é a tonalidade afetiva que acompanha os processos psíquicos.
Nesse ponto foi que encontrei um significante que começou a se articular em torno de algumas séries, que me permitiu articular uma fala, e vir aqui dizê-la para vocês hoje. Esse significante foi tonalidade. Achei maravilhosa essa definição de afetividade e humor como relacionada àquilo que dá tonalidade à vida, que colore a vida, dando colorido a cognição, às percepções, aos conceitos, etc. É a Afetividade quem atribui valor e representa nossa realidade. Atribui um colorido às nossas experiências. A Afetividade atribui valor a tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós: como os fatos e acontecimentos presentes ou passados; bem como aquilo que está dentro de nós: nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A medicina chama de Transtornos afetivos às situações em que esse colorido que damos a realidade está ou mais para preto e branco ou tendendo para cores psicodélicas.
Segundo esse sistema, a explicação para isso estaria em alterações orgânicas (anatômicas - lesões cerebrais, funcionais – alterações do fluxo sanguíneo, metabolismo da glicose) neuroquímicas (alterações nos sistemas serotonérgico e dopaminérgico), etc. Não pretendo entrar nessa discussão sobre a causalidade orgânica desses fenômenos. Embora até hoje os estudos realizados tenham sido inconclusivos, nada impede que um dia encontremos uma base orgânica para os processos psíquicos. Já dizia Freud.
Aliás, sabemos que todo sujeito habita um corpo. Ninguém nunca viu um sujeito andando por ai sem corpo. O que vou falar hoje, no entanto, parte do princípio de que esse corpo que habitamos não é pura e simplesmente carne, orgânico. Ele é habitado, permeado, por algo que chamamos de psíquico, e isso extrapola a dimensão orgânica.
Voltemos ao conceito de afetividade. Dissemos que, para a medicina, ela tem a ver com esse colorido que damos a nossas experiências e que quando essa cor está “alterada, transtornada” temos um transtorno de afetividade. Para podemos falar em transtorno, déficit, alteração, precisamos necessariamente partir de um parâmetros de normalidade. Só assim saberemos se algo está alterado para mais ou para menos. Isso implica em que façamos uma pergunta: qual a cor da realidade?
Ai é que entra a questão que já nos coloca em outro plano: a realidade não tem uma cor em si. Pelo menos para nós falantes. Exatamente por que a cor que vamos dar a realidade depende da nossa faculdade de “representação”. Nós não lidamos com as coisas em si, com o mundo objetivo diretamente. Mas com uma realidade mediada pela possibilidade de representá-la. Foi a isso que Freud chamou de “realidade psíquica”. Nessa perspectiva não são os fatos objetivos que contam, mas o modo como nos apropriamos deles, como os significamos, como os vivemos e como os lembramos. Ou como diria o poeta:
Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
O que eu vou abordar aqui só faz sentido dentro de um plano conceitual onde essa premissa é tomada como válida. O que não quer dizer que outras pessoas possam recusá-la.
Bom, então a cor da realidade vai depender da forma como representamos essa realidade. Ocorre que, não existe uma única maneira de representar a realidade. Precisamos acompanhar como isso se processa para podermos abordas as diferentes maneiras de fazê-lo:
Em primeiro lugar, podemos dizer que é impossível representar tudo, em toda experiência a ser representada há sempre algo que se perde. Isso por que para representar precisamos usar palavras e é próprio delas não conseguir dizer tudo. Poderíamos dizer isso de outras maneiras. No texto “Mal-estar na civilização” Freud fala da parcela de satisfação que somos obrigados a deixar de fora para nos constituirmos como humanos. Poderíamos usar também os mitos para nos referir a isso: O mito bíblico fala da perda do paraíso apos o homem provar o fruto proibido. No Banquete de Platão temos o mito dos andróginos que perdem uma de suas metades por tentarem alcançar o Olimpo. Ou ainda, a partir do mito que ficou mais famoso na psicanálise, Édipo, que ao descobrir seu destino incestuoso arranca os próprios olhos.
Enfim, a perda está sempre em jogo quando se trata de representar a realidade e a castração é um dos nomes dessa perda. Além disso, vale ressaltar também que essa perda é algo que afeta o sujeito, mas que é algo que se impõe precisamente no campo do Outro. É a castração do outro (da mãe, vai dizer Freud) que vai angustiar o sujeito, pois obriga-o a se deparar com o fato de que o Outro não é completo, logo o Outro deseja. O que esse outro quer de mim? Essa é a pergunta angustiante com que o sujeito se depara.
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
Ocorre que Freud já mostrava que existem pelo menos duas maneiras diferentes de se lidar com essa perda. Uma delas ocorre quando o Eu, a serviço da realidade, se dispõe à afastar (reprimir ou recalcar) um elemento tido como traumático. Numa conferencia proferida nos Estados Unidos, Freud propõe uma metáfora interessante:
“Imaginem que nesta sala e neste auditório, cujo silêncio e cuja atenção eu não saberia louvar suficientemente, se acha no entanto um indivíduo comportando-se de modo inconveniente, perturbando-nos com risotas, conversas e batidas de pé, desviando-me a atenção de minha incumbência. Declaro não poder continuar assim a exposição; diante disso alguns homens vigorosos dentre os presentes se levantam, e após ligeira luta põem o indivíduo fora da porta. Ele está agora `reprimido’ e posso continuar minha exposição.” (Freud, cinco lições de psicanálise, 1910)
Outra possibilidade diferente de perda desse elemento é aquela que Freud chamou Verwerfung e que Lacan traduziu como Foraclusão. Enquanto que na neurose há uma barreira (uma porta, no exemplo de Freud) que se coloca entre o elemento traumático e a consciência fundando um sujeito dividido (consciente e inconsciente); Na Psicose o elemento traumático retorna invadindo a cena, embora sem possibilidade de se integrado simbolicamente a ela.
Ocorre que esse elemento negado não fica passivamente do lado de fora após ser expulso. Ele impõe sua presença, pois a força que imprime ao tentar se satisfazer não cessa nunca. O que vai se definir então é uma diferença na maneira de lidar com o retorno desse elemento excluído - isto é, na reação contra a repressão e no fracasso da repressão.
Grosso modo podemos dizer que na neurose a tentativa de retorno desse elemento envolve o processo de formação de sintomas: no corpo (na histeria), no pensamento (na neurose obsessiva) ou em elementos do mundo externo (fobia). Na psicose o que vamos ter e aquilo que Lacan chamou de um “inconsciente a céu aberto” com todos os fenômenos de invasão experimentados como alucinações, sensações de fragmentação do corpo, fuga e descarrilhamento de idéias, etc.
Mas não se trata de afirmar, como é frequente ouvirmos, que o neurótico está dentro da realidade, enquanto que na psicose, temos alguém que está fora da realidade. Há nesse processo uma perda da realidade objetiva que vai se colocar tanto para o neurótico quanto para o psicótico(3). Ambos vão tentar, portanto, reconstruir essa realidade. Só que, enquanto o neurótico faz isso pela via da fantasia, o psicótico segue o caminho do delírio.
A fantasia vai se colocar para o neurótico como uma lente por onde ele vai olhar o mundo. Uma tela que ele coloca em frente a sua janela, como diz Quinet, e por onde ele vai passar a olhar a realidade como um quadro que ele mesmo pinta:
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Nesse quadro, estão todas as possibilidades de relação entre esse sujeito e o objeto que causa seu desejo. Objeto esse que ele elege para substituir o vazio provocado pela perda anteriormente citada, ao mesmo tempo em que se identifica com ele. Ou seja, diante da pergunta “O que esse Outro quer de mim?” o neurótico responde com uma frase que resume a cena onde ele se oferece como objeto para reparar o furo no Outro, gozando dessa posição. É ali também que ele sustenta seu desejo, ao manter esse objeto a uma distancia manejável.
No delírio psicótico não há encenação, mas submissão. Não há a separação do objeto pelo efeito da castração. Há uma equivalência do sujeito como objeto para o Outro. Não há mediação entre sujeito e objeto e o Outro o invade. O Delírio vai ser uma tentativa de reconstrução, de conter essa invasão do Outro.
Agora podemos pensar como isso acontece naqueles quadros que a medicina chama de Transtornos afetivos. Eu não vou utilizar esse termo, pois como vocês já devem ter percebido, o que desenvolvi até agora não se encaixa em termos de uma doença, nem de um transtorno. Mas de algo pelo qual todos nós passamos ao tentar dar conta do que é ser falante.
Tomarei então o significante “depressão”. Como afirma Quinet, esse significante “atualmente reúne sob si uma multidão de sujeitos que assim qualificam seu estado de alma quando se encontram tristes, desanimados, frustrados, enlutados, anoréxicos, apáticos, entediados, impotentes, angustiados, etc.” Virou moda dizer que se tem um diagnóstico de depressão, ou até mesmo de bipolar.
Mas a psicanálise vai se posicionar frente a essa imprecisão diagnóstica demarcando que o que está em jogo quando se fala em depressão podem ser coisas radicalmente distintas. A primeira coisa que precisamos delimitar é que este termo não pode se aplicar da mesma maneira na neurose e na psicose, pois já vimos que se trata de mecanismos bem diferentes. Enquanto que na neurose a depressão aparece como um sinal clinico, na psicose a melancolia (como chamamos a depressão psicótica) vai ser caracterizada como um quadro clínico específico. Em segundo lugar, podemos destacar que o que vai estar em jogo naquilo que chamamos de depressão está relacionado com essas diversas facetas da relação sujeito/objeto.
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
Freud, no texto intitulado Luto e Melancolia afirma que o afeto característico tanto do luto quanto da melancolia é a tristeza.
O luto, ele diz, é de modo geral, uma reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante.
Pode acontecer de, nos casos de um luto extremamente penoso, haver um desânimo profundo, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade. Nisso tudo o luto pode se aproximar dos sintomas da melancolia, ou depressão psicótica.
No entanto, há nesse ultimo quadro uma coisa que não aparece nas reações de luto: uma extrema depreciação de si mesmo que culmina num delírio de ruína e uma expectativa de auto-punicão:
“O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e - o que é psicologicamente notável - por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida.” (Freud, Luto e Melancolia, 1917)
Segundo Freud, isso ocorre porque enquanto no luto há uma localização dessa perda em algo do mundo externo, na melancolia o que se torna pobre e vazio é o próprio Eu. A perda experienciada é equivalente a algo no próprio Eu. Ou ainda, há uma correspondência entre o próprio eu e o objeto perdido: a sombra do objeto caiu sobre o eu.
Voltando ao quadro diferencial que traçamos entre neurose e psicose, a depressão no neurótico aponta para um abalo na fantasia que este criou para lidar com a falta no outro. Ele acaba tendo que se deparar com a fragilidade dessa construção de alguma maneira, e um dos efeitos disso pode aparecer clinicamente como desânimo, descrença frente aos ideais, etc. Mas no caso da psicose, a depressão culmina num delírio onde a ideação suicida aparece como possibilidade de dar cabo do núcleo do problema: o próprio Eu. Freud ressalta ainda a impossibilidade de abalar essa crença psicótica, pois não adianta tentar convencer o sujeito de que ele não é esse quadro tão negro que pinta de si mesmo.
Para finalizar, gostaria de exemplificar rapidamente essa discussão partindo de dois exemplos que podem nos ajudar a compreender o que distinguimos como sintomas depressivos no neurótico e o delírio de ruína na psicose. Um deles trata-se de um caso clinico onde a pessoa chega se queixando de depressão.
Marcélia, 39 anos, procura atendimento com uma queixa de depressão e insônia e diz que faz tratamento médico (paroxetina e clonazepam). Afirma que tudo começou em 2005 quando sofreu um “assédio moral” por parte de seu patrão. Trabalhava há quatro anos numa loja de shopping como caixa e começou a apresentar uma dor nos braços que foi diagnosticada como tendinite.
Ao receber o diagnóstico Marcélia procura o patrão, que sugere que ela peça demissão. Como se recusou, este começou a fazê-la passar por situações constrangedoras como sentar numa cadeira isolada e passar o dia inteiro sentada, sem falar com ninguém. Ela resolveu, então que iria processá-lo e, a partir daí, esperar que “a justiça seja feita”.
Marcélia se define como alguém que sempre foi independente e se virou sozinha, se vê agora impossibilitada de trabalhar. Ela passa a peregrinar por médicos, advogados e psicólogos relacionados à área trabalhista. Nessas suas andanças pela área trabalhista adquire muitas informações sobre “seus direitos”. No entanto, sua inquietação e seu sofrimento derivam do fato de que “as pessoas não acreditam que eu estou doente”. O patrão passa a desmenti-la nas audiências; os médicos não encontram uma lesão demonstrável e isso a incomoda: “queria encontrar um exame que mostrasse que o que sinto é real”. Tem medo de que o patrão consiga ganhar a causa e que assim consiga provar que ela não tem uma doença. Essa possibilidade a angustia terrivelmente. Foi por isso que resolveu buscar atendimento em busca de uma “palavra de médico”.
Ela diz: “pois é, eu fiz de tudo pra agradar a ele, me esforcei muito e passei a trabalhar mais ainda, pra ele não ter o que dizer. Era sempre a última a sair. Mas por mais que eu fizesse ele não reconhecia, reclamava do meu trabalho e ainda desconfiava de mim achando que meu caixa não batia. Eu sempre fazia um ‘a mais’ pra que ele reconhecesse”. Esse “a mais” que Marcélia dá ao patrão é a garantia de sustentação da fantasia que lhe permite velar a falta, colocando-se como objeto na relação com o patrão que goza dela.
Nas associações que se desenrolam ao longo da análise, Marcélia faz uma equivalência entre o lugar que o patrão ocupa e o lugar da mãe que, segundo ela, estava sempre comandando, exigindo dela um trabalho sem faltas. Comando esse a que Marcélia sempre atendia. Assim como também fazia de tudo para fazer um “a mais” pelo patrão. Em ambos os casos, era pra que eles não apontassem sua falta, não reclamassem do trabalho mal feito, pois ela nunca “gostou de ser chamada a atenção”.
Em certa sessão Marcélia chega chateada porque uma colega a chamou de autoritária e diz que não é a primeira vez que isso acontece: “eu não sou autoritária, mas minha voz sai assim. Na verdade eu quero é ajudar as pessoas. Como eu aprendi muito sobre os direitos das pessoas eu gosto de orientar, dar conselhos, pra que as pessoas se conscientizem dos seus direitos. Mas elas acham que eu estou sendo autoritária, querendo mandar.”
A fantasia de Marcélia se estrutura portanto em relação a essa voz de comando, esse ser chamada à atenção. Seguindo o circuito pulsional em torno desse objeto voz, ora ela é chamada, comandada. Ora é ela quem chama, comanda. Na transferência ela também me insere nesse circuito quando passa a esperar de mim uma “palavra de médico”.
Percebemos que, no momento de deflagração dos sintomas de Marcélia, algo acontece nessa relação com o patrão que abala sua fantasia. Esse algo passa pela relação que o patrão estabelece com as outras moças que trabalham na casa (leva-as pra sair, toma cerveja com elas) enquanto Marcélia recusa-se a qualquer envolvimento com os homens (aos quarenta anos permanece virgem) e pela recusa do patrão de acreditar nela, desacreditando seu sintoma (LER), desconfiando dela: ele diz que eu estou mentindo. Só aí é que a depressão aparece como sinal ante à possibilidade de ser desmascarada na justiça por esse homem que denuncia sua falta.
Percebemos ainda que, no caso da neurose, não existe um tipo clínico depressivo, mas sujeitos deprimidos, com suas histórias para contar.
O Outro exemplo, não é propriamente um caso, mas é o excerto da carta de despedida que Virgínia Woolf deixa para seu marido Leonard Woolf antes de se suicidar.
xxx
Meu Muito Querido:
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis e não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Se alguém pudesse me salvar, esse alguém seria você. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos
V.
xxx
Temos nessa carta de despedida um claro exemplo do que Freud chamou de delírio de ruína do melancólico. Virgínia ao apontar os motivos pelos quais dá cabo de sua vida aponta simplesmente o peso que ela representa na vida do marido, de como ela é um empecilho à vida dele, que ela destrói pelo simples fato de existir.
Aqui percebemos o que Freud quer dizer com “a sombra do objeto recaiu sobre o Eu”, pois a única saída possível que Virgínia encontra em se saber um peso, um fardo, é livrar-se desse peso colocando algumas pedras nos bolsos e se atirando em um rio.
___________________
(1)Texto apresentado no dia 10 de junho de 2011 no Grupo de Estudos em Transtornos Afetivos da Universidade Federal do Ceará
(2)Psicanalista, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – EPFCL | Fórum Fortaleza
(3)Freud traz um exemplo interessante. Ele diz: “Permitam-me retornar, a título de exemplo, a um caso analisado há muitos anos atrás, em que a paciente, uma jovem, estava enamorada do cunhado. De pé ao lado do leito de morte da irmã, ela ficou horrorizada de ter o pensamento: ‘Agora ele está livre e pode casar comigo.’ Essa cena foi instantaneamente esquecida e assim o processo de regressão, que conduziu a seus sofrimentos histéricos, foi acionado. Exatamente nesse caso é, ademais, instrutivo aprender ao longo de que via a neurose tentou solucionar o conflito. Ela se afastou do valor da mudança que ocorrera na realidade, reprimindo a exigência instintual que havia surgido - isto é, seu amor pelo cunhado. A reação psicótica teria sido uma rejeição do fato da morte da irmã.”
Inicialmente eu gostaria de agradecer ao Grupo de Estudos em Transtornos Afetivos, na pessoa de seu coordenador o Prof. Dr. Fábio Gomes de Matos e Souza pelo convite para estar neste curso intitulado Transtornos Afetivos ao Longo da Vida. Soube que este espaço é um projeto da Universidade Federal do Ceará, vinculado ao Departamento de Medicina Clínica e composto por estudantes de Medicina, de psicologia, residentes de psiquiatria, além de servidores do Hospital Universitário Walter Cantídio.
Achei importante situar isso porque fiquei realmente curiosa com o convite, pois este supõe que eu possa dizer alguma coisa sobre o tema e, alem disso, alguma coisa que interesse ao público envolvido nesse grupo. Claro que essa terminologia “Transtornos Afetivos” não me é propriamente desconhecida, pois cursei uma graduação em enfermagem e lá nós aprendemos, entre outras coisas, os quadros psiquiátricos. Mas como já faz um longo tempo que não me dedico a essa área, percebi que tinha que voltar nos livros e tentar perceber melhor o que se chama hoje por esse nome “transtornos afetivos”.
Descobri que, segundo o CID 10 os Transtornos do humor ou afetivos são transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação. Envolvem os Episódio maníaco, Transtorno afetivo bipolar, Episódios depressivos, Transtorno depressivo recorrente, Transtornos de humor [afetivos] persistentes e Outros transtornos do humor [afetivos]
Como isso não me pareceu dizer muita coisa, fui procurar o significado dos termos “Afetividade” e “Humor”. Descobri que a Afetividade é a atividade do psiquismo que constitui a vida emocional do ser humano. O Humor, por sua vez, é a tonalidade afetiva que acompanha os processos psíquicos.
Nesse ponto foi que encontrei um significante que começou a se articular em torno de algumas séries, que me permitiu articular uma fala, e vir aqui dizê-la para vocês hoje. Esse significante foi tonalidade. Achei maravilhosa essa definição de afetividade e humor como relacionada àquilo que dá tonalidade à vida, que colore a vida, dando colorido a cognição, às percepções, aos conceitos, etc. É a Afetividade quem atribui valor e representa nossa realidade. Atribui um colorido às nossas experiências. A Afetividade atribui valor a tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós: como os fatos e acontecimentos presentes ou passados; bem como aquilo que está dentro de nós: nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A medicina chama de Transtornos afetivos às situações em que esse colorido que damos a realidade está ou mais para preto e branco ou tendendo para cores psicodélicas.
Segundo esse sistema, a explicação para isso estaria em alterações orgânicas (anatômicas - lesões cerebrais, funcionais – alterações do fluxo sanguíneo, metabolismo da glicose) neuroquímicas (alterações nos sistemas serotonérgico e dopaminérgico), etc. Não pretendo entrar nessa discussão sobre a causalidade orgânica desses fenômenos. Embora até hoje os estudos realizados tenham sido inconclusivos, nada impede que um dia encontremos uma base orgânica para os processos psíquicos. Já dizia Freud.
Aliás, sabemos que todo sujeito habita um corpo. Ninguém nunca viu um sujeito andando por ai sem corpo. O que vou falar hoje, no entanto, parte do princípio de que esse corpo que habitamos não é pura e simplesmente carne, orgânico. Ele é habitado, permeado, por algo que chamamos de psíquico, e isso extrapola a dimensão orgânica.
Voltemos ao conceito de afetividade. Dissemos que, para a medicina, ela tem a ver com esse colorido que damos a nossas experiências e que quando essa cor está “alterada, transtornada” temos um transtorno de afetividade. Para podemos falar em transtorno, déficit, alteração, precisamos necessariamente partir de um parâmetros de normalidade. Só assim saberemos se algo está alterado para mais ou para menos. Isso implica em que façamos uma pergunta: qual a cor da realidade?
Ai é que entra a questão que já nos coloca em outro plano: a realidade não tem uma cor em si. Pelo menos para nós falantes. Exatamente por que a cor que vamos dar a realidade depende da nossa faculdade de “representação”. Nós não lidamos com as coisas em si, com o mundo objetivo diretamente. Mas com uma realidade mediada pela possibilidade de representá-la. Foi a isso que Freud chamou de “realidade psíquica”. Nessa perspectiva não são os fatos objetivos que contam, mas o modo como nos apropriamos deles, como os significamos, como os vivemos e como os lembramos. Ou como diria o poeta:
Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
O que eu vou abordar aqui só faz sentido dentro de um plano conceitual onde essa premissa é tomada como válida. O que não quer dizer que outras pessoas possam recusá-la.
Bom, então a cor da realidade vai depender da forma como representamos essa realidade. Ocorre que, não existe uma única maneira de representar a realidade. Precisamos acompanhar como isso se processa para podermos abordas as diferentes maneiras de fazê-lo:
Em primeiro lugar, podemos dizer que é impossível representar tudo, em toda experiência a ser representada há sempre algo que se perde. Isso por que para representar precisamos usar palavras e é próprio delas não conseguir dizer tudo. Poderíamos dizer isso de outras maneiras. No texto “Mal-estar na civilização” Freud fala da parcela de satisfação que somos obrigados a deixar de fora para nos constituirmos como humanos. Poderíamos usar também os mitos para nos referir a isso: O mito bíblico fala da perda do paraíso apos o homem provar o fruto proibido. No Banquete de Platão temos o mito dos andróginos que perdem uma de suas metades por tentarem alcançar o Olimpo. Ou ainda, a partir do mito que ficou mais famoso na psicanálise, Édipo, que ao descobrir seu destino incestuoso arranca os próprios olhos.
Enfim, a perda está sempre em jogo quando se trata de representar a realidade e a castração é um dos nomes dessa perda. Além disso, vale ressaltar também que essa perda é algo que afeta o sujeito, mas que é algo que se impõe precisamente no campo do Outro. É a castração do outro (da mãe, vai dizer Freud) que vai angustiar o sujeito, pois obriga-o a se deparar com o fato de que o Outro não é completo, logo o Outro deseja. O que esse outro quer de mim? Essa é a pergunta angustiante com que o sujeito se depara.
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
Ocorre que Freud já mostrava que existem pelo menos duas maneiras diferentes de se lidar com essa perda. Uma delas ocorre quando o Eu, a serviço da realidade, se dispõe à afastar (reprimir ou recalcar) um elemento tido como traumático. Numa conferencia proferida nos Estados Unidos, Freud propõe uma metáfora interessante:
“Imaginem que nesta sala e neste auditório, cujo silêncio e cuja atenção eu não saberia louvar suficientemente, se acha no entanto um indivíduo comportando-se de modo inconveniente, perturbando-nos com risotas, conversas e batidas de pé, desviando-me a atenção de minha incumbência. Declaro não poder continuar assim a exposição; diante disso alguns homens vigorosos dentre os presentes se levantam, e após ligeira luta põem o indivíduo fora da porta. Ele está agora `reprimido’ e posso continuar minha exposição.” (Freud, cinco lições de psicanálise, 1910)
Outra possibilidade diferente de perda desse elemento é aquela que Freud chamou Verwerfung e que Lacan traduziu como Foraclusão. Enquanto que na neurose há uma barreira (uma porta, no exemplo de Freud) que se coloca entre o elemento traumático e a consciência fundando um sujeito dividido (consciente e inconsciente); Na Psicose o elemento traumático retorna invadindo a cena, embora sem possibilidade de se integrado simbolicamente a ela.
Ocorre que esse elemento negado não fica passivamente do lado de fora após ser expulso. Ele impõe sua presença, pois a força que imprime ao tentar se satisfazer não cessa nunca. O que vai se definir então é uma diferença na maneira de lidar com o retorno desse elemento excluído - isto é, na reação contra a repressão e no fracasso da repressão.
Grosso modo podemos dizer que na neurose a tentativa de retorno desse elemento envolve o processo de formação de sintomas: no corpo (na histeria), no pensamento (na neurose obsessiva) ou em elementos do mundo externo (fobia). Na psicose o que vamos ter e aquilo que Lacan chamou de um “inconsciente a céu aberto” com todos os fenômenos de invasão experimentados como alucinações, sensações de fragmentação do corpo, fuga e descarrilhamento de idéias, etc.
Mas não se trata de afirmar, como é frequente ouvirmos, que o neurótico está dentro da realidade, enquanto que na psicose, temos alguém que está fora da realidade. Há nesse processo uma perda da realidade objetiva que vai se colocar tanto para o neurótico quanto para o psicótico(3). Ambos vão tentar, portanto, reconstruir essa realidade. Só que, enquanto o neurótico faz isso pela via da fantasia, o psicótico segue o caminho do delírio.
A fantasia vai se colocar para o neurótico como uma lente por onde ele vai olhar o mundo. Uma tela que ele coloca em frente a sua janela, como diz Quinet, e por onde ele vai passar a olhar a realidade como um quadro que ele mesmo pinta:
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Nesse quadro, estão todas as possibilidades de relação entre esse sujeito e o objeto que causa seu desejo. Objeto esse que ele elege para substituir o vazio provocado pela perda anteriormente citada, ao mesmo tempo em que se identifica com ele. Ou seja, diante da pergunta “O que esse Outro quer de mim?” o neurótico responde com uma frase que resume a cena onde ele se oferece como objeto para reparar o furo no Outro, gozando dessa posição. É ali também que ele sustenta seu desejo, ao manter esse objeto a uma distancia manejável.
No delírio psicótico não há encenação, mas submissão. Não há a separação do objeto pelo efeito da castração. Há uma equivalência do sujeito como objeto para o Outro. Não há mediação entre sujeito e objeto e o Outro o invade. O Delírio vai ser uma tentativa de reconstrução, de conter essa invasão do Outro.
Agora podemos pensar como isso acontece naqueles quadros que a medicina chama de Transtornos afetivos. Eu não vou utilizar esse termo, pois como vocês já devem ter percebido, o que desenvolvi até agora não se encaixa em termos de uma doença, nem de um transtorno. Mas de algo pelo qual todos nós passamos ao tentar dar conta do que é ser falante.
Tomarei então o significante “depressão”. Como afirma Quinet, esse significante “atualmente reúne sob si uma multidão de sujeitos que assim qualificam seu estado de alma quando se encontram tristes, desanimados, frustrados, enlutados, anoréxicos, apáticos, entediados, impotentes, angustiados, etc.” Virou moda dizer que se tem um diagnóstico de depressão, ou até mesmo de bipolar.
Mas a psicanálise vai se posicionar frente a essa imprecisão diagnóstica demarcando que o que está em jogo quando se fala em depressão podem ser coisas radicalmente distintas. A primeira coisa que precisamos delimitar é que este termo não pode se aplicar da mesma maneira na neurose e na psicose, pois já vimos que se trata de mecanismos bem diferentes. Enquanto que na neurose a depressão aparece como um sinal clinico, na psicose a melancolia (como chamamos a depressão psicótica) vai ser caracterizada como um quadro clínico específico. Em segundo lugar, podemos destacar que o que vai estar em jogo naquilo que chamamos de depressão está relacionado com essas diversas facetas da relação sujeito/objeto.
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
Freud, no texto intitulado Luto e Melancolia afirma que o afeto característico tanto do luto quanto da melancolia é a tristeza.
O luto, ele diz, é de modo geral, uma reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante.
Pode acontecer de, nos casos de um luto extremamente penoso, haver um desânimo profundo, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade. Nisso tudo o luto pode se aproximar dos sintomas da melancolia, ou depressão psicótica.
No entanto, há nesse ultimo quadro uma coisa que não aparece nas reações de luto: uma extrema depreciação de si mesmo que culmina num delírio de ruína e uma expectativa de auto-punicão:
“O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e - o que é psicologicamente notável - por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida.” (Freud, Luto e Melancolia, 1917)
Segundo Freud, isso ocorre porque enquanto no luto há uma localização dessa perda em algo do mundo externo, na melancolia o que se torna pobre e vazio é o próprio Eu. A perda experienciada é equivalente a algo no próprio Eu. Ou ainda, há uma correspondência entre o próprio eu e o objeto perdido: a sombra do objeto caiu sobre o eu.
Voltando ao quadro diferencial que traçamos entre neurose e psicose, a depressão no neurótico aponta para um abalo na fantasia que este criou para lidar com a falta no outro. Ele acaba tendo que se deparar com a fragilidade dessa construção de alguma maneira, e um dos efeitos disso pode aparecer clinicamente como desânimo, descrença frente aos ideais, etc. Mas no caso da psicose, a depressão culmina num delírio onde a ideação suicida aparece como possibilidade de dar cabo do núcleo do problema: o próprio Eu. Freud ressalta ainda a impossibilidade de abalar essa crença psicótica, pois não adianta tentar convencer o sujeito de que ele não é esse quadro tão negro que pinta de si mesmo.
Para finalizar, gostaria de exemplificar rapidamente essa discussão partindo de dois exemplos que podem nos ajudar a compreender o que distinguimos como sintomas depressivos no neurótico e o delírio de ruína na psicose. Um deles trata-se de um caso clinico onde a pessoa chega se queixando de depressão.
Marcélia, 39 anos, procura atendimento com uma queixa de depressão e insônia e diz que faz tratamento médico (paroxetina e clonazepam). Afirma que tudo começou em 2005 quando sofreu um “assédio moral” por parte de seu patrão. Trabalhava há quatro anos numa loja de shopping como caixa e começou a apresentar uma dor nos braços que foi diagnosticada como tendinite.
Ao receber o diagnóstico Marcélia procura o patrão, que sugere que ela peça demissão. Como se recusou, este começou a fazê-la passar por situações constrangedoras como sentar numa cadeira isolada e passar o dia inteiro sentada, sem falar com ninguém. Ela resolveu, então que iria processá-lo e, a partir daí, esperar que “a justiça seja feita”.
Marcélia se define como alguém que sempre foi independente e se virou sozinha, se vê agora impossibilitada de trabalhar. Ela passa a peregrinar por médicos, advogados e psicólogos relacionados à área trabalhista. Nessas suas andanças pela área trabalhista adquire muitas informações sobre “seus direitos”. No entanto, sua inquietação e seu sofrimento derivam do fato de que “as pessoas não acreditam que eu estou doente”. O patrão passa a desmenti-la nas audiências; os médicos não encontram uma lesão demonstrável e isso a incomoda: “queria encontrar um exame que mostrasse que o que sinto é real”. Tem medo de que o patrão consiga ganhar a causa e que assim consiga provar que ela não tem uma doença. Essa possibilidade a angustia terrivelmente. Foi por isso que resolveu buscar atendimento em busca de uma “palavra de médico”.
Ela diz: “pois é, eu fiz de tudo pra agradar a ele, me esforcei muito e passei a trabalhar mais ainda, pra ele não ter o que dizer. Era sempre a última a sair. Mas por mais que eu fizesse ele não reconhecia, reclamava do meu trabalho e ainda desconfiava de mim achando que meu caixa não batia. Eu sempre fazia um ‘a mais’ pra que ele reconhecesse”. Esse “a mais” que Marcélia dá ao patrão é a garantia de sustentação da fantasia que lhe permite velar a falta, colocando-se como objeto na relação com o patrão que goza dela.
Nas associações que se desenrolam ao longo da análise, Marcélia faz uma equivalência entre o lugar que o patrão ocupa e o lugar da mãe que, segundo ela, estava sempre comandando, exigindo dela um trabalho sem faltas. Comando esse a que Marcélia sempre atendia. Assim como também fazia de tudo para fazer um “a mais” pelo patrão. Em ambos os casos, era pra que eles não apontassem sua falta, não reclamassem do trabalho mal feito, pois ela nunca “gostou de ser chamada a atenção”.
Em certa sessão Marcélia chega chateada porque uma colega a chamou de autoritária e diz que não é a primeira vez que isso acontece: “eu não sou autoritária, mas minha voz sai assim. Na verdade eu quero é ajudar as pessoas. Como eu aprendi muito sobre os direitos das pessoas eu gosto de orientar, dar conselhos, pra que as pessoas se conscientizem dos seus direitos. Mas elas acham que eu estou sendo autoritária, querendo mandar.”
A fantasia de Marcélia se estrutura portanto em relação a essa voz de comando, esse ser chamada à atenção. Seguindo o circuito pulsional em torno desse objeto voz, ora ela é chamada, comandada. Ora é ela quem chama, comanda. Na transferência ela também me insere nesse circuito quando passa a esperar de mim uma “palavra de médico”.
Percebemos que, no momento de deflagração dos sintomas de Marcélia, algo acontece nessa relação com o patrão que abala sua fantasia. Esse algo passa pela relação que o patrão estabelece com as outras moças que trabalham na casa (leva-as pra sair, toma cerveja com elas) enquanto Marcélia recusa-se a qualquer envolvimento com os homens (aos quarenta anos permanece virgem) e pela recusa do patrão de acreditar nela, desacreditando seu sintoma (LER), desconfiando dela: ele diz que eu estou mentindo. Só aí é que a depressão aparece como sinal ante à possibilidade de ser desmascarada na justiça por esse homem que denuncia sua falta.
Percebemos ainda que, no caso da neurose, não existe um tipo clínico depressivo, mas sujeitos deprimidos, com suas histórias para contar.
O Outro exemplo, não é propriamente um caso, mas é o excerto da carta de despedida que Virgínia Woolf deixa para seu marido Leonard Woolf antes de se suicidar.
xxx
Meu Muito Querido:
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis e não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Se alguém pudesse me salvar, esse alguém seria você. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos
V.
xxx
Temos nessa carta de despedida um claro exemplo do que Freud chamou de delírio de ruína do melancólico. Virgínia ao apontar os motivos pelos quais dá cabo de sua vida aponta simplesmente o peso que ela representa na vida do marido, de como ela é um empecilho à vida dele, que ela destrói pelo simples fato de existir.
Aqui percebemos o que Freud quer dizer com “a sombra do objeto recaiu sobre o Eu”, pois a única saída possível que Virgínia encontra em se saber um peso, um fardo, é livrar-se desse peso colocando algumas pedras nos bolsos e se atirando em um rio.
___________________
(1)Texto apresentado no dia 10 de junho de 2011 no Grupo de Estudos em Transtornos Afetivos da Universidade Federal do Ceará
(2)Psicanalista, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – EPFCL | Fórum Fortaleza
(3)Freud traz um exemplo interessante. Ele diz: “Permitam-me retornar, a título de exemplo, a um caso analisado há muitos anos atrás, em que a paciente, uma jovem, estava enamorada do cunhado. De pé ao lado do leito de morte da irmã, ela ficou horrorizada de ter o pensamento: ‘Agora ele está livre e pode casar comigo.’ Essa cena foi instantaneamente esquecida e assim o processo de regressão, que conduziu a seus sofrimentos histéricos, foi acionado. Exatamente nesse caso é, ademais, instrutivo aprender ao longo de que via a neurose tentou solucionar o conflito. Ela se afastou do valor da mudança que ocorrera na realidade, reprimindo a exigência instintual que havia surgido - isto é, seu amor pelo cunhado. A reação psicótica teria sido uma rejeição do fato da morte da irmã.”
segunda-feira, 30 de maio de 2011
PSICANÁLISE E CINEMA - DEBATE
Filme: O amor não tira férias
Data: 28.05.11
Profissional convidada: Sandra Mara Nunes Dourado
Nessa segunda sessão de cinema do Fórum de 2011, contamos com a presença da Psicanalista Sandra Mara. Sandra iniciou o debate comentando a relação entre cinema e psicanálise, traçando um paralelo entre o cinema e a obra inaugural da psicanálise: A interpretação dos sonhos. Se nesta obra de Freud, o inconsciente nos é apresentado como “outra cena”, marcada por condensações e deslocamentos, no cinema, o diretor apresenta, na construção das cenas, personagens, imagens e sons que se condensam e se deslocam nos remetendo a algo que é da ordem do inconsciente. Lacan vai enunciar, em determinado momento do seu ensino, que a relação sexual não existe; na verdade ele não está se referindo ao ato sexual propriamente dito, mas ao desencontro entre os sexos. Sandra colocou que o que vem fazer suplência ao desencontro é o amor, ou como foi colocado por um dos presentes, essa sensação de consenso que procura fazer laço nas diversas formas de amor: Eros, ágape, fileo, storge. No filme, isso torna-se claro nas relações entre os diversos personagens. E Sandra ressaltou que o título do filme bem que poderia ser “o desejo não tira férias” porque é ele que insiste. Outro aspecto discutido foi que os personagens colocam-se ora na posição masculina, ora na posição feminina das fórmulas da sexuação postuladas por Lacan no Seminário XX, Mais, ainda. É assim que Amanda, embora feminina, adota uma posição fálica: é dona de seu próprio negócio e não chora diante das situações difíceis; já Graham, “materna” as duas filhas, faz os serviços domésticos e chora, no entanto, é ele quem se mostra decidido em levar adiante a relação dos dois apesar dos “desencontros”. Sandra conclui dizendo que apesar desses desencontros do amor, há que se fazer uma aposta, em Eros, para que Tânatos não prevaleça. E apostar em Eros, é apostar na vida.
Agradecemos a nossa colega Sandra Mara por essa rica contribuição!
Elynes Barros
Data: 28.05.11
Profissional convidada: Sandra Mara Nunes Dourado
Nessa segunda sessão de cinema do Fórum de 2011, contamos com a presença da Psicanalista Sandra Mara. Sandra iniciou o debate comentando a relação entre cinema e psicanálise, traçando um paralelo entre o cinema e a obra inaugural da psicanálise: A interpretação dos sonhos. Se nesta obra de Freud, o inconsciente nos é apresentado como “outra cena”, marcada por condensações e deslocamentos, no cinema, o diretor apresenta, na construção das cenas, personagens, imagens e sons que se condensam e se deslocam nos remetendo a algo que é da ordem do inconsciente. Lacan vai enunciar, em determinado momento do seu ensino, que a relação sexual não existe; na verdade ele não está se referindo ao ato sexual propriamente dito, mas ao desencontro entre os sexos. Sandra colocou que o que vem fazer suplência ao desencontro é o amor, ou como foi colocado por um dos presentes, essa sensação de consenso que procura fazer laço nas diversas formas de amor: Eros, ágape, fileo, storge. No filme, isso torna-se claro nas relações entre os diversos personagens. E Sandra ressaltou que o título do filme bem que poderia ser “o desejo não tira férias” porque é ele que insiste. Outro aspecto discutido foi que os personagens colocam-se ora na posição masculina, ora na posição feminina das fórmulas da sexuação postuladas por Lacan no Seminário XX, Mais, ainda. É assim que Amanda, embora feminina, adota uma posição fálica: é dona de seu próprio negócio e não chora diante das situações difíceis; já Graham, “materna” as duas filhas, faz os serviços domésticos e chora, no entanto, é ele quem se mostra decidido em levar adiante a relação dos dois apesar dos “desencontros”. Sandra conclui dizendo que apesar desses desencontros do amor, há que se fazer uma aposta, em Eros, para que Tânatos não prevaleça. E apostar em Eros, é apostar na vida.
Agradecemos a nossa colega Sandra Mara por essa rica contribuição!
Elynes Barros
domingo, 29 de maio de 2011
TERCEIRO ENCONTRO INTERNACIONAL DA ESCOLA
O espírito do Encontro :
Durante três dias, em Paris, é-nos dada a oportunidade de reunir-nos e debater o tema decidido em Roma em julho 2010 : convite antes de mais para testemunhar, interrogar e desenvolver este tema de atualidade para nossa Escola que vem fazer escansão no trabalho de reflexão sobre a experiência do passe, depois de Roma e antes do Rio de Janeiro.
O interesse pelo tema e a sua acuidade impõem-se, tanto pela seriação da experiência como pelos resultados e com eles a abertura epistêmica introduzida pela « positivação do final da análise” a partir da satisfação final obtida, como afeto positivo de conclusão. Haverá que sintonizar os resultados e as opções. O Encontro será colocado sob o signo da experiência, experiência do passe vivida de ambos os lados do Atlântico e que prossegue há já uma década. Respeitando as particularidades históricas e analíticas locais e retomando as nossas opções, poderá resultar em uma melhor homogeneidade das práticas e das designações entre as zonas geográficas: condição sine qua non para que a experiência internacional da Escola siga produzindo um ensino vivo.
O tema permitirá, com o passe colocado no cerne da Escola, o exame das diversas modalidades de final produzidas e com as sequências, e avançar idéias que justifiquem o título acordado : há um período pós-passe que diz respeito à vida do passante, à Escola, e mais fundamentalmente à transformação da relação de cada um com a análise.
Para facilitar este trabalho, o Encontro será dividido em dois tempos :
Um primeiro dia, sexta-feira, intitulado « A Escola posta à prova do passe », será dedicado a um debate sobre o passador e sobre o AME, organizado em duas mesas redondas de cerca de 3 horas. Intervenções curtas introduzindo a questão serão seguidas por um amplo debate para o qual esperamos as contribuições dos AMEs e dos passadores em particular mas também de todos os que participam a este trabalho de Escola (passantes, AE, membros). O programa será construído a partir das solicitações de colegas de todas as zonas geográficas, proporcionalmente ao peso numérico de cada zona.
O segundo dia e o terceiro serão dedicados a palestras sobre o tema geral : « A análise, seus fins, suas sequências », com um programa elaborado a partir das intervenções propostas atendendo a uma chamada a comunicação. Recordamos que este evento substitui os Dias nacionais da EPFCL-França e será construído a partir de um modelo semelhante. A tarde do sábado será preenchida por intervenções em salas múltiplas, isto para permitir as intervenções de membros dos diferentes países presentes no Encontro, enquanto que a manhã do sábado e o domingo serão reservados a intervenções nas sessões plenárias.
O que está em jogo no Encontro Internacional da Escola : A análise, seus fins, suas consequências.
Sexta-feira, 9 de dezembro : A Escola posta à prova do passe :
O que está em jogo é claro e foi vislumbrado em Roma, a questão diz respeito a toda a Escola e poder-se-á responder a duas questões a partir de um fio condutor estabelecendo a homogeneidade das designações em todas as zonas, tendo por mira o reforço da dimensão internacional da Escola.
- O passador : O que é um passador ? Efeitos do testemunho sobre o passador? O que é um justo testemunho?
- O AME : Designação dos AMEs ? Quando e como designar um passador ? O passe muda os AMEs (Relação dos AMEs com a Escola)?
-
Sábado 10 e domingo 11 de dezembro : 2° e 3° dias internacionais
Se em Roma durante o 2° Encontro internacional da Escola, alíngua, o Real e a nova definição do inconsciente (o falasser) foram amplamente abordados nas comunicações, este terceiro Encontro, na continuidade da experiência da Escola, deveria focar-se sobre uma positivação dos resultados da experiência, em relação com os avanços epistêmicos que os últimos textos do Lacan autorizam (historização, afetos de fim, Real tampão).
A análise não é nem interminável, nem se termina na depressão ou na exaltação, na dor ou por falta de combatentes. O final da análise já não é mistério, inefável, artísticamente confuso, ela é satisfação e até urgente satisfação. O inconsciente real, alíngua e este afeto de satisfação (do qual dever-se-á interrogar as formas, os meios de dar conta dele, a contribuição dos cartéis do passe) dá à análise um fim (mas também uma perspectiva, uma mira, um alvo) muito mais atraente que as negatividades de estrutura, os tormentos da castração ou a religião do furo. Assim, o texto do prefácio da edição inglesa do Seminário XI vem prolongar basculando-as as conclusões dos textos de l’Etourdit e a Nota Italiana: no fim, a tônica já não incide tanto sobre as perdas e as quedas, incide mais na identificação de uma satisfação que faz da análise uma experiência de mutação do afeto, uma experiência tocante também ao vivo, à experiência do viver: perspectivas dinâmicas para uma “análise viva” que deixa prever que o passe pelo Real não conduz nem ao solipsismo, nem ao cinismo mas antes pelo contrário anuncia o que tem chance de transformar em comunidade – e internacional – os dispersos díspares: consequências políticas que deverão ser analisadas pela Escola.
Conforme as épocas, conhecemos diferentes « modelos » de fim : travessia da fantasia, identificação ao sintoma, assunção da castração, estamos hoje perante uma questão crucial : qual é nossa concepção do Real ? Será que se trata apenas do real ligado aos efeitos de linguagem ou o será que o afeto de fim não assinalaria que a análise toca ao Real do vivo ? A elaboração dos gozos aos quais o falasser é confrontado permite extrair uma nova economia dispensada pela experiência de uma análise ? A borromeanização de RSI não autoriza uma leitura renovada do Real ? Como se articula este Real do vivo e o saber do inconsciente ?
A psicanálise é a única entre as disciplinas do conhecimento a situar corretamente o registro da falta e da perda, mas ela diz também (é o que os textos do Lacan dos anos 70 desenvolvem) o que se obtém da experiência : o positivo, o mais e as consequências que a operação comporta para aquele que nela se arrisca e a empurra até seu termo : fazer frente, construir uma resposta singular aos adventos do Real.
Vocês estão convidados a participar a estes dias que poderão vir a ser um evento maior se soubermos aproveitar a oportunidade, antes que voltemos a nos encontrar no Rio de Janeiro em julho 2012 sobre o tema : « O que responde o analista ? Ética e clínica. »
Albert Nguyên
quinta-feira, 26 de maio de 2011
XII ENCONTRO NACIONAL DA EPFCL-BRASIL
Prazos -------- Profissionais -- Estudantes
Até 31/07/11 --- 200,00 ----- 100,00
Até 31/10/11 --- 230,00 ----- 115,00
Após essa data -- 260,00 ----- 130,00
FICHA DE INSCRIÇÃO
Nome:
Endereço Completo:
E-mail:
Telefone: --- Fax:
Valor depositado: --- Data do depósito:
Instituição:
Dados para depósito:
Associação Científica Campo Psicanalítico
Banco do Brasil
Agência 3459-2
Conta 8467-0
Enviar comprovante de pagamento e ficha de inscrição preenchida para e-mail:
accp@campopsicanalitico.com.br
ou para o fax: 32455681.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
PROGRAMAÇÃO
ESPAÇO ESCOLA
"Engajar-se em um cartel, no entanto, não é confortável nem aconchegante; 'fazer' cartel não é brincadeira, é jogo duro, assim como todos os tempos da formação do psicanalista, porque o não sabido, o Unbewusst, o saber que falta, constitui tanto o ponto de partida, o princípio motor, quanto o ponto de chegada. É desconfortável e arriscado."
Dominique Fingermann
O FCL-Fortaleza se insere numa comunidade formada pela IF (Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano) e pela EPFCL que “visam, em âmbito internacional, uma crítica assídua, formação e transmissão da psicanálise a partir dos ensinamentos de S. Freud e J. Lacan.” Seguindo nesse caminho, o Espaço Escola é uma atividade mensal onde procuramos discutir as bases da Escola de Lacan e seus dispositivos, e suas repercussões na EPFCL. Trata-se de uma atividade direcionada não apenas aos membros do FCL-Fortaleza mas, como já foi dito em boletins
anteriores, também a todos aqueles que queiram se aprofundar nos textos de Lacan sobre a Escola e debater suas consequências para a formação do psicanalista.
Neste semestre continuaremos a discutir sobre o cartel, considerado por Lacan, juntamente com o passe, como órgão de base da Escola. Ele formulou esse pequeno grupo, no Ato de Fundação de sua Escola, como uma convocação ao trabalho – pois tem como princípio a elaboração da teoria psicanalítica – e uma articulação entre a psicanálise em intensão e a psicanálise em extensão. O grupo é composto de no mínimo três pessoas e no máximo cinco – sendo quatro a medida certa –
Mais Uma, encarregada da seleção, discussão e do destino do trabalho de cada um. 4+1 é a fórmula.
O próximo debate será animado pelo texto “A função borromeana do mais-um no cartel”, de Maria Anita Carneiro Ribeiro e publicada no livro Em torno do cartel.
Próximo encontro: 26 de maio de 2011
Horário: 20h30m
LANÇAMENTO DO LIVRO:
A Pele como Litoral: Fenômeno psicossomático e psicanálise.
Local: Fórum do Campo Lacaniano - Fortaleza
Endereço: Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103 - Aldeota
Dia: 27/05/2011
Horário: 20h
A inclusão do psicanalista nas consultas compartilhadas possibilitou aos clínicos do Instituto da Pele a tranqüilidade de se saberem respaldados, principalmente no que tange às questões estressoras e emocionais, por um profissional cuja competência se endereça ao saber inconsciente. Assim tomando como desafio uma clínica que provoca até mesmo o saber médico colocando-o numa situação absolutamente peculiar ante sua especificidade - tal como acontece na psicanálise – foi que resolvemos pesquisar e refletir sobre a experiência da clínica no atendimento ao paciente com afecções dermatológicas, tidas como “doenças psicossomáticas". O livro A Pele como Litoral: Fenômeno Psicossomático e Psicanálise é o produto deste trabalho.
Organizadores: Heloíza Ramirez, Tatiana Assadi e Cristian Dunker
CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS
APRESENTA:
Sábado, 28/05 - 15h - O amor não tira férias (Nancy Meyers)
Iris escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods, dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas.
Nesta ocasião, contaremos com a presença da psicanalista Sandra Mara Nunes Dourado como nossa debatedora
O Cinema e Psicanálise do Fórum de Fortaleza dá continuidade a sua programação trazendo filmes que abordem a temática do desejo em suas produções. O tema corrobora com o do Encontro anual da EPFCL/Brasil e com o nosso Seminário de Formação local. Esperamos encontrá-los em nossas sessões regadas à pipoca com refrigerante e uma boa discussão.
Lembramos que essa atividade trata-se de um espaço aberto a todos os amantes da sétima arte e da psicanálise.
LOCAL:
Rua Leonardo Mota, 1394, sl 103 - Aldeota - Fortaleza - CE
Informações: Elynes Barros - 8898-7288 e 9603-7294
"Engajar-se em um cartel, no entanto, não é confortável nem aconchegante; 'fazer' cartel não é brincadeira, é jogo duro, assim como todos os tempos da formação do psicanalista, porque o não sabido, o Unbewusst, o saber que falta, constitui tanto o ponto de partida, o princípio motor, quanto o ponto de chegada. É desconfortável e arriscado."
Dominique Fingermann
O FCL-Fortaleza se insere numa comunidade formada pela IF (Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano) e pela EPFCL que “visam, em âmbito internacional, uma crítica assídua, formação e transmissão da psicanálise a partir dos ensinamentos de S. Freud e J. Lacan.” Seguindo nesse caminho, o Espaço Escola é uma atividade mensal onde procuramos discutir as bases da Escola de Lacan e seus dispositivos, e suas repercussões na EPFCL. Trata-se de uma atividade direcionada não apenas aos membros do FCL-Fortaleza mas, como já foi dito em boletins
anteriores, também a todos aqueles que queiram se aprofundar nos textos de Lacan sobre a Escola e debater suas consequências para a formação do psicanalista.
Neste semestre continuaremos a discutir sobre o cartel, considerado por Lacan, juntamente com o passe, como órgão de base da Escola. Ele formulou esse pequeno grupo, no Ato de Fundação de sua Escola, como uma convocação ao trabalho – pois tem como princípio a elaboração da teoria psicanalítica – e uma articulação entre a psicanálise em intensão e a psicanálise em extensão. O grupo é composto de no mínimo três pessoas e no máximo cinco – sendo quatro a medida certa –
Mais Uma, encarregada da seleção, discussão e do destino do trabalho de cada um. 4+1 é a fórmula.
O próximo debate será animado pelo texto “A função borromeana do mais-um no cartel”, de Maria Anita Carneiro Ribeiro e publicada no livro Em torno do cartel.
Próximo encontro: 26 de maio de 2011
Horário: 20h30m
LANÇAMENTO DO LIVRO:
A Pele como Litoral: Fenômeno psicossomático e psicanálise.
Local: Fórum do Campo Lacaniano - Fortaleza
Endereço: Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103 - Aldeota
Dia: 27/05/2011
Horário: 20h
A inclusão do psicanalista nas consultas compartilhadas possibilitou aos clínicos do Instituto da Pele a tranqüilidade de se saberem respaldados, principalmente no que tange às questões estressoras e emocionais, por um profissional cuja competência se endereça ao saber inconsciente. Assim tomando como desafio uma clínica que provoca até mesmo o saber médico colocando-o numa situação absolutamente peculiar ante sua especificidade - tal como acontece na psicanálise – foi que resolvemos pesquisar e refletir sobre a experiência da clínica no atendimento ao paciente com afecções dermatológicas, tidas como “doenças psicossomáticas". O livro A Pele como Litoral: Fenômeno Psicossomático e Psicanálise é o produto deste trabalho.
Organizadores: Heloíza Ramirez, Tatiana Assadi e Cristian Dunker
CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS
APRESENTA:
Sábado, 28/05 - 15h - O amor não tira férias (Nancy Meyers)
Iris escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods, dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas.
Nesta ocasião, contaremos com a presença da psicanalista Sandra Mara Nunes Dourado como nossa debatedora
O Cinema e Psicanálise do Fórum de Fortaleza dá continuidade a sua programação trazendo filmes que abordem a temática do desejo em suas produções. O tema corrobora com o do Encontro anual da EPFCL/Brasil e com o nosso Seminário de Formação local. Esperamos encontrá-los em nossas sessões regadas à pipoca com refrigerante e uma boa discussão.
Lembramos que essa atividade trata-se de um espaço aberto a todos os amantes da sétima arte e da psicanálise.
LOCAL:
Rua Leonardo Mota, 1394, sl 103 - Aldeota - Fortaleza - CE
Informações: Elynes Barros - 8898-7288 e 9603-7294
quarta-feira, 18 de maio de 2011
CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS - MAIO
FÓRUM DO CAMPO LACANIANO DE FORTALEZA
CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS
APRESENTA:
Sábado, 28/05 - 15h - O amor não tira férias (Nancy Meyers)
Iris escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods, dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas.
Nesta ocasião, contaremos com a presença da psicanalista Sandra Mara Nunes Dourado como nossa debatedora
O Cinema e Psicanálise do Fórum de Fortaleza dá continuidade a sua programação trazendo filmes que abordem a temática do desejo em suas produções. O tema corrobora com o do Encontro anual da EPFCL/Brasil e com o nosso Seminário de Formação local. Esperamos encontrá-los em nossas sessões regadas à pipoca com refrigerante e uma boa discussão.
Lembramos que essa atividade trata-se de um espaço aberto a todos os amantes da sétima arte e da psicanálise.
LOCAL:
Rua Leonardo Mota, 1394, sl 103 - Aldeota - Fortaleza - CE
Informações: Elynes Barros - 8898-7288 e 9603-7294
CINEMA E PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS
APRESENTA:
Sábado, 28/05 - 15h - O amor não tira férias (Nancy Meyers)
Iris escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods, dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas.
Nesta ocasião, contaremos com a presença da psicanalista Sandra Mara Nunes Dourado como nossa debatedora
O Cinema e Psicanálise do Fórum de Fortaleza dá continuidade a sua programação trazendo filmes que abordem a temática do desejo em suas produções. O tema corrobora com o do Encontro anual da EPFCL/Brasil e com o nosso Seminário de Formação local. Esperamos encontrá-los em nossas sessões regadas à pipoca com refrigerante e uma boa discussão.
Lembramos que essa atividade trata-se de um espaço aberto a todos os amantes da sétima arte e da psicanálise.
LOCAL:
Rua Leonardo Mota, 1394, sl 103 - Aldeota - Fortaleza - CE
Informações: Elynes Barros - 8898-7288 e 9603-7294
sábado, 14 de maio de 2011
LANÇAMENTO: A PELE COMO LITORAL - Fenômeno Psicossomático e Psicanálise
FÓRUM DO CAMPO LACANIANO DE FORTALEZA
CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO:
A Pele como Litoral: Fenômeno psicossomático e psicanálise.
Local: Fórum do Campo Lacaniano - Fortaleza
Endereço: Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103 - Aldeota
Dia: 27/05/2011
Horário: 20h
A inclusão do psicanalista nas consultas compartilhadas possibilitou aos clínicos do Instituto da Pele a tranqüilidade de se saberem respaldados, principalmente no que tange às questões estressoras e emocionais, por um profissional cuja competência se endereça ao saber inconsciente. Assim tomando como desafio uma clínica que provoca até mesmo o saber médico colocando-o numa situação absolutamente peculiar ante sua especificidade - tal como acontece na psicanálise – foi que resolvemos pesquisar e refletir sobre a experiência da clínica no atendimento ao paciente com afecções dermatológicas, tidas como “doenças psicossomáticas". O livro A Pele como Litoral: Fenômeno Psicossomático e Psicanálise é o produto deste trabalho.
Organizadores: Heloíza Ramirez, Tatiana Assadi e Cristian Dunker
Organizado a partir de uma extensa pesquisa clínica e bibliográfica sobre o atendimento ao paciente com afecções dermatológicas tidas como “psicossomáticas”, o livro traz uma série de textos sobre a articulação da psicanálise e a relação do sujeito com o corpo. Realizado em sua maior parte no contexto ambulatorial o trabalho (fruto do projeto de pesquisa Aspectos psicológicos do paciente com vitiligo e psoríase, elaborado e aplicado no âmbito do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise em cooperação com o Instituto da Pele) foi criado para atender a demanda de alguns dermatologistas que se questionavam sobre a não aderência do paciente ao tratamento. “Não é fácil compreender, já que o êxito ou não dos resultados obtidos depende da adesão e da relação do paciente com o tratamento, o fato de o doente ir ao médico, receber ou adquirir toda a medicação prescrita e não seguir a orientação recomendada. Há algo aí que falha, que escapa ao saber e que se apresentava como questão para a equipe médica.”, diz Heloísa Ramirez. Mas o diferencial deste projeto encontra-se na criação de um dispositivo que a equipe denominou de Consultas Compartilhadas, um procedimento em que o analista acompanha as primeiras consultas médicas do paciente, e que “tem como finalidade verificar, na relação médico-paciente, indícios de uma possível aderência ao tratamento, aspectos relativos à dinâmica da doença, e, mais ainda, a partir do discurso do paciente, se é possível vislumbrar algum sinal de demanda, ainda que mínima, para um atendimento psicanalítico”. Esta parceria rendeu ao livro a participação da equipe médica na sua composição. Depois do primeiro capítulo, onde é contada a história do projeto, encontram-se três artigos onde é possível conferir a visão médica sobre as afecções de pele estudadas no projeto: psoríase, vitiligo e psicodermatoses. Os demais artigos são psicanalíticos e em sua maioria se referem à clínica. O livro foi prefaciado pela psicanalista Sonia Alberti, professora adjunta do Instituto de Psicologia da UERJ e AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano: “A pele como litoral é uma grande contribuição para além das fronteiras em que se situam os dois campos: psicanálise e medicina”.
Heloísa Helena Aragão e Ramirez
Psicanalista. Membro da EPFCL (Escola de Psicanálise dos
Fóruns do Campo Lacaniano); Membro do Fórum do Campo
Lacaniano – SP. Coordenadora da Rede de Pesquisa e Clínica
em Psicossomática em São Paulo e Mogi das Cruzes, e do Projeto do grupo
Psicanálise e Filosofia: implicações clínicas (USP/SP) na linha
de pesquisa: Corporeidade em psicanálise: a psicossomática,
alocados em São Paulo, no ABC e em Mogi das Cruzes. Autora
de artigos de psicanálise publicados em revistas científicas.
heloramirez@gmail.com
Tatiana Carvalho Assadi
Psicanalista. Membro do Fórum do Campo Lacaniano – SP.
Coordenadora da Rede de Pesquisa e Clínica em Psicossomática
em MC/SP. Pós-doutoranda em Psicologia Clínica (USP/SP) -
Doutorado em Ciências Médicas pela
Universidade Estadual de Campinas (2007). Pesquisadora do
grupo Psicanálise e Filosofia: implicações clínicas (USP/SP) na
linha de pesquisa: Corporeidade em psicanálise: a psicossomática.
Pesquisadora do Estudo comparativo internacional
das marcas-corporais auto-infligidas à luz dos laços sociais
contemporâneos: Função das tatuagens e escarificações na economia
psíquica dos jovens adultos: gênese, relação com o corpo, solução
subjetiva. PST-USP e Laboratoire de Psychopathologique et
clinique psychanalytique.-Rennes 2- Fr. Escreveu, entre outros,
artigos sobre psicossomática.
Email: tatiassadi@uol.com.br
Christian Ingo Lenz Dunker
Psicanalista. Professor Livre-Docente do Departamento de
Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. Pós
Doutorado na Manchester Metropolitan University. Analista
Membro de Escola (AME) da Escola dos Fóruns de Psicanálise
do Campo Lacaniano. Autor de Lacan e a Clínica da
Interpretação (Hacker, 1996) e o Cálculo Neurótico do Gozo
(Escuta, 2002) além de diversos artigos e capítulos de livro em
revistas científicas de diferentes países.
chrisdunker@usp.br
CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO:
A Pele como Litoral: Fenômeno psicossomático e psicanálise.
Local: Fórum do Campo Lacaniano - Fortaleza
Endereço: Rua Leonardo Mota, 1394, sala 103 - Aldeota
Dia: 27/05/2011
Horário: 20h
A inclusão do psicanalista nas consultas compartilhadas possibilitou aos clínicos do Instituto da Pele a tranqüilidade de se saberem respaldados, principalmente no que tange às questões estressoras e emocionais, por um profissional cuja competência se endereça ao saber inconsciente. Assim tomando como desafio uma clínica que provoca até mesmo o saber médico colocando-o numa situação absolutamente peculiar ante sua especificidade - tal como acontece na psicanálise – foi que resolvemos pesquisar e refletir sobre a experiência da clínica no atendimento ao paciente com afecções dermatológicas, tidas como “doenças psicossomáticas". O livro A Pele como Litoral: Fenômeno Psicossomático e Psicanálise é o produto deste trabalho.
Organizadores: Heloíza Ramirez, Tatiana Assadi e Cristian Dunker
Organizado a partir de uma extensa pesquisa clínica e bibliográfica sobre o atendimento ao paciente com afecções dermatológicas tidas como “psicossomáticas”, o livro traz uma série de textos sobre a articulação da psicanálise e a relação do sujeito com o corpo. Realizado em sua maior parte no contexto ambulatorial o trabalho (fruto do projeto de pesquisa Aspectos psicológicos do paciente com vitiligo e psoríase, elaborado e aplicado no âmbito do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise em cooperação com o Instituto da Pele) foi criado para atender a demanda de alguns dermatologistas que se questionavam sobre a não aderência do paciente ao tratamento. “Não é fácil compreender, já que o êxito ou não dos resultados obtidos depende da adesão e da relação do paciente com o tratamento, o fato de o doente ir ao médico, receber ou adquirir toda a medicação prescrita e não seguir a orientação recomendada. Há algo aí que falha, que escapa ao saber e que se apresentava como questão para a equipe médica.”, diz Heloísa Ramirez. Mas o diferencial deste projeto encontra-se na criação de um dispositivo que a equipe denominou de Consultas Compartilhadas, um procedimento em que o analista acompanha as primeiras consultas médicas do paciente, e que “tem como finalidade verificar, na relação médico-paciente, indícios de uma possível aderência ao tratamento, aspectos relativos à dinâmica da doença, e, mais ainda, a partir do discurso do paciente, se é possível vislumbrar algum sinal de demanda, ainda que mínima, para um atendimento psicanalítico”. Esta parceria rendeu ao livro a participação da equipe médica na sua composição. Depois do primeiro capítulo, onde é contada a história do projeto, encontram-se três artigos onde é possível conferir a visão médica sobre as afecções de pele estudadas no projeto: psoríase, vitiligo e psicodermatoses. Os demais artigos são psicanalíticos e em sua maioria se referem à clínica. O livro foi prefaciado pela psicanalista Sonia Alberti, professora adjunta do Instituto de Psicologia da UERJ e AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano: “A pele como litoral é uma grande contribuição para além das fronteiras em que se situam os dois campos: psicanálise e medicina”.
Heloísa Helena Aragão e Ramirez
Psicanalista. Membro da EPFCL (Escola de Psicanálise dos
Fóruns do Campo Lacaniano); Membro do Fórum do Campo
Lacaniano – SP. Coordenadora da Rede de Pesquisa e Clínica
em Psicossomática em São Paulo e Mogi das Cruzes, e do Projeto do grupo
Psicanálise e Filosofia: implicações clínicas (USP/SP) na linha
de pesquisa: Corporeidade em psicanálise: a psicossomática,
alocados em São Paulo, no ABC e em Mogi das Cruzes. Autora
de artigos de psicanálise publicados em revistas científicas.
heloramirez@gmail.com
Tatiana Carvalho Assadi
Psicanalista. Membro do Fórum do Campo Lacaniano – SP.
Coordenadora da Rede de Pesquisa e Clínica em Psicossomática
em MC/SP. Pós-doutoranda em Psicologia Clínica (USP/SP) -
Doutorado em Ciências Médicas pela
Universidade Estadual de Campinas (2007). Pesquisadora do
grupo Psicanálise e Filosofia: implicações clínicas (USP/SP) na
linha de pesquisa: Corporeidade em psicanálise: a psicossomática.
Pesquisadora do Estudo comparativo internacional
das marcas-corporais auto-infligidas à luz dos laços sociais
contemporâneos: Função das tatuagens e escarificações na economia
psíquica dos jovens adultos: gênese, relação com o corpo, solução
subjetiva. PST-USP e Laboratoire de Psychopathologique et
clinique psychanalytique.-Rennes 2- Fr. Escreveu, entre outros,
artigos sobre psicossomática.
Email: tatiassadi@uol.com.br
Christian Ingo Lenz Dunker
Psicanalista. Professor Livre-Docente do Departamento de
Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. Pós
Doutorado na Manchester Metropolitan University. Analista
Membro de Escola (AME) da Escola dos Fóruns de Psicanálise
do Campo Lacaniano. Autor de Lacan e a Clínica da
Interpretação (Hacker, 1996) e o Cálculo Neurótico do Gozo
(Escuta, 2002) além de diversos artigos e capítulos de livro em
revistas científicas de diferentes países.
chrisdunker@usp.br
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Em tempos escuros nos ajudam aqueles que souberam andar na noite
Segue abaixo um comentário escrito por nossa colega de Campo Grande, Andréa Brunetto, quando da morte do escritor argentino Ernesto Sabato. Andrea é a próxima convidada do Seminário do Campo Lacaniano em Fortaleza.
E se foi Ernesto Sábato. Morreu para não fazer um século. Data pesada para esse homem que nasceu para batalhar com a morte? Nasceu e sua mãe o batizou de Ernesto, em homenagem ao pequeno Ernestito vindo antes e que morreu. E depois vem ele, a ocupar o lugar do Ernestito que se foi cedo e do qual ela nunca se esqueceu.
Dessa batalha pessoal - que ele nos contou em "Antes del fin" - fez as mais belas frases que alguém já escreveu sobre a vida, sobre a energia necessária para seguir adiante.
E escreveu sobre o fim de sua vida, despedindo-se. Há uns vinte anos atrás. E depois há cerca de dez anos escreveu os diários de sua velhice, novamente se despedindo. Mas resolveu viver mais uma década.
Em "Antes del fin", livro escrito para os jovens que vivem nesses tempos sombrios, nos dá vários exemplos de que o ser humano só cabe na utopia. E apresenta vários exemplos de homens que redimiram a humanidade porque resgataram a esperança e que, através de sua morte, nos entregaram o valor supremo da vida, "mostrando-nos que o obstáculo não impede a história". "Sólos quienes sean capaces de encarnar la utopía serán aptos para el combate decisivo, el de recuperar cuanto de humanidad hayamos perdido".
Confessa que também ele quis fugir do mundo, mas os outros o impediram, as cartas, as palavras nas ruas, o desamparo.
Seu livro "España en los diarios de mi vejez" é umas das coisas mais lindas que já li. E também nele, na sua apresentação, coloca a utopia como o único caminho. E nesse caso a nomeia: "a recuperação da Argentina, este renascer das possibilidades que se vivem hoje, e que mostram, uma vez mais, que o que pareceu impossível está encontrando seus sulcos".
Para ele, a verdadeira solidariedade é o encontro com o outro, tão difícil "nesse mundo acéfalo que abole todas as diferenças". E nesse encontro com o outro, também encontramos um sentido que nos colocará acima da fatalidade da história". Utópico ele? E o que seria o ser humano sem utopia? Desamparado, acéfalo, obscuro. Um nada.
Estamos todos, hoje, um pouco mais desamparados, sem sua escrita que sabia tão bem andar na noite. Sobretudo a Argentina.
Andréa Brunetto
E se foi Ernesto Sábato. Morreu para não fazer um século. Data pesada para esse homem que nasceu para batalhar com a morte? Nasceu e sua mãe o batizou de Ernesto, em homenagem ao pequeno Ernestito vindo antes e que morreu. E depois vem ele, a ocupar o lugar do Ernestito que se foi cedo e do qual ela nunca se esqueceu.
Dessa batalha pessoal - que ele nos contou em "Antes del fin" - fez as mais belas frases que alguém já escreveu sobre a vida, sobre a energia necessária para seguir adiante.
E escreveu sobre o fim de sua vida, despedindo-se. Há uns vinte anos atrás. E depois há cerca de dez anos escreveu os diários de sua velhice, novamente se despedindo. Mas resolveu viver mais uma década.
Em "Antes del fin", livro escrito para os jovens que vivem nesses tempos sombrios, nos dá vários exemplos de que o ser humano só cabe na utopia. E apresenta vários exemplos de homens que redimiram a humanidade porque resgataram a esperança e que, através de sua morte, nos entregaram o valor supremo da vida, "mostrando-nos que o obstáculo não impede a história". "Sólos quienes sean capaces de encarnar la utopía serán aptos para el combate decisivo, el de recuperar cuanto de humanidad hayamos perdido".
Confessa que também ele quis fugir do mundo, mas os outros o impediram, as cartas, as palavras nas ruas, o desamparo.
Seu livro "España en los diarios de mi vejez" é umas das coisas mais lindas que já li. E também nele, na sua apresentação, coloca a utopia como o único caminho. E nesse caso a nomeia: "a recuperação da Argentina, este renascer das possibilidades que se vivem hoje, e que mostram, uma vez mais, que o que pareceu impossível está encontrando seus sulcos".
Para ele, a verdadeira solidariedade é o encontro com o outro, tão difícil "nesse mundo acéfalo que abole todas as diferenças". E nesse encontro com o outro, também encontramos um sentido que nos colocará acima da fatalidade da história". Utópico ele? E o que seria o ser humano sem utopia? Desamparado, acéfalo, obscuro. Um nada.
Estamos todos, hoje, um pouco mais desamparados, sem sua escrita que sabia tão bem andar na noite. Sobretudo a Argentina.
Andréa Brunetto
quarta-feira, 11 de maio de 2011
SEMINÁRIO DO CAMPO LACANIANO
DESEJO, TRANSFERÊNCIA E INTERPRETAÇÃO
ANDRÉA BRUNETTO
AME, EPFCL-Brasil / Fórum do Mato Grosso do Sul
DATA: 18/06/2011
LOCAL: Hotel Diogo
GRUPO DE ESTUDOS PREPARATORIO
QUARTAS-FEIRAS, 20h
Sede do FCL-Fortaleza
BIBLIOGRAFIA
- LACAN, J. “A direção do tratamento e os princípios de seu poder” in Escritos
Seminário “O desejo e sua interpretação”, aula de 3 de dezembro de 1958
Seminário “O avesso da psicanálise”, cap. 2
- FREUD, S. Conferências introdutórias:
Conf. XXVI – “A Transferência”
Conf. XXVII - “A Terapia Analítica”
- SOLER, C. “As regras da interpretação” e “Identificação e interpretação”, in Artigos Clínicos.
ANDRÉA BRUNETTO
AME, EPFCL-Brasil / Fórum do Mato Grosso do Sul
DATA: 18/06/2011
LOCAL: Hotel Diogo
GRUPO DE ESTUDOS PREPARATORIO
QUARTAS-FEIRAS, 20h
Sede do FCL-Fortaleza
BIBLIOGRAFIA
- LACAN, J. “A direção do tratamento e os princípios de seu poder” in Escritos
Seminário “O desejo e sua interpretação”, aula de 3 de dezembro de 1958
Seminário “O avesso da psicanálise”, cap. 2
- FREUD, S. Conferências introdutórias:
Conf. XXVI – “A Transferência”
Conf. XXVII - “A Terapia Analítica”
- SOLER, C. “As regras da interpretação” e “Identificação e interpretação”, in Artigos Clínicos.
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